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Texto : «No Verão Pedro partiu para Sintra» (
 Antologia,
pp. 178-179)Questionário - soluções
1.
Pedro da Maia apaixonou-se perdidamente por uma jovem desconhecida, de inexcedível beleza:Maria Monforte. Não o escondeu da sociedade lisboeta - que criticava a origem social da jovem ,considerada pouco digna , pois o pai tinha feito fortuna com o tráfico de escravos, o que valeu à jovem o epíteto de «negreira» -, antes lhe fez a corte abertamente e à antiga portuguesa. Amando deforma romântica, Pedro frequentava os locais públicos, como o teatro, a que Maria ia, escrevia-lheversos, colocava-se diante da casa da amada, etc.Este excerto dá conta do período de intenso enamoramento de Pedro da Maia por Maria Monforte, nomomento em que esta já aceitara o seu amor e existe um compromisso amoroso entre eles. Para alémdisso, é a primeira vez que Afonso vê Maria Monforte e fica apreensivo. Apercebendo-se da extrema beleza desta e do modo como o filho está inteiramente subjugado por ela, toma consciência daimpossibilidade de impedir este relacionamento, pressentindo, ainda, que o mesmo será funesto paraPedro. 
…………………………………………………………………
 Para saber mais ...
 A história trágica de Pedro
Posteriormente, Pedro que nunca fora capaz de tomar decisões, enfrenta com firmeza tanto amaledicência social, como a oposição do pai ao casamento com Maria, casando com esta,apesar da ruptura que se instaura entre ele e o seu pai , afastando-os irreversivelmente.Já casado, e depois da viagem de núpcias, Pedro e a mulher instalam-se em Arroios,acedendo ele a todos os caprichos de Maria ( recebem , mais frequentemente do que Pedroquereria, a fina sociedade lisboeta; assiste enciumado à corte que os homens faziam à mulher).Durante este período nascem os seus dois filhos - uma menina e um menino, ao qual a mãe pôs o nome de Carlos Eduardo porque ela lera um romance de amor, que a encantara, cuja personagem assim se chamava.Pouco tempo depois do nascimento do rapaz, Maria trai Pedro e foge com o italiano,levando a menina consigo, mas deixando o menino, um bebé de meses (isto é Carlos Eduardoda Maia). Não suportando a humilhação e a perda da honra, Pedro, com o filho, regressa àcasa paterna ( em Benfica), onde é bem acolhido por seu pai, agora muito preocupado com oque pudesse acontecer.Contudo, a fraqueza de carácter da personagem, a sua incapacidade de ser racional, a suatendência para comportamentos excessivos ditados pelos sentimentos exacerbados, leva-o acometer o suicídio, ficando Carlos à guarda de seu avô, agora também com a função de pai ede educador. Por isso, Afonso decide fechar as portas do palacete de Benfica e partir para ocampo, para a quinta de Santa Olávia, onde pretende viver e educar o neto no contacto sadiocom a natureza.
O
Naturalismo
na construção da personagem de Pedro da Maia
Pedro da Maia é uma personagem construída segundo os modelos do
naturalismo
, ou seja, o seucomportamento foi determinado por três factores:- a
raça
( a carga “genética” que herdou da mãe – a sua fragilidade, o carácter temeroso);- a
educação (
foi educado segundo o modelo tradicional português, assente na memorização dacartilha e do catecismo, sem desenvolver o espírito crítico; muito protegido pela mãe, tornou-sefraco, tímido, “mole” de carácter);- o
meio
( cresceu num ambiente super-protegido, beato, sedentário, sem contacto com o mundoexterior.Assim, apesar de pertencer a um meio economicamente confortável, Pedro da Maia desenvolveuma personalidade adulta instável: ora tristonho, fechado, ora eufórico, entregando-se a uma vida boémia. Desta forma, o meio que frequenta na juventude ou é beato ou é dissoluto, degradado, oque não contribui para o desenvolvimento de uma firmeza de carácter. Em síntese, os três aspectosreferidos pelo naturalismo como determinantes ( raça, educação e meio) no sucesso ou insucesso da
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ESSA2008-2009
Os Maias
 – análise de textos
in Antologia 11º 
( chave de correcção)Profª: Fernanda R. Afonso Turma: 11º A/C/D
 
vida de alguém, conjugam-se negativamente na vida de Pedro, tornando inevitável que o seu percurso biográfico culmine numa tragédia ( traído pela mulher, Pedro suicida-se).
