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Fernão de Magalhães - Biografia Romanceada

Fernão de Magalhães - Biografia Romanceada

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Biografia Romanceada
Biografia Romanceada

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02/08/2014

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Em uma manhã, provavelmente do ano de 1516, um Junco vindo de Malaca chega aoporto de Ternate, na ilha de Amboína, situada no paradisíaco arquipélago do mar de Sonda.Logo é rodeado pelas canoas e jangadas do rei da ilha. O comandante desce numa delas edirige-se àterra. Traz com ele um grande trunfo para obter a simpatia de Sua Majestade.Atravessa o areal, cruza as poucas ruas onde pipocam cabanas de telhados curvos epontiagudos, construídas sobre pilares. Finalmente alcança o palácio. Não é difícil conseguiruma audiência com o monarca, é um Rei afável, governando um povo ainda sem temores eambições, pois a natureza lhes dá tudo o que precisam Têm bom clima, boas terras, boascolheitas, praticamente não utilizam dinheiro em uma economia primitiva e natural. Com algunsenfeites e bugigangas se pode obter em troca algumas centenas de quilos de cravo.
 
Sua Majestade aparece. O comandante faz uma reverência respeitosa e diz:
 
 — Que Alá proteja Vossa Majestade.
 
O rei retribui o cumprimento.
 
 — Venho de Malaca, apenas para alegrar a existência de um súdito seu que andadistante de sua família e de sua longínqua pátria.
  —
Serrão? — pergunta o Rei.
 
O comandante confirma. Sua Majestade manda chamar o Vizir. Pouco depois um homem depele clara e grande barba entra na sala. É um homem de traços duros e ao mesmo tempoamáveis, um conquistador rendido àmagia dos trópicos.
 
O comandante árabe o saúda com astúcia, sem especificar nomes de deuses.
  —
Que o Deus Todo-Poderoso o proteja senhor. Vim de Malaca lhe trazendo umacarta vinda de Portugal...
 
Os olhos de Francisco Serrão se umedecem. Trocara voluntariamente de pátria e devida, mas o prazer de saber que ali estão algumas palavras escritas em sua língua maternadespertam-lhe subitamente a saudade, reminiscências antigas, amizades passadas eindestrutíveis.
 
 —... E sabendo como se encontra distante e isolado de seus entes queridos, não quisdeixar de agradar a Deus, por estar levando alegria ao coração de um semelhante...
 
Serrão toma logo em suas mãos a carta enquanto o Rei o contempla bondosamente. Nãopode ele entender a angústia que agita este homem nascido além de Malaca, além do Ceilão,além da Arábia, além mesmo do longínquo reinado do Egito. Desse marinheiro a serviço de umRei nunca visto e que ao naufragar no Mar de Sonda enfrentou grandes aventuras até chegarna ilha de Amboína. No início pensou em construir um barco e com seus amigos navegar atéMalaca que na época já estava em poder dos portugueses. A lealdade ao seu Rei e a suapátria o deixava com esta obrigação. Mas os dias foram passando e os náufragos mais e maisadiavam sua partida e ao final das contas acabaram por ficar definitivamente na ilha. O Rei,considerando as aptidões de Serrão, o nomeou Vizir. Deu-lhe casas, terras, escravos e umaprincesa como esposa, com a qual teve três filhos. O monarca pensava ainda como um súditode um Rei tão poderoso, um comandante de um navio tão grande como era o seu, trocara suashonrarias pela vida tão pacata e despida de opulências como a que levava em Amboína.Nunca conseguiu entender este mistério.
 
 — A carta é de seu amigo Magalhães? Pergunta Sua Majestade.
 
 — Sim, é uma carta de Fernão.
 
 — Majestade, diz o comandante árabe — Já que a carta ao Vizir me trouxe a Amboína,aproveitei também para trazer alguns presentes para Sua Majestade e para seu povo.Espelhos, sedas, braceletes, sinetas...
 
O Rei logo se interessa pelo assunto e deixa Francisco Serrão entregue ao prazer daleitura. Notou no entanto que seus olhos ardiam de curiosidade e emoção. Encolheu osombros, deu um sorriso paternal e começou a admirar maravilhado a campainha dourada que ocomandante árabe tirara do bolso.
 
