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Interdisciplinariedade entre arte, design e tecnologia

Interdisciplinariedade entre arte, design e tecnologia

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INTERDISCIPLINARIDADE EM ARTE, DESIGN E TECNOLOGIA
Henrique Telles Neto
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Resumo
Este artigo concentra-se na problematização oriunda da interdisciplinaridadepresente entre arte, design e tecnologia. Ao delinearmos uma abordagemhistórica, percebemos que a afinidade entre essas três áreas deriva de umamesma perspectiva existencial. Na contemporaneidade, tais campos deconhecimento possuem áreas de atuação bem delimitadas. No entanto, aofocarmo-nos especificamente no campo artístico, percebemos que o trabalhopoético por meios digitais incide em permutas disciplinares. Desse modo, esteartigo delimita-se na análise teórica da demanda interdisciplinar resultante daconvergência entre conhecimentos artísticos, tecnológicos e projetuais,próprios do campo do design.
Palavras-chave:
arte e tecnologia; arte e design; processosinterdisciplinares; interdisciplinaridade.
Interdisciplinaridade - Definição
A partir do ponto de vista de investigação acadêmica, consideramos a ocampo da arte, ciência e tecnologia, como uma área de atuação econhecimentos interdisciplinares por excelência. No entanto, ao aproximarmo-nos deste domínio com entendimento analítico, compreendemos que taldenominação elementar não basta para explanar a complexidade disciplinarencalçada neste domínio. Por meio da pesquisa tecnológica, o campo das artesse expande de acordo com intercâmbios com outras áreas do conhecimento,ocorrendo uma influência mútua que questiona seus próprios limites. Na artecontemporânea, a interação atual entre a arte, a ciência e a tecnologia, revelauma interdisciplinaridade intensa, definitivamente advinda e somentepossibilitada por meio de intensas pesquisas científicas e ações artísticas emsintonia com seu tempo.Diversas denominações têm sido empregadas para denominar asdiversas constituições e particularidades das produções em arte, ciência etecnologia. Dentre tantas terminologias empregadas atualmente, percebemosque termos e conceitos muito similares, tais como interdisciplinaridade,transdisciplinaridade, pluridisciplinaridade e multidisciplinaridade têm sidocomumente aplicadas com o mesmo intuito. Desse modo, devemos esclarecerque, mesmo sendo originariamente adjacentes, estes desígnios possuemdistinção clara entre si. Por isso, faz-se necessário uma breve explicaçãodestes termos, a fim de esclarecer melhor o contexto interdisciplinar queexaminamos neste trabalho, e o porquê deste contexto ter esta denominação.
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Mestrando do Programa de Pós-Graduação Artes Visuais - UFSM, na linha de pesquisa Arte eTecnologia sob a orientação da Prof. Drª. Nara Cristina Santos - Bolsista CAPES. Integrante doGrupo de pesquisa Arte e Tecnologia - CNPq e do Laboratório de Pesquisa em ArteContemporânea, Tecnologia e Mídias Digitais - LABart.E-mail: henriquetellesneto@gmail.com - Telefones: (55) 3026 2686 / (55) 8405 8161
 
