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Vasco Salazar Soares, ISVOUGA, Professor Adjunto ,Departamento Gestãovsalazarsoares@gmail.com Antonieta Lima, ISVOUGA, Assistente Investigação, Departamento Gestãoantonietasousalima@gmail.com Fevereiro, 2009
 Resumo
Este artigo estuda as variações da taxa de câmbio nominal recorrendo à metodologiamicroeconómica inicialmente sugerida por Evans & Lyons (2002) e ampliada por Medeiros (2005). Estametodologia é ajustada com a variação da taxa de inflação, substituindo o “order flow” pela variação dasreservas cambiais. É também acrescentada a variação USD/EUR como variável explicativa.A inovação deste modelo vai também no sentido de se usar dados mensais, e não diários, entre aEuropa e a Ásia, e entre a Europa e a América Latina, para o período de 1999 a 2007.O modelo testado, quando aplicado ao mercado da América Latina, produz resultados maiscoerentes e mais robustos. A estimação do modelo pela metodologia ARCH/GARCH-M não melhorou acapacidade explicativa do modelo, contrariamente aos resultados obtidos por Medeiros (2005) com dadosdiários.Palavras-Chave: Taxa de câmbio, micro-estrutura, prémio de risco, taxa de inflação, frequência mensal.
 
Modelo da Micro-Estrutura de Mercado Ajustado: Estudo das Variações das Taxas de Câmbio para PaísesEmergentes da Ásia e da América Latina2
I - INTRODUÇÃO
Seguindo os estudos de Evans e Lyons (2002) e de Medeiros (2005), este trabalho pretende darum novo contributo no estudo das variações da taxa de câmbio nominal. Neste sentido, a variação da taxade câmbio nominal é modelada em função do parâmetro macro variação das taxas de inflação(tradicionalmente utilizado na versão relativa da teoria da paridade do poder de compra), e dos parâmetrosmicro de Evans e Lyons (2002) e Medeiros (2005).Assim sendo, o nosso modelo pretende explicar as variações cambiais existentes entre o euro ealgumas moedas dos países emergentes da Ásia e da América Latina, mas usando séries mensais, em vezde dados diários tal como Evans e Lyons (2002) e Medeiros (2005) aplicaram nos seus estudos.Normalmente os modelos macroeconómicos utilizam dados mensais e os modelos microeconómicosutilizam dados diários. O modelo que testamos faz uma aproximação dos dois modelos usando dadosmensais.Incluímos a variação do diferencial da taxa de inflação, como variável independente, no sentido deincluir uma variável que comprovadamente tem importância no longo prazo, de acordo com a teoria daparidade do poder de compra. Também acrescentamos como variável independente a variação da taxa decâmbio USD/EUR, dada a forte indexação das moedas dos países asiáticos e da América Latina ao USD.Não consideramos o “order flow” no nosso modelo tal como Evans e Lyons (2002) e Medeiros (2005)fizeram, mas sim as reservas cambiais. Optou-se por utilizar esta variável, já que ela é comum a todos ospaíses, enquanto que o “order flow” não existe para todos os países considerados na amostra. Sugerimos,dadas as dificuldades de cálculo do prémio de risco, que este seja obtido pela diferença das taxas de juroreais, que funcionam como prémio de risco.Historicamente, a teoria da paridade do poder de compra teve a sua origem na literaturamercantilista do século XVII, tendo-se tornado proeminente com Gustav Cassel (1916, 1918) no início deséculo XX. A paridade do poder de compra é tida como condição essencial de equilíbrio da taxa decâmbio, a longo prazo, num modelo dinâmico de determinação das taxas de câmbio.Dada a controvérsia e falta de precisão da teoria da paridade do poder de compra, já que estaapenas apresenta como único motivo para a variação da taxa de câmbio as diferenças de inflação entrepaíses, diversos autores têm proposto modelos alternativos, nomeadamente, entre outros, Evans e Lyons(2002) introduziram uma nova proposta.Amplificando a tradicional análise macroeconómica, inseriram uma variável respeitante àsfinanças da micro-estrutura do mercado
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. Ao fazer isto, Evans e Lyons (2002) criaram uma nova classe de
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Segundo O’Hara (1995), a micro-estrutura do mercado pode ser entendida como sendo um processo de trocaexecutado sobre regras de negociação explícitas (fluxo de transacções).
 
Modelo da Micro-Estrutura de Mercado Ajustado: Estudo das Variações das Taxas de Câmbio para PaísesEmergentes da Ásia e da América Latina3
modelos baseados na micro-estrutura financeira, que incluem variáveis que os modelos macroeconómicosomitem, nomeadamente o “order flow”.Um aspecto importante que é necessário realçar é que geralmente os modelos teóricos, incluindo omodelo de Evans e Lyons (2002), consideram que os investidores são naturalmente avessos ao risco, peloque o prémio de risco raramente é incluído nestes modelos. Então, a fraca
 performance
de alguns modelosde determinação da taxa de câmbio pode ser precisamente atribuída à omissão de variáveis relevantescomo os factores de risco, como referem Macdonald e Taylor (1992). Se os investidores são avessos aorisco, será necessário tomar em consideração o prémio que compensa os investidores de possuírem activosna moeda de cotação (por exemplo o real).Com toda esta explanação teórica, equacionamos o nosso modelo da seguinte forma,
p
t
=
q
t
+
(i
*t
– i
t
) +
(a
*t
– a
t
) +
x
t
+
r
t
+
ε
t
[2]onde,
p
 t
, representa as variações da taxa de câmbio
spot 
(sendo o euro a moeda cotada);
q
 t
representa as variações da taxa de câmbio USD/EUR;
(i
*t
i
t
)
, traduz as variações no diferencial da taxa de juro;
i
representa a taxa de juro da Europa, e
i
*
 representa a da China, Índia, Tailândia, Indonésia, Brasil, Argentina, Venezuela e Colômbia;
(a
*t
a
t
)
, traduz as variações no diferencial da taxa de inflação; a
representa a taxa de inflação daEuropa, e
a
*
representa a da China, Índia, Tailândia, Indonésia, Brasil, Argentina, Venezuela e Colômbia;
x
t
, são as variações das reservas cambiais da China, Índia, Tailândia, Indonésia, Brasil, Argentina,Venezuela e Colômbia;
 
r
t
, traduz as variações do prémio de risco das moedas de cotação face à zona euro.
ε 
 t
~ N(0,
σ
2
)
, é o termo de erro.Assim, recolheram-se amostras mensais das variáveis deste modelo para os mercadosmencionados. Para representar o mercado asiático foi seleccionada a China, a Índia, a Indonésia e aTailândia para o período de 1999 a 2007. No que diz respeito à América Latina seleccionou-se o Brasil, aArgentina, a Venezuela, e a Colômbia, para o período decorrente de 1999 a 2007.

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