Maria Monforte
é igualmente concebida dentro dos pressupostos do
 
Naturalismo
. Assim:- tendo sido criada pelo pai que fora um «negreiro» e a quem ela trata com muito desdém, Mariasurge-nos como o resultado de uma
educação
deficiente que acentua a sua negativa cargahereditária (
raça)
e o
meio
em que cresceu e vive ( com poder económico mas sem valoresmorais). Assim sendo, o carácter volúvel de Maria, o desejo de ser cortejada por outros homens, para além do marido, a traão, o abandono do filho e a sua vida posterior (decadente, primeiramente dona de um bordel, depois na maior miséria e doença) são uma consequênciainevitável.
Leitura complementar (fundamental): excerto do episódio do Jantar no Hotel Central( Antologia, pp. 185-187)-
oposição clara e violenta entre Ega, defensor da «Ideia Nova», do Naturalismo ( a literatura devedissecar os males da sociedade, mostrar a «lesão», fazer «rudes análises», ascender ao estatuto deciência), e de Alencar defensor do Romantismo ( das histórias de amores impossíveis; da descriçãode heróis e heroínas ideais, belos, vivendo amores intensos e dramáticos; um estilo fantasioso, etc)que não aceita a literatura do naturalismo, esse «excremento»;- contestação, por Ega, do realismo por considerar que esta corrente ainda pouco científica que sedeixa «enredar por fantasias literárias;- contestação, por parte de Carlos e de Craft, dos excessos de Ega quanto ao conceito de Literatura.Para Carlos, é necessário um enredo pois as personagens «só se podem manifestar pela acção»;Também Craft acentua o papel fundamental do estilo na obra literária. 
…………………………………………………Questionário – soluções ( continuação) – pp. 178-179
2.
O texto organiza-se em duas partes lógicas. A primeira ( de «No Verão» até « tranquilizar Vilaça»)corresponde ao conhecimento que Afonso tem da partida de Pedro para Sintra, indo ao encontro dosMonforte, e à conversa que tem com Vilaça que o informa sobre o facto de Pedro ter reclamado a«legítima da mamã» (herança, por parte da mãe). À preocupação de Vilaça, Afonso responde comdescontracção, não valorizando aquela situação. Quanto à segunda parte ( de «Daí a dias» até «tristesramas»), esta dá conta do momento em que Afonso, na companhia de Sequeira, vê pela primeira vezMaria Monforte, salientando-se o impacto que lhe causa a beleza de Maria ( exaltada por Sequeira),mas, sobretudo, a impressão negativa que tem dela relativamente à sua influência na vida do filho.
3.
As expressões salientam o facto da personagem ter um lado oculto. Deste modo, a seriedade e pureza( «grave e pura») da sua expressão perfeita « como um mármore grego» contrastam com um olhar escurecido, nada transparente («azul sombrio»), evidenciando, com uma nota negativa, o ladoobscuro da personagem. Este aspecto é amplificado e intensificado através da «sombrinha escarlate»comparada, por Afonso, a uma «larga mancha de sangue» que «alastrando» cobre «a caleche»,indiciando simbolicamente - e de modo intenso - o perigo, a morte, o pressentimento da tragédiaque se abaterá sobre Pedro. Daí que a natureza ( aqui personificada) seja também ela objecto da percepção negativa de Afonso ( «o verde triste das ramas»), este sim entristecido ( «cabisbaixo»)temendo pelo futuro do seu filho, fatalmente associado àquela mulher que ele vislumbra comonegativa..4.1. (cf. 2 e 3)
4.2.
Maria caracteriza-se por ser:- de uma beleza excepcional, aparentando um carácter sério e uma pureza de alma, complementadas pela sua extraordinária beleza física ( «face, grave e pura como um mármore grego (…) adorável,iluminada pelos olhos de um azul sombrio»»);
2
 
- uma mulher que oculta um lado menos claro e transparente como indica o «olhar «azul» mas«sombrio» a iluminar-lhe a face;- muito elegante, vestindo-se requintadamente, de acordo com os ditames da moda (vestido, fitas dochapéu numa mesma tonalidade – o cor-de-rosa – e uma sombrinha numa tonalidade complementar mas mais intensa - «escarlate»);;- dispendiosa, gastando bastante dinheiro no que se refere à moda como provam os «cartões demodista» que ocupavam «quase todo» o «assento defronte» ;- dominadora , o que é visível na forma como o espaço da caleche é praticamente todo ocupado por ela, pela sua toilette e pelas suas compras ( Pedro quase desaparece, sob a sua sombrinha, e o papáMonforte vai «encolhido», segurando o «mantelete» da filha).
