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Caderno Mais - Folha de São Paulo - Futuro do Jornalismo

Caderno Mais - Folha de São Paulo - Futuro do Jornalismo

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Caderno MaisFolha de S. Paulo – 11/05/2008
Cartas-BOMBAEM TROCA DE MENSAGENS, STEVEN JOHNSON DEFENDE A WEB COMO ESPAÇO DEAMPLIAÇÃO DA CIDADANIA, ENQUANTO PAUL STARR DIZ QUE MÍDIA IMPRESSA ÉCENTRAL PARA O COMBATE À CORRUPÇÃO E PARA A SOBREVIVÊNCIA DADEMOCRACIA.
6 de abril de 2009
 Prezado Paul,Comecemos pelos pontos sobre os quais provavelmente concordamos. Em primeirolugar, os jornais historicamente forneceram e fornecem bens cívicos e públicosessenciais para uma cultura democrática saudável. Em segundo, eles se encontramem situação financeira difícil, em razão de transformações de longo prazo operadasem grande medida pela internet, também em razão da crise econômica - queesperamos ser de curto prazo - e, no caso de alguns jornais, por decisõesfinanceiras insensatas de seus proprietários.Sejam quais forem as causas subjacentes, porém, acho que você e eu concordamosque, dentro de cinco ou dez anos, o setor dos jornais -e, portanto, seu produtoeditorial- terá aparência fundamentalmente diferente da atual. A dúvida é se vai ounão emergir um novo modelo que forneça os bens públicos antes garantidos pelos jornais por meio de seus monopólios locais que geravam alta margem de lucro(pelo menos nos EUA). Acho que existem boas razões para pensar que o sistema denotícias que está se desenvolvendo on-line será melhor que o modelo dos jornaiscom o qual convivemos nos últimos cem anos.Uma maneira de enxergar essa transformação é pensar na mídia como umecossistema. Na maneira como ela circula a informação, a mídia de hoje é, de fato,muito mais próxima de um ecossistema do que era o velho modelo industrial ecentralizado da mídia de massas. O novo mundo é mais diversificado e interligado.É um sistema no qual as informações fluem com mais liberdade. Essa complexidadeo torna interessante, mas dificulta as previsões de como será sua aparência emcinco ou dez anos.
Ecossistemas
Em vez de começar pelo futuro, proponho que olhemos para o passado. Quando osecologistas pesquisam os ecossistemas naturais, procuram as florestas maisantigas, onde a natureza teve mais tempo para evoluir.Para estudar as florestas tropicais, não analisam um campo desmatado dois anosantes. Por analogia, devemos examinar as partes do noticiário on-line quepassaram por uma evolução mais longa. Uma dessas áreas é a reportagem sobre aprópria tecnologia. Esta vem crescendo e se diversificando há décadas, fazendodela uma floresta antiga de notícias on-line. Tomemos a política como outroexemplo. A primeira eleição presidencial que acompanhei de maneira obsessiva foiem 1992. Todo os dias o "New York Times" publicava um punhado de matériassobre escalas nas campanhas, debates ou pesquisas de opinião.
 
Todas as noites eu assistia a programas da TV a cabo para ouvir o que ospalpiteiros tinham a dizer sobre os acontecimentos do dia. Lia "Newsweek", "Time"e "New Republic" e vasculhava a "New Yorker" em busca de seus ocasionais artigospolíticos. É verdade que tudo isso estava longe de constituir um deserto denoticiário. Mas compare-se o que havia então com as informações disponíveis naeleição de 2008. Tudo que existia em 1992 ainda estava presente, mas fazia partede uma nova e vasta floresta de notícias, dados, opiniões, sátira -e, o quepossivelmente seja mais importante, experiências diretas. Sites como Talking PointsMemo e Politico faziam reportagem direta. Blogs como o Daily Kos traziam relatosaprofundados sobre corridas individuais, algo que o "New York Times" jamais teriatinta suficiente para cobrir. Blogueiros como Andrew Sullivan reagiam a cada novavirada no ciclo noticiário, e novos analistas como Nate Silver, no
, faziam análises de pesquisas que superavam de longequalquer coisa oferecida pela CNN. Pense no discurso de Barack Obama sobre aquestão racial, possivelmente um dos acontecimentos-chave da campanha. Oitomilhões de pessoas o acompanharam no YouTube. Teriam as redes de TVtransmitido esse discurso na íntegra em 1992? Com certeza, não. Ele teria sidoreduzido a um minuto no noticiário noturno. A CNN talvez o tivesse transmitido aovivo, para 500 mil pessoas. A Fox News e a MSNBC nem sequer existiam.Para mim, não há dúvida de que o ecossistema do noticiário político em 2008 foimuito, muito superior ao de 1992. Algumas pessoas argumentam que essa novadiversidade é parasítica: os blogueiros são interessantes, é claro, mas, se asorganizações noticiosas tradicionais perdessem peso, os blogueiros não teriam maissobre o que escrever.
Amadurecimento
Isso talvez fosse verdade no início desta década, mas não é mais. Imagine quantosbarris de tinta foram comprados para imprimir comentários em jornais sobre a gafede Obama em relação a "pessoas que se apegam a suas armas e à religião". Masessa frase não foi reportada originalmente pelo "New York Times" ou o "Wall StreetJournal", e sim pelo Huffington Post. Não é que os jornais irão desaparecer -éapenas que deixarão de ser a espécie dominante.A cobertura política da campanha de 2008 foi fértil pelas mesmas razões por que acobertura das notícias na web é fértil: porque a web já é uma mídia de crescimentoantigo. As primeiras ondas de blogs eram focadas na tecnologia; mais tarde, sevoltaram à política. Agora, as coberturas de esportes, economia, cinema, livros,restaurantes e notícias locais -todas os temas padrões do velho formato dos jornais- estão proliferando on-line. Há mais perspectivas e mais profundidade. Eisso é apenas o crescimento mais recente. As notícias on-line estão apenascomeçando a amadurecer.Cordialmente,Steven JohnsonFoi editor-chefe e cofundador de uma das primeiras revistas on-line, a "FeedMagazine". Escreve sobre ciência e tecnologia e sobre novas mídias de massa. Éautor do recente "The Invention of the Air" (A Invenção do Ar, ed. Riverhead), quesai no Brasil no segundo semestre, e "Cultura da Interface" (ambos pela ed.Zahar). Coordena, desde 2006, o site Outside.in
, que busca"construir a web geográfica, bairro por bairro", nas palavras do próprio Johnson.
10 de abril de 2009
Caro Steven,
 
