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A Direita Sai de Casa Pela Porta Da Esquerda

A Direita Sai de Casa Pela Porta Da Esquerda

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Published by: Thiago Wender Ferreira on Jul 17, 2013
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07/17/2013

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A DIREITA SAI DE CASA PELA PORTA DA ESQUERDA
1
.Introdução
Esse trabalho busca estabelecer uma visão de classe das manifestações desencadeadas após as elevações detarifas de transportes e da conjuntura que delas reéticsultou. Embora considere principalmente a experiênciade São Paulo, corresponde linha geral ao que o noticiário também sobre outras partes do Brasil. Na Mídia em geral, e mesmo em manifestações da esquerda, vemos referências indiscriminadas a povo, jovens, pessoas, trabalhadores. Mas que “povo” é esse? Quais as determinações de classe desses “jovens” edessas “pessoas”? De que “trabalhadores” estamos falando?
2
 
A Base da Pirâmide e a Classe Média.
Partamos de alguns pontos sobre a situação da classe média e dos trabalhadores da base da pirâmide, com orespaldo da análise de SINGER (2012) sobre o lulismo
3
. Referida análise, no que aqui interessa, aponta queas diversas políticas econômicas e sociais do governo Lula geraram um realinhamento eleitoral que consiste,em termos os mais resumidos possíveis, em que a população de mais baixa renda
4
– ali chamada desubproletariado – a partir de 2005/2006 se incorpora no apoio a Lula. Essa faixa do proletariado teriainteresse na mudança, mas, contraditoriamente, rejeitaria o conflito. Quer a mudança dentro da ordem.Ao mesmo tempo, também no período 2005/2006, a classe média consuma sua passagem à oposição,fundamentalmente através do apoio ao PSDB, mas também, uma pequena parte, à oposição de esquerda.POCHMANN aponta que os empregos gerados na década de 2000 ficaram concentrados na base da pirâmide social - com renda até 1,5 salários mínimos
5
. E que na faixa de renda acima de 3 sm chegou ahaver importante redução das vagas:
“Na década de 1990, estabeleceu-se no Brasil um novo padrão de trabalho,composto por um menor ritmo de geração de postos de trabalhos e um perfil
1
A definição de esquerda e direita é sempre assunto merecedor de exames aprofundados. Dadas as condições deste trabalho – limite de espaço, de tempo, e ofato de estar redigindo “no meio da floresta” -, optamos por seguir a lição de BOBBIO e valer-nos da adesão à busca da realização da igualdade como parâmetrodefinidor da diferença entre esquerda e direita, aquela com sinal positivo, esta com sinal negativo.
2
 
Nota da CNBB
fala: "declaramos nossa solidariedade e apoio às manifestações, desde que pacíficas, que
têm levado às ruas gente de todas as idades,sobretudo os jovens
. Trata-se de um fenômeno que
envolve o povo brasileiro
e o desperta para uma nova consciência";
Nota do PCB
: Por todo o país, centenasde
milhares de pessoas, em sua maioria jovens
, vêm ocupando as ruas...”;
Nota da Refundação Comunista
: “Todavia,
a juventude, os trabalhadores e todo o povo brasileiro se mostram indignados e demonstram extraordinária capacidade combativa
.”;
Carta Aberta dos Movimentos Sociais
: “As recentesmobilizações são
 protagonizadas por um amplo leque da juventude
que participa pela primeira vez de mobilizações”.
3
O trabalho de SINGER está voltado primordialmente para análise do comportamento eleitoral. Desse modo, valer-nos dele para análise de manifestações demassas em situações não eleitorais pode, evidentemente, ser inadequado. Julgamos, porém, que seu aporte sobre o conhecimento e posicionamentos dosubproletariado e da classe média ajudam a entender como participam (ou não) do atual processo.
4
Até 5 sm. de renda familiar, grosso modo, SINGER (2012, P. 42)
5
Uma dificuldade para o trabalho com dados de SINGER e POCHMANN reside no fato de aquele valer-se de renda familiar, e este de renda individual. Partindode uma abordagem que considere a renda familiar constituída, em princípio, pela contribuição de dois trabalhadores, teríamos de
 
de remuneração distinto. Isso porque foram abertos somente 11 milhões denovos postos de trabalho, dos quais 53,6% não previam remuneração. Na faixa de renda de até 1,5 salário mínimo, houve a redução líquida de quase300 mil postos de trabalho, e esse segundo padrão de emprego diferenciou-sesignificativamente daquele verificado entre os anos 1970 e 1980.Por fim, a década de 2000 apresentou uma alteração importante no padrão detrabalho da mão de obra brasileira, marcada por forte dinamismo nasocupações geradas e no perfil remuneratório. Do total líquido de 21 milhõesde postos de trabalho criados na primeira década do século XXI, 94,8% foramcom rendimento de até 1,5 salário mínimo mensal. Nas ocupações semremuneração, houve a redução líquida de 1,1 milhão de postos de trabalho,enquanto na faixa de cinco salários mínimos mensais a queda total atingiu 4,3milhões de ocupações. Em síntese, ocorreu o avanço das ocupações na baseda pirâmide social brasileira. (Ver Figura 2.2.)
Esse privilégio da atenção aos trabalhadores da base da pirâmide fica evidente das tabelas a seguir, extraídasde POCHMANN (2012)
 
 
SINGER aponta, daí, uma “polarização entre ricos e pobres”. Lembra JESSÉ SOUZA, para quem
“A classe média brasileira, por comparação com suas similares europeias, por exemplo, teria o singular privilégio de poder poupar o tempo dasrepetitivas e cansativas tarefas domésticas, que pode ser reinvestido emtrabalho produtivo e reconhecido fora de casa”
.
 E conclui, ele próprio,
“Daí a resistência da classe média ao programa do lulismo de erradicação damiséria, produzindo-se reação muito distante da indiferença política. Olulismo mexe com um conflito nuclear no Brasil, aquele que opõe “incluídos”e “excluídos”.
Essa classe média, vê-se, não obteve ganhos, e teve perdas econômicas.Se piora mais grave não houve na situação dessa classe média, foi ela muito mais perceptível dada sua posição relativa, na medida em que viu os mais ricos passarem a ganhar ainda mais, decolarem e seafastarem, de modo que os de cima se perderam nas alturas, ao mesmo tempo em que os de baixo, os da baseda pirâmide ou de baixíssima renda, tiveram uma certa ascensão, aproximando-se de seus calcanhares. Essaqueda relativa da baixa classe média foi o elemento material que a conduziu a, somada à questão ideológica
6
SOUZA, Jessé. Os batalhadores brasileiros, p. 23, apud SINGER 2012
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Anote-se, para o exame da atual insurreição da classe média, uma medida mais de interesse da base da pirâmide, a extensão às empregadas domésticas dosdireitos trabalhistas reconhecidos aos demais trabalhadores.

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