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Erros Inatos Do Metabolismo

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Revista Paraense de Medicina V.20 (2) abril - junho 200641
ERROS INATOS DO METABOLISMO: REVISÃO DE LITERATURA
1
INBORN ERRORS OF METABOLISM: LITERATURE REVIEWAntonette Souto EL HUSNY
2
e Milena Coelho FERNANDES-CALDATO
3
RESUMO
Objetivo:
estudo de revisão sobre Erros Inatos do Metabolismo (EIM).
 Método:
realizado por levantamento dedados nas bases MEDLINE e LILACS.
Conclusões:
compreendem alterações enzimáticas de origem genéticaresponsáveis por manifestações metabólicas em que há falha de síntese, degradação, armazenamento outransporte de moléculas no organismo. Os Erros Inatos do Metabolismo são clássicos distúrbios genéticos,tornando-se importante conhecê-los para um bom aconselhamento familiar que inclua, principalmente, o prognóstico do paciente e o risco de recorrência da doença.
DESCRITORES:
erros inatos do metabolismo, doenças metabólicas hereditárias.
INTRODUÇÃO
Os erros inatos do metabolismo (EIM) sãodistúrbios de natureza genética que geralmentecorrespondem a um defeito enzimático capaz deacarretar a interrupção de uma via metabólica.
1,2,3,4
Ocasionam, portanto, alguma falha de síntese,degradação, armazenamento ou transporte de moléculasno organismo.Tais erros do metabolismo são considerados acausa das Doenças Metabólicas Hereditárias (DMH)em que a ausência de um produto esperado, acúmulode substrato da etapa anterior a interrompida ou osurgimento de uma rota metabólica alternativa podemlevar ao comprometimento dos processos celulares.
1,3
Esse grupo de doenças representa cerca de 10%de todas as doenças genéticas.
1,3
E ainda hoje, são tidospor muitos profissionais como casos extremamente rarosde se deparar durante a prática clínica sendo, muitasvezes, a última hipótese diagnóstica.
5,6,7
Em grande parte, são doenças que afetam todo oorganismo e podem se manifestar em qualquer faixaetária, fazendo com que médicos de diferentesespecialidades devam atentar aos sinais e sintomas deum erro metabólico em qualquer paciente que,porventura, possa ser encaminhado aos seus cuidados.
1,5
A incidência isolada de cada uma das doençasmetabólicas é pequena, até porque tratam-se de doençasque, em geral, têm herança autossômica recessiva. Noentanto, se forem contabilizados os dados dos cerca de
1
Trabalho realizado pelo Departamento de Patologia da Universidade do Estado do Pará
2
Graduanda do Curso de Medicina da Universidade do Estado do Pará. Monitora da disciplina de Genética.
3
Médica endocrinologista. Doutora em Medicina. Professora
 
de Genética da Universidade do Estado do Pará.
500 distúrbios conhecidos,
1,3,8
a freqüência se torna maisexpressiva, de aproximadamente 1/5000 nascidosvivos.
3,5,6
 
Deve ser considerado que os números baixospodem representar, não só a raridade dos distúrbios,como, também, a subestimação de seu diagnóstico.No Brasil, estima-se a prevalência isolada dealgumas doenças, como da fenilcetonúria, variandoentre 1:12000 e 1:15000, da Doença da Urina deXarope de Bordo com prevalência de 1:43000 e daDeficiência de Biotinidase com 1:125000 recémnascidos vivos.
5,9,10
HISTÓRIA
Os estudos sobre os EIM iniciaram-se na primeiradécada do século XX quando Archibald Garroddescreveu a alcaptonúria. Em seu clássico artigo eramdestacados os aspectos genéticos da doença que foi umadas primeiras alterações para a qual a herançamendeliana recessiva foi proposta. Ao tratar da“individualidade química, estava dando início à genéticabioquímica.
3,11
A Garrod deve-se o termo consagrado “ErrosInatos do Metabolismo-, título de seu livro, publicadoem 1909, no qual descrevia além da alcaptonúria, outrasdoenças metabólicas como o albinismo, porfiria epentosúria.
3
É válido ressaltar que a relação entre os aspectosbioquímicos e genéticos puderam ser melhoresclarecidos apenas em 1941, quando Beadle et al.
ATUALIZAÇÃO/REVISÃO
Recebido em 23.01.2006 - Aprovado em 17.05.2006
 