O termo disciplina pode ser usado para designarmos algum tipo deciência, conhecimento, também tendo a conotação de o ensinamento de umasabedoria. Originalmente, a interdisciplinaridade tem sido utilizada à exaustãono campo da Educação e da Pedagogia, para descrever os métodos de ensinoque buscam um entrecruzamento de disciplinas. Aplicado a um contexto nãopedagógico, a interdisciplinaridade teria outro desempenho, na medida em quea difusão do saber não é objetivada, mas sim um resultado explícito dossaberes, seja ele artístico, científico ou outro qualquer.Neste contexto, Pombo (1994) esclarece que o prefixo "inter" não indicaapenas uma pluralismo disciplinar, nem uma mistura simples deconhecimentos, mas sim define um ambiente compartilhado, um espaço decoesão entre diferentes ciências diferentes. Desse modo, entendemos que ainterdisciplinaridade também abrange espaços vazios, interfaces entreconhecimentos, configurando permutas que autorizaram o assentamento deum sítio delimitado por um bem comum. De fato, a interrelação proveitosaentre disciplinas não se dá apenas por aproximação ou por semelhanças, mastambém se dá por diferenças e intervalos, com os quais se podem gerarperspectivas de intercâmbios de conhecimentos.
Os especialistas das diversas disciplinas devem estar animadosde uma vontade comum e de uma boa vontade. Cada qualaceita esforçar-se fora do seu domínio próprio e da sua próprialinguagem técnica para aventurar-se num domínio de que não éo proprietário exclusivo. A interdisciplinaridade supõe aberturade pensamento, curiosidade que se busca além de si mesmo(GUSDORF
apud 
POMBO, 1994, p. 93)
Desse modo, o que define a interdisciplinaridade é a interação entredisciplinas. Esta interação, de um modo utópico, deveria convergir à umarelação mútua e coerente da metodologia, dos procedimentos, dos dados e daorganização da investigação da pesquisa ou da produção efetuada. Dados osespaços e os interstícios de pensamentos necessários à sua aplicação, ainterdisciplinaridade evoca um ambiente de colaboração formalizado pelointercâmbio de conhecimentos, possibilitado somente pela divisão e limitaçãodas disciplinas, para ser devidamente aplicada. Assentimos com Pombo (2003)acerca das definições e características presentes nas relações disciplinares:enquanto a pluridisciplinaridade e a multidisciplinaridade seriam caracterizadaspor uma coordenação paralela de conhecimentos, a transdisciplinaridadedistinguir-se-ia pela fusão de ciências. A interdisciplinaridade, por sua vez,qualificar-se-ia por um ponto uma convergência comum das disciplinasenvolvidas, sem que haja fusão, síntese ou paralelismo, no entanto.De fato, a interdisciplinaridade, segundo Pombo (2004), só é alcançadapela afirmação da disciplinar idade, ou seja, da divisão de conhecimentos eatribuições profissionais. A especialização profissional, provinda da RevoluçãoIndustrial e desenvolvida no século XX, é que possibilita a afinidade de relação
de disciplinas. Etimologicamente, o entendimento do prefixo “inter” é
fundamental, pois nos dá a noção de interação, de intercalação, deintercâmbio, de interrelação, de interfaceamento de disciplinas. É assim que
 
entendemos a interdisciplinaridade como termo mais adequado ao contextoque analisamos aqui, formado pela intersecção da arte, da ciência e datecnologia. Neste argumento, a interdisciplinaridade suplantaria apluridisciplinaridade e a transdisiplinaridade devido às suas duascaracterísticas: convergência e combinação.
Interdisciplinaridade em Arte e Tecnologia
 O ingresso de tecnologias eletrônicas e mídias digitais no cotidianosocial, forma novos ambientes culturais, alterando a estrutura social vigente einfluenciando definitivamente as atividades artísticas. A arte e tecnologia,resoluta em um campo de atuação em pleno desenvolvimento está inseridaprofundamente no contexto comunicacional de seu tempo, assim como noconjunto da arte contemporânea. Segundo considerações de Basbaum (2001),o artista contemporâneo opera no campo do campo da cultura por meio de umtrabalho visual estruturado em um projeto plástico pessoal. De acordo com talprática, o trabalho do artista transita entre diferentes meios e materiais,balizado no cruzamento e superposição de diferentes disciplinas.De fato, sabemos que no campo da arte e tecnologia, várias produçõesatuais são resultantes de processo de hibridação entre conhecimentos,técnicas, meios, linguagens e suportes diversos. Mas ainda, percebemos que aobra de arte pensada como um projeto, ou pelo menos com minudências eprocedimentos projetuais, é característica própria da produção em arte etecnologia. Nesta qualificação, se faz necessário uma abordagem diferente doartista, trabalhando de certo modo como um projetista, ciente e atento àsdiferentes possibilidades de curso de seu trabalho.Segundo considerações de Salles (2004), o artista contemporâneo nãopode ser um ser criativo isolado do mundo, pois como qualquer outroprofissional de outra área, ele deve ser um indivíduo atuante em seu tempo,inserido em seu contexto social e cultural. Desse modo, a criação artística estádiretamente entrelaçada com a relação espaço-tempo decorrida durante o noprocesso criativo. A obra de arte é fruto de uma avaliação que o artista faz deseu entorno e convívio social, como também do diálogo de sua poética comseus meios de produção. A partir da instauração dos avanços tecnológicos
digitais, e da concludente “cultura digital” (SANTAELLA, 2003), as fronteiras
entre arte, ciência se diluem, se hibridizam, e relação entre arte e mídia é maisestreita do que parece ser. De fato, o que podemos perceber hoje é que aseparação entre arte, ciência e tecnologia dissolve-se cada vez mais.A partir da instauração dos processos interdisciplinares no campo daarte e tecnologia, percebemos que o papel do artista se transforma e tanto oprocesso criativo quanto os procedimentos técnicos podem decompor-se emuma ação de solução de problemas. É valido lembrar que a arte, comoprofissão e campo de conhecimento, se caracteriza historicamente por umaprodução em que o artista se utiliza dos meios existentes em cada período,sem por isso limitar-se à eles, pois há sempre a busca pela corrupção de seuusos, ampliando o potencial criativo destes. Tal abordagem não é nova, nemexclusiva da arte contemporânea ou da arte tecnológica.

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