 
A Amizade de dois Conquistadores 
Serrão sofre de uma súbita nostalgia ao pensar no amigo Fernão de Magalhães.Lembra-se deste homem duro, inflexível, reservado, de gestos e decisões certeiras, agindosempre sem alardes e de maneiras comedidas. Fidalgo menor, mas com direito a brasão e àfreqüência do Paço Imperial, foi ele um dos quinhentos homens que em 25 de março de 1505, juraram fidelidade àfé de Cristo e ao Rei de Portugal antes de embarcarem na esquadra comque D. Francisco de Albuquerque iria conquistar o império do oriente, o fabuloso mercado desedas, pedrarias e especiarias. Nesta época Fernão de Magalhães tinha 24 anos. Embarcoucomo um soldado anônimo, que manejava a espada, recolhia as velas em caso de tufão,levantava fortificações e carregava nas costas as preciosas mercadorias. Foi ainda umanônimo vencedor da Batalha Naval de Cananor, que deu aos portugueses uma das chaves detodo o comércio no Oriente, interrompendo assim as longas caravanas de especiarias, que iamatravés do Egito, rumo a Veneza. O sultão do Egito chegou a ameaçar o Papa com adestruição do Santo Sepulcro, mas o centro da Europa deslocara-se irremediavelmente paraLisboa. As especiarias, ansiadas e indispensáveis, contornam agora o Cabo da Boa Esperançasob a bandeira de D. Manuel, para serem descarregadas nos cais do Tejo. Faltava aindaporém àcoroa lusitana uma pérola preciosa para lhe dar maior brilho e poder: Malaca, a cidadeestratégica por onde era obrigatória a passagem de todos os cargueiros de especiarias.Em 1509, uma pequena frota parte de Lisboa e chega àÍndia, o comandante era LopesSequeira, o objetivo era Malaca. Em um dos quatro navios estão dois amigos: Francisco Serrãoe Fernão de Magalhães, que estava em Lisboa desde 1507 se recuperando dos ferimentosrecebidos na Batalha de Cananor. Em 19 de agosto partem de Cochim e a 11 de setembroaproximam-se de Malaca, que admiram maravilhados. Estão chegando a um enorme porto,com centenas de velas de todas as procedências, falando palavras de centenas de línguasestranhas e incompreensíveis, cargueiros com especiarias das Molucas, juncos com porcelanachinesa, paraús com rubis e marfim do Ceilão, pimenta de Malabar, escravos de Bornéo,caxemira de Bengala, além de centenas de comandantes de pele amarela, bronzeada ouescura que pagavam tributo ao sultão de Malaca para atravessarem o estreito que recebera onome da fabulosa cidade.Os portugueses ficam maravilhados, mas o sultão de Malaca sente a ameaça que seaproxima. Ele sabe das lendas e notícias que correm acerca desses homens pálidos vindos doOcidente com uma sanguinária sede de conquista e poderio. Ele usa a tática de agircautelosamente, para poder matar a serpente ainda dentro do ovo.O sultão dispensa aos portugueses a mais hospitaleira das acolhidas, oferece a LopesSequeira quanta pimenta e cravo seus navios puderem carregar e deixa que seus marinheirosvagueiem pela cidade, visitando as exóticas casas de chá, se extasiando nos prazeres do ópioe das mulheres, entre sedas, leitos de marfim e sândalo do Timor.Após alguns dias o sultão manda que os quatro navios se aproximem da praia parareceberem a carga preciosa. O comandante Lopes Sequeira fica a bordo enquanto os barcosmalaios cercam os quatro navios. Os indígenas trepam pelas enxárcias sob o pretexto deauxiliarem no embarque das mercadorias e a cada instante seu número aumenta. Garcia deSousa, comandante de uma das quatro caravelas começa a ficar desconfiado e impaciente.Tantos barcos, tantos indígenas subindo a bordo, não estarão apenas aguardando um sinalpara se lançarem ao ataque? Garcia de Sousa manda um homem de confiança ao navio-almirante, um homem de confiança e decidido, incapaz de acovardar-se diante de umasituação adversa e ameaçadora: Fernão de Magalhães. Este rema velozmente em direção aonavio-almirante , sobe ao tombadilho e vai ao camarote do comandante que está calmamente jogando uma partida de xadrez sob os olhares interessados de um grupo de malaios esussurra-lhe algumas palavras, já com as mãos no cabo da espada. Neste momento, umacoluna de fumaça se ergue do palácio do sultão. Era o sinal. Lopes Sequeira salta e afasta osmalaios com algumas estocadas, ordenando em seguida a levantada das âncoras.Os portugueses que estavam em terra logo estão cercados por uma horda ameaçadorade indígenas, um a um vão caindo sob os golpes, correm para a praia, mas lá já os esperavaoutro grupo, estão totalmente cercados. Ficam costas com costas e retalham a primeira fileirade atacantes, mas para cada malaio tombado surgem dez em seu lugar. Subitamente ouvem oprimeiro tiro de canhão. Lopes Sequeira afundava os paraús que cercavam as caravelas. Umadébil esperança levanta-lhes o ânimo, os companheiros não haviam sido surpreendidos a

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