Concordo que um novo modelo de noticiário e controvérsia pública está emergindoon-line e que sob alguns aspectos, especialmente a gama de opiniões que abrange,o ambiente on-line apresenta vantagens em relação ao mundo tradicional do jornalismo impresso. Mas a realidade é que os recursos para fazer jornalismo nosEUA, especialmente nos níveis metropolitano e regional, estão desaparecendo maisrapidamente do que as novas mídias conseguem gerá-los.Você emprega a metáfora de um "ecossistema", e é um conceito reconfortante: àmedida que morrem as formas de vida velhas, nascem outras novas.Mas você está tomando algumas árvores por uma floresta.Além disso, a própria metáfora orgânica induz ao engano. As mídias não sedesenvolvem naturalmente. Elas se desenvolvem historicamente, e as forças queregem seu desenvolvimento são sobretudo políticas e econômicas.A maioria das sociedades, mesmo aquelas que têm uma imprensa nacional livre,não possui a abundância de mídia metropolitana que historicamente caracteriza osEUA.A imprensa no Reino Unido e na França, por exemplo, é muito mais concentrada nonível nacional. Mas nos EUA, da fundação da República ao século 19, a políticagovernamental subsidiou a ascensão de jornais locais.Esses jornais, por sua vez, exerceram papel econômico importante comointermediários entre vendedores (anunciantes) e compradores. A partir desseslucros, os jornais puderam subsidiar a produção de notícias como bem público.As pesquisas em ciências sociais mostram que, onde a mídia noticiosa é fraca, acorrupção está muito mais presente.Sem uma imprensa independente capaz de cobrar responsabilidade dos governoslocais e estaduais, o projeto básico de uma democracia federal fica comprometido.A internet está enfraquecendo a capacidade da imprensa de subsidiar a produçãode jornalismo de serviço público, e isso por uma razão, sobretudo.Os jornais diários metropolitanos já não ocupam a posição estratégica deintermediários entre compradores e vendedores que ocupavam no passado.Pois há maneiras alternativas, on-line, para os vendedores chegarem a seusmercados e para os consumidores encontrarem informações sobre produtos evendas.
Nichos
A competição crescente para chamar a atenção dos leitores no ciberespaço tambémenfraquece a capacidade de a mídia noticiosa cobrar por seus conteúdos. Arecessão atual e a administração insensata vêm agravando esses problemas.Jornais na Europa e em outras regiões enfrentam as mesmas transformaçõesestruturais graves. Nos EUA, a cobertura jornalística dos governos estaduais vemcaindo de maneira nítida. Em meu próprio Estado, Nova Jersey, antigamente havia50 repórteres que cobriam a política em tempo integral. Hoje. esse número caiupara 15. Muitas notícias nem sequer chegam a ser cobertas. Contrariamente ao seurelato, o recuo dos jornais não vem sendo compensado por uma tendência deveículos on-line preencherem a brecha criada. Existem na realidade três problemasseparados aqui: 1) a produção de notícias feita com profissionalismo; 2) a produçãode um público engajado; e 3) a produção de responsabilidade política efetiva.Embora seja inquestionável que a internet oferece uma diversidade de opinião eacesso a novas fontes, ela não vem conservando o jornalismo profissionalgeneralista em seus níveis anteriores. Estão sendo servidos alguns públicos denicho. No nível nacional, ao mesmo tempo em que o número de jornalistas da mídiageneralista profissional vem diminuindo, muitos jornalistas têm encontrado trabalhoem publicações de preço elevado que atendem a setores econômicos específicos.
Esportes e cruzadas
A filantropia poderá subsidiar a reportagem investigativa e remediar esse problemaem parte. Mas o segundo problema -a criação de um público engajado- é aindamais difícil. Os jornais -antes lidos por metade das pessoas de uma cidade-

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