/  17
 
O
Goodwill e as alterações decorrentes da IFRS 3
O GOODWILL
Alterações decorrentes da introdução da IFRS 3
Vasco Salazar Soares
ISVOUGA - Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga
Joaquim Carlos Rocha
ISVOUGA - Instituto Superior de Entre o Douro e Vouga
Resumo
O trabalho realizado neste artigo é dirigido à abordagem do conceito degoodwill e às alterações decorrentes da introdução da IFRS 3 no sistema contabilísticoque veio especificar a forma de relato financeiro exigido quando uma entidadeempreende Concentrações de Actividades Empresariais (Business Combinations).Pretende-se através deste trabalho dar uma pequena contribuição no âmbito do
que representa o goodwill enquanto parte intangível do negócio e 
das implicações daadopção do novo normativo e dos seus efeitos nas demonstrações financeiras dasentidades. A divisão deste trabalho assenta basicamente em três pontos, efectuando-se inicialmente uma abordagem ao conceito do goodwill no actual contexto económicoe financeiro; em seguida uma breve alusão ao normativo contabilístico nacional einternacional; e por último, uma referência ao tratamento do goodwill no âmbito daNorma Internacional de Relato Financeiro (IFRS) 3 - Concentrações de ActividadesEmpresariais, o qual incluirá um caso de evidenciação prática relacionada.Palavras chave: Goodwill, Concentração de Actividades, Método da Compra, IFRS 3
 
O
Goodwill e as alterações decorrentes da IFRS 3
Introdução
A constante evolução da economia e dos mercados mundiais originou umanecessidade de adaptação, sobretudo das grandes empresas a um autêntico processode globalização, que se tem acentuado nas últimas décadas, colocando novosdesafios à estratégia de crescimento e competitividade das empresas.Este processo tem originado também a globalização de actividadesempresariais, suportada por uma estratégia de concentração, visando a obtenção defactores que permitam a sobrevivência, o crescimento e valorização das empresasbem como a constante melhoria da sua competitividade.Nesta perspectiva, o crescimento torna-se na forma mais eficaz de enfrentar aconcorrência. Para o alcançar, muitas empresas apostam estrategicamente naaquisição ou controlo de outras, em detrimento da opção de crescimento interno (porex. pela via da concepção ou criação de novos produtos ou abordagem a novos nichosde mercado...) pelo que se tem assistido a um forte movimento de concentração denegócios, destacando-se então as operações de fusão e aquisição empresarial.Neste contexto, a determinação do valor da empresa a adquirir assume umaparticular relevância. No âmbito de uma aquisição é comum constatar-se que o preçopago pela empresa adquirente está, por vezes, muito acima do justo valor dos activoslíquidos da empresa adquirida. A adquirente paga assim um conjunto de valoresimateriais inerentes à empresa adquirida, na perspectiva de vir a obter no futuro,ganhos superiores àqueles que seriam proporcionados apenas pelos elementospatrimoniais identificados na contabilidade. Este valor imaterial é identificado comosendo o goodwill.Porém, a magnitude que o valor do goodwill pode assumir nas demonstraçõesfinanceiras fazem com que a sua contabilização tenha estado na origem de váriosdebates e alguma divisão entre os especialistas sendo simultaneamente um temaprioritário na agenda dos organismos de normalização contabilística bem visível nasmais recentes normas que regulam esta matéria.
 
O
Goodwill e as alterações decorrentes da IFRS 3
No centro da controvérsia que envolve o goodwill parece estar a sua próprianatureza. Constata-se que os normativos contabilísticos pouco têm contribuído parauma melhor compreensão daquilo que ele representa, já que privilegiam por via dassuas definições, a sua forma de cálculo sem precisar a sua natureza. O conceito degoodwill possui uma magnitude inerente que vai muito para além de um valor residual,incorporando em grande medida o capital intelectual como fonte de criação de valor daempresa adquirida.A importância dos intangíveis na nova economia é apresentada, hoje, como umfactor chave do crescimento económico. A produtividade empresarial encontra-se cadavez mais ligada às pessoas e menos às coisas, mais ao capital intelectual e menos aocapital físico.Em face desta crescente importância dada ao capital intelectual, temosassistido a uma intensa investigação no desenvolvimento de modelos dereconhecimento, mensuração e divulgação dos elementos que o incorporam.
O Conceito de Goodwwill
“O Goodwill representa o valor da parte intangível do negócio nomeadamente o valor da marca, o valor da base de clientes existente, o valor das relações com a banca e com os fornecedores e outro tipo de vantagens intangíveis. Dado que mede o valor de algo intangível, a atribuição de um valor monetário ao Goodwill é extremamente difícil. Em alguns casos o valor do Goodwill ultrapassa significativamente o valor contabilístico dos seus activos. De facto, existem empresas em que o valor dos activos tais como equipamentos, instalações e outros são insignificantes quando comparados com o valor da sua carteira de clientes ou com o valor dos seus funcionários” 
. – (Nunes) [1]
.
 Em consequência desta definição, o goodwill poderá ser considerado, de certaforma, um activo especial, na medida em que é constituído por um conjuntoindeterminado e heterogéneo de elementos imateriais não identificados, com carácterúnico e inseparáveis da empresa.É, no fundo, o resultado de uma infinidade de decisões, atitudes, práticas,atenções, comportamentos, situações, etc. e da sua receptividade e reconhecimentono exterior. Salvo quando adquirido num processo de concentração de actividadesempresariais, verifica-se uma significativa dificuldade na determinação fiável do seu

Share & Embed

More from this user

Recent Readcasters

Add a Comment

Characters: ...