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PortuguêsEscola Secundária de SantoAndré2008-2009Profª: Fernanda Afonso Turma: 11º DFicha de LeituraData: 6-05-09
Leia atentamente os excertos transcritos de
Os Maias
, cap. III. Seguidamente resolva o questionário(
Q
), 
correspondente ao excerto
indicado pela professora. Para o efeito, consulte atabela anexa a esta ficha.
Processo de trabalho: pares
Tempo previsto: 25 minutos
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(… ) o senhor Afonso da Maia tinha muito saber, e correra mundo; mas de uma coisa não o podiaconvencer, a ele pobre padre
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que nem mesmo o Porto vira ainda, é que houvesse felicidade e bomcomportamento na vida sem a moral e o catecismo.E Afonso da Maia respondia com bom humor:- Então que lhe ensinava você, abade, se eu lhe entregasse o rapaz? Que se não deve roubar dinheiro dasalgibeiras, nem mentir, nem maltratar os inferiores, porque isso é contra os mandamentos da lei de Deus eleva ao Inferno, hem? É isso?...- Há mais alguma coisa …- Bem sei. Mas tudo isso que você lhe ensinaria que não se deve fazer, por ser pecado que ofende a Deus, já ele sabe que se não deve praticar porque é indigno de um cavalheiro e de um homem de bem…- Mas meu senhor …- Ouça abade. Toda a diferença é essa. Eu quero que o rapaz seja virtuoso por amor à virtude e honradopor amor da honra; mas não por medo às caldeiras de Pêro Botelho, nem com o engodo de ir para o Reinodo Céu… ________ 
1.
A personagem é o abade Custódio, amigo da família, e que frequenta a quinta de Santa Olávia
Q1:1.
Atente no primeiro parágrafo do texto. Sintetize a opinião do abade Custódio.
2.
Refira os princípios educativos defendidos por Afonso.
3.
Durante o diálogo, Afonso mostra-se afirmativo, convicto das suas ideias, enquanto o abadeCustódio parece hesitante. Justifique esta afirmação, baseando-se no texto em análise.
4.
Classifique as conjunções destacadas: a) «
nem
mentir,
nem
maltratar os inferiores,
porque
isso é contra os mandamentos»; b) Eu quero que o rapaz seja virtuoso(…) e honrado por amor da honra;
mas
não por medo»
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PortuguêsEscola Secundária de SantoAndré2008-2009Profª: Fernanda Afonso Turma: 11º DFicha de LeituraData: 6-05-09
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(…) nesse momento davam as nove horas, e a desempenada figura do Brown apareceu à porta. Apenaso avistou, Carlos correu a refugiar-se por detrás da Viscondessa, gritando:- Ainda é muito cedo Brown, hoje é festa, não me vou deitar!Então Afonso da Maia, que se não movera aos uivos lancinantes do Silveirinha
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, disse dedentro, da mesa do voltarete, com severidade:- Carlos, tenha a bondade de marchar já para a cama.-Ó vovô, é festa, que está cá o Vilaça!Afonso da Maia pousou as cartas, atravessou a sala sem palavra, agarrou o rapaz pelo braço, earrastou-o pelo corredor – enquanto ele, de calcanhares fincados no soalho, resistia protestando comdesespero:- É festa… vovô … É uma maldade!... O Vilaça pode-se escandalizar… Ó vovô… eu não tenho sono!Uma porta fechando-se abafou-lhe o clamor. As senhoras censuraram logo aquela rigidez: aí estavauma coisa incompreensível; o avô deixava-o fazer todos os horrores, e recusava-lhe então o bocadinho da
soirée…-
Ó senhor Afonso da Maia, porque não deixou estar a criança?
-
É necessário método – balbuciou ele, entrando, todo pálido do seu rigor.E à mesa do voltarete, apanhando as cartas com as mãos trémulas, repetia ainda:- É necessário método. Crianças à noite dormem.
D.
Ana Silveira, voltando-se para Vilaça – que cedera o seu lugar ao Dr Delegado e vinha palestrar comas senhoras - teve aquele sorriso mudo que lhe franzia os lábios sempre que Afonso da Maia falava em«métodos».Depois reclinando-se para as costas da cadeira e abrindo o leque, declarou, a transbordar de ironia, que,talvez por ter a inteligência curta, nunca compreendera a vantagem dos «métodos»… Era à inglesa,segundo diziam: talvez provassem bem em Inglaterra; mas, ou ela estava enganada, ou Santa Olávia erano Reino de Portugal.E como Vilaça inclinava timidamente a cabeça (…), a esperta senhora, baixo para que Afonso dentronão ouvisse, desabafou. O sr. Vilaça não sabia, mas aquela educação do Carlinhos nunca fora aprovadapelos amigos da casa. Já a presença do Brown, um herético, um protestante, como preceptor na famíliados Maias, causara desgosto em Resende. Sobretudo quando o sr. Afonso tinha aquele santo do abade
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-Referência a Eusebiosinho que se assustara com as brincadeiras de Carlos ; estepuxava-o, «queria-o levar para África, a combater os selvagens», «arreganhando paraEusebiosinho um lado feroz»
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PortuguêsEscola Secundária de SantoAndré2008-2009Profª: Fernanda Afonso Turma: 11º DFicha de LeituraData: 6-05-09
Custódio, tão estimado, homem de tanto saber… Não ensinaria à criança habilidades de acrobata, mashavia de lhe dar uma educação de fidalgo, prepará-lo para fazer uma boa figura em Coimbra.
Q2:
1.
Refira, com base no seu conhecimento, que princípios da educação à inglesa são seguidos por Afonso. Como se reflecte esse facto na relação avô-neto?2. Explicite as críticas que D. Ana Silveira tece relativamente à educação de Carlos.3. Releia o texto do seu início a « vantagem dos «métodos»…». Analise o efeito de sentido resultantedo uso do gerúndio (forma nominal do verbo).4. Clarifique o ponto de vista de D. Ana Silveira sobre Brown e o abade Custódio, atendendo, emparticular, ao uso expressivo do adjectivo.
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D. Ana, depois de bocejar de leve, retomou a sua ideia;- Sem contar que o pequeno
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 está muito atrasado. A não ser um bocado do inglês, não sabenada… não tem prenda nenhuma!- Mas é esperto, minha rica senhora! – acudiu Vilaça.- É possível – respondeu secamente a inteligente SilveiraE voltando-se para Eusebiosinho, que se conservava ao lado dela, quieto como se fosse de gesso:- Ó filho, diz tu aqui ao Sr Vilaça aqueles lindos versos que sabes… Não sejas atado, anda! Vá,Eusébio, filho, sê bonito.Mas o menino molengão e tristonho, não se descolava das saias da titi: teve ela de o pôr de pé,ampará-lo para que o tenro prodígio não aluísse sobre as perninhas flácidas: e a mamã prometeu-lhe que,se dissesse os versinhos, dormia essa noite com ela …Isto decidiu-o: abriu a boca, e como de uma torneira lassa, veio de lá escorrendo, num fio de voz,um recitativo lento e babujado: 
É noite, o astro saudosoRompe a custo um plúmbeo céu Tolda-lhe o rosto formoso… Alvacento, húmido véu…
Disse-a toda – sem se mexer, com as mãozinhas pendentes, os olhos mortiços pregados na titi. Amamã fazia o compasso com a agulha de
crochet 
; e a viscondessa, pouco a pouco, com um sorriso dequebranto, banhada no langor da melopeia
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, ia cerrando as pálpebras.
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Referência a Carlos da Maia
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Na dolência, sonolência provocada pela cantilena
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