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propuseram a hipótese “um gene - uma enzima”,considerando que todos os processos bioquímicos doorganismo ocorrem sob controle gênico e, portanto,mutações gênicas levariam a rotas bioquímicasdeficientes.
3
Desde a segunda edição do livro Erros Inatos doMetabolismo, em 1923, quando se incluíam no grupoapenas seis doenças metabólicas hereditárias, até o anode 1950, o avanço no conhecimento sobre estesdistúrbios foi lento. A situação se transformou a partirdessa década com o desenvolvimento de novas técnicaslaboratoriais, como a cromatografia e eletroforese deproteínas. Além disso, a tecnologia do DNA possibilitoua detecção das causas moleculares dos erros inatos.
2
Nos dias atuais, admite-se a existência de maisde 500 doenças metabólicas hereditárias, às quais se juntam novas descobertas, progressivamente.
CLASSIFICAÇÃO
Tratando-se de alterações metabólicas bastantedistintas, os Erros Inatos do Metabolismo possuemdiversas classificações. No entanto, é convenientedescrever aquela estabelecida por Saudubray eCharpentier (1995)
1
por se apresentar mais didática ede maior aplicação clínica.De acordo com essa classificação, os EIMdividem-se em duas categorias: a
Categoria 1,
englobaas alterações que afetam um único sistema orgânico ouapenas um órgão, como o sistema imunológico e osfatores de coagulação ou túbulos renais e eritrócitos; a
Categoria 2,
abrange um grupo de doenças cujo defeitobioquímico compromete uma via metabólica comum adiversos órgãos, como as doenças lisossomais, ou restritoa um órgão apenas, porém com manifestações humoraise sistêmicas, como a hiperamonemia nos defeitos dociclo da uréia.Dessa forma, as doenças da Categoria 2apresentam enorme diversidade clínica e acarretamgrande dificuldade diagnóstica, diferenciando-se, ainda,neste aspecto das doenças da Categoria 1 nas quais ossintomas são uniformes e, portanto, o diagnóstico éfacilitado.Respeitando a grande variabilidade de alteraçõesda Categoria 2, as doenças metabólicas hereditárias quea compõem são divididas em três diferentes gruposconforme suas características fisiopatológicas e fenótipoclínico:
3,5,6,12
Grupo I
: Distúrbios de síntese ou catabolismo demoléculas complexas;
Grupo II
: Erros inatos do metabolismointermediário que culminam em intoxicaçãoaguda ou crônica;
Grupo III
: Deficiência na produção ou utilizaçãode energia.Entre os distúrbios de síntese ou catabolismo demoléculas complexas estão as doenças lisossomiais, quesão as mucopolissacaridoses e as esfingolipidoses, assimcomo as doenças peroxissomiais.
5,6
Os distúrbios do grupo I
 
apresentam sintomaspermanentes que tendem a acentuar com o passar dotempo, como facies grosseira, dismorfias,visceromegalias, neurodegeneração, entre outros,respeitando a localização do acúmulo.
2,5,6
As doenças metabólicas enquadradas no grupo IIcompreendem as aminoacidopatias, os defeitos dosácidos orgânicos e do ciclo da uréia e as intolerânciasaos açúcares. Caracterizam-se por apresentaremintervalos livres de sintomas e relação evidente com oaporte alimentar. As manifestações levam, de maneirageral, à intoxicação aguda e recorrente ou crônica eprogressiva.
3,6,2
O grupo III inclui doenças cuja clínica édecorrente de alterações de produção e consumoenergéticos. Em sua maioria, são provenientes dedistúrbios do fígado, miocárdio, músculo e cérebro.Manifestam-se, comumente, através de hipoglicemia,hipotonia generalizada, miopatia, insuficiência cardíaca,retardo de crescimento e até morte súbita, entre outrossintomas. Exemplos desse grupo são as glicogenoses,hiperlacticemias congênitas, doenças mitocondriais dacadeia respiratória e defeitos na oxidação de ácidosgraxos.
3,5,6
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
As crianças portadoras de muitos EIM, comoaqueles de manifestação aguda, parecem perfeitamentenormais ao nascimento. Em geral, os sintomas aparecemquando há alteração, por fatores exógenos, do equilíbriobioquímico mantido até o momento pela criança.
7,13
O diagnóstico clínico correto das DMH édificultado pelo enorme número de doenças de grandecomplexidade, pela variedade de sintomas clínicos, alémde serem consideradas, extremamente, raras pelamaioria dos profissionais.
3,5,6,7,3
Soma-se a tais dificuldades, uma apresentaçãoclínica bastante inespecífica, incluindo letargia, recusaalimentar, icterícia, vômitos, diarréia, visceromegalia,retardo de crescimento, convulsões e coma. Sintomasque sugerem causas bem mais freqüentes, a exemplodas infecciosas, as quais dificultam ainda mais odiagnóstico quando associadas.
3,5,6,7
Entretanto, existem alguns critérios e sinais quesem outra causa definida levam a pensar em umaDoença Metabólica Hereditária, quais sejam:
7,8
 