4.3.
A exuberância e elegância do vestuário de Maria contrastam com a roupa deselegante do pai(«chapéu de panamá, calça de ganga»), bem como com a sua a atitude. Este surge «encolhido»,como se ali não estivesse por direito próprio, reservando o lugar que lhe cabia aos «cartões demodista», pertença da filha. Esta tem, evidentemente, uma posição dominadora relativamente ao pai,vendo-o até como alguém inferior: os seus objectos não só ocupam a quase na totalidade do bancoonde está sentado o pai (que vai «encolhido»), como é ainda ele que leva, no braço, o «mantelete dafilha». Dá-se, pois, uma inversão de papéis sociais já que o Monforte submete-se aos caprichos dafilha, não desempenhando a função de pai de família enquanto a figura que protege e domina.4.4.A presença dominante de Maria, quase anuladora de Pedro, é visível no seguinte:- a roda do seu vestido, «toda em folhos, quase cobria os joelhos de Pedro»;- a «sombrinha escarlate» que abrigava Maria «quase o escondia, parecia envolvê-lo todo».Assim, Pedro está sempre coberto por objectos de Maria, o que simbolicamente representa o domínio delasobre ele. De facto, vê-se Maria e entrevê-se Pedro da Maia, subjugado ao poder (erótico) dela: asedução metaforizada pela saia de folhos que lhe cobre os joelhos, a intimidade conotada pela sombrinhaescarlate, sob a qual se aproximam as cabeças do casal, e, claro, a tonalidade vermelha da sombrinha asimbolizar a paixão a que Pedro se entrega.
Texto: «Então Vilaça decidiu-se» (
 Antologia,
pp. 180-181)1.
 Neste momento da acção narrativa, Vilaça, o procurador da família, desloca-se a Santa Olávia para pôr Afonso ao corrente de assuntos da família no plano económico, e receber instruções dovelho patriarca relativamente à gestão do seu património.
2.
 Neste episódio há personagens que estão em sintonia com a natureza, que sentem o prazer davida saudável no campo, nomeadamente o Carlinhos, o seu preceptor, Mister Brown e o avô.Contudo, há outras personagens que não estão em harmonia com a paz, o ambiente primaverildos campos. São elas Eusebiosinho, as Silveira, o abade, personagens que vivendo numambiente rural, preferem a clausura das casas ao ar livre que nunca saborearam. Por outro lado, ocitadino Vilaça, nada habituado à temperatura campestre, vem agasalhado e fica “arrepiado” aosentir a «frescura » do ambiente.O diálogo entre Vilaça e o Teixeira é a estratégia fundamentalmente utilizada pelo narrador para informar o leitor sobre o essencial da educação de Carlos. Assim, o comentário de Vilaça a respeito do carácter eventualmente mimado de Carlos, tem como consequência uma longa exposição, por parte de Teixeira,sobre os rigores da educação a que Carlos está sujeito.Os princípios que orientam a educação de Carlos são os seguintes:- rigor ( «Coitadinho dele, que tinha sido educado com uma vara de ferro!»);- desenvolvimento da autonomia e da superação de medos, como o do escuro ( aos «cinco anos já dormia num quarto só, sem lamparina»);- fortalecimento da vontade e treino da resistência ( « todas as manhãs, zás, para dentro de umatina de água fria, às vezes a gear lá fora»);- adopção dos «sistema inglês» na educação;- estímulo de uma vivência activa em brincadeiras de criança ( «Deixava-o correr, cair, trepar àsárvores, molhar-se, apanhar soalheiras»);- inflexibilidade e «dureza» com os horários e a alimentação («E depois o rigor com as comidas!Só a certas horas e de certas coisas»);- fortalecimento da saúde do corpo pelo exercício físico ( o remo, o trapézio, …).
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