Todas as noites eu assistia a programas da TV a cabo para ouvir o que ospalpiteiros tinham a dizer sobre os acontecimentos do dia. Lia "Newsweek", "Time"e "New Republic" e vasculhava a "New Yorker" em busca de seus ocasionais artigospolíticos. É verdade que tudo isso estava longe de constituir um deserto denoticiário. Mas compare-se o que havia então com as informações disponíveis naeleição de 2008. Tudo que existia em 1992 ainda estava presente, mas fazia partede uma nova e vasta floresta de notícias, dados, opiniões, sátira -e, o quepossivelmente seja mais importante, experiências diretas. Sites como Talking PointsMemo e Politico faziam reportagem direta. Blogs como o Daily Kos traziam relatosaprofundados sobre corridas individuais, algo que o "New York Times" jamais teriatinta suficiente para cobrir. Blogueiros como Andrew Sullivan reagiam a cada novavirada no ciclo noticiário, e novos analistas como Nate Silver, no
, faziam análises de pesquisas que superavam de longequalquer coisa oferecida pela CNN. Pense no discurso de Barack Obama sobre aquestão racial, possivelmente um dos acontecimentos-chave da campanha. Oitomilhões de pessoas o acompanharam no YouTube. Teriam as redes de TVtransmitido esse discurso na íntegra em 1992? Com certeza, não. Ele teria sidoreduzido a um minuto no noticiário noturno. A CNN talvez o tivesse transmitido aovivo, para 500 mil pessoas. A Fox News e a MSNBC nem sequer existiam.Para mim, não há dúvida de que o ecossistema do noticiário político em 2008 foimuito, muito superior ao de 1992. Algumas pessoas argumentam que essa novadiversidade é parasítica: os blogueiros são interessantes, é claro, mas, se asorganizações noticiosas tradicionais perdessem peso, os blogueiros não teriam maissobre o que escrever.
Amadurecimento
Isso talvez fosse verdade no início desta década, mas não é mais. Imagine quantosbarris de tinta foram comprados para imprimir comentários em jornais sobre a gafede Obama em relação a "pessoas que se apegam a suas armas e à religião". Masessa frase não foi reportada originalmente pelo "New York Times" ou o "Wall StreetJournal", e sim pelo Huffington Post. Não é que os jornais irão desaparecer -éapenas que deixarão de ser a espécie dominante.A cobertura política da campanha de 2008 foi fértil pelas mesmas razões por que acobertura das notícias na web é fértil: porque a web já é uma mídia de crescimentoantigo. As primeiras ondas de blogs eram focadas na tecnologia; mais tarde, sevoltaram à política. Agora, as coberturas de esportes, economia, cinema, livros,restaurantes e notícias locais -todas os temas padrões do velho formato dos jornais- estão proliferando on-line. Há mais perspectivas e mais profundidade. Eisso é apenas o crescimento mais recente. As notícias on-line estão apenascomeçando a amadurecer.Cordialmente,Steven JohnsonFoi editor-chefe e cofundador de uma das primeiras revistas on-line, a "FeedMagazine". Escreve sobre ciência e tecnologia e sobre novas mídias de massa. Éautor do recente "The Invention of the Air" (A Invenção do Ar, ed. Riverhead), quesai no Brasil no segundo semestre, e "Cultura da Interface" (ambos pela ed.Zahar). Coordena, desde 2006, o site Outside.in
, que busca"construir a web geográfica, bairro por bairro", nas palavras do próprio Johnson.
10 de abril de 2009
Caro Steven,
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