Revista Paraense de Medicina V.20 (2) abril - junho 200643
Hipotonia, hipoglicemia, irritabilidade, acidose,distúrbio hidroeletrolítico, entre outros já citados;
Crianças que, em associação aos citados acima,apresentem odores peculiares ou dismorfias;
Perda de habilidades adquiridas anteriormente;
História de recorrência familiar ou consangüinidadeentre os pais.A clínica que alia a história da doença e um bomexame físico contribui, imensamente, para umdiagnóstico preciso através da identificação de sinaiscaracterísticos de cada grupo de erros inatos dometabolismo. É capaz de conduzir para a realização deexames laboratoriais confirmatórios mais adequados,para a terapêutica precoce, quando esta já se encontradesenvolvida, assim como para o importanteaconselhamento genético.
2,3,5,8
Embora grande parte das DMH se apresentemlogo nos primeiros dias de vida, não se podedesconsiderar as doenças do metabolismo que semanifestam na idade adulta, seja pelos sinais que passamdespercebidos durante a infância ou mesmo pelo cursonatural da doença.
3,5,6
A intolerância à frutose detectada no adultorepresenta um bom exemplo. Foi descrita em pacienteque desenvolveu aversão a doces durante a infância e,sem diagnóstico, permaneceu sem sintomas por longoperíodo, até a infusão de uma solução contendo frutosena ocasião de uma cirurgia, quando evoluiu com gravecrise metabólica.
4
Entre as DMH de manifestação em adultos estãoas doenças cujo diagnóstico é realizado na infância e,desde que acompanhado de tratamento adequado, ospacientes atingem a idade adulta apenas com algumascomplicações.
3
A fenilcetonúria, por exemplo, tratada com dietapobre em fenilalanina é importante mesmo na vida adultano que se refere aos benefícios sobre as funçõesneuropsicológicas do paciente
3
e, também, à saúde fetaldurante a gravidez de mulheres comhiperfenilalaninemia
5
. A manutenção da dieta pela mãediminui a incidência no feto de retardo mental,microcefalia, defeitos congênitos do coração e retardode crescimento intra-uterino.
16
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
Diagnosticar, rapidamente, é essencial paraimpedir o agravamento e a irreversibilidade dossintomas, podendo representar a vida do paciente emalguns casos.
7,6
Nesse contexto, vale destacar o papelfundamental da triagem neonatal que possibilitou grandeavanço no conhecimento e tratamento de DHM a partirde sua detecção em fase pré-clínica, prevenindo o danoneurológico ou mesmo a morte que essas patologiaspodem ocasionar.
9,7
A análise clínica abrangente encaminhará aosexames laboratoriais adequados que podem começarcom simples testes de urina. Esses testes não sãosuficientes para o diagnóstico, porém, direcionam asuspeita para determinados tipos de EIM e devem seracompanhados de análises sangüíneas que incluamhemograma, gasometria venosa, sódio, potássio, cloro,lactato, glicemia em jejum, amônia, transaminaseshepáticas, colesterol, triglicerídeos, piruvato, cálcio,fósforo, uréia, creatinina e ácido úrico.
3,5,8
A cromatografia de açúcares e de aminoácidosna urina e no sangue faz parte dos testes iniciais. Asimples observação da amostra e a percepção de odorespeculiares podem auxiliar muito.
5,8
A partir dos testes já citados e da suspeita clínica,pode-se chegar bem próximo do diagnóstico correto.No entanto, só será definitivo após a determinação daatividade enzimática ou a identificação do defeitomolecular que são exames bem mais especializados enem sempre disponíveis.
3,5,8
Portanto, juntar dados clínicos com o resultadode testes indiretos, como a dosagem sangüínea desubstância acumulada, identificação de metabólitos naurina e visualização de estruturas anormais em materiaisde biópsia é uma saída para o início de um tratamentoeficaz.
3
Ainda nos casos de evolução dramática, éimportante coletar material de análise antes do óbitopara fins diagnósticos e para o posterior aconselhamentogenético da família.
8
TRATAMENTO
A terapêutica adequada das DMH depende muitodo erro inato do metabolismo responsável pela doençae da substância acumulada que está levando aodesequilíbrio bioquímico.
5,18
Os procedimentos de emergência incluem acoleta de material para análise laboratorial como jádescrito; o tratamento do desequilíbrio metabólico aexemplo da desidratação, acidose, hipoglicemia edistúrbio eletrolítico; a remoção de metabólitos tóxicosseja por transfusão sangüínea ou estimulando aexcreção; a suspensão da ingesta de proteínas ecarboidratos por cerca de 24 horas, mantendo nutriçãoparenteral, e, quando possível, a suplementação comco-fatores que podem aumentar a atividade da enzimaresidual.
5,7

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