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separação de poderes e formas de Governo

separação de poderes e formas de Governo

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2. A separação horizontal dos poderes: as formas de governo
Esta temática da forma de governo está intimamente associada ao princípio da separação de poderes, mais concretamente à separação horizontal dos poderes,a qual, pressupondo uma separação simultaneamente funcional e orgânica do poder (distinguem-se várias funções, as quais são atribuídas a distintos órgãos),preconiza um arranjo balanceado ou equilibrado dos poderes como forma de evitar a excessiva concentração de poder num único órgão.
2.1. Conceito
 Por forma ou sistema de governo deve entender-se o modo como, no âmbito de um determinado Estado, se relacionam entre si os órgãos que exercem opoder político.Para a caracterização da forma de governo existente num determinado Estado é necessário ter em consideração os seguintes elementos:
i.
Quais os órgãos que exercem o poder político (em regra, o chefe de Estado, o parlamento e o governo);
ii.
Como está distribuído o poder político entre esses órgãos;
iii.
Qual o modo como eles se relacionam reciprocamente
2.2. Tipologia das formas de governo
 As formas de governo tradicionais são a
parlamentar (
v.g
., Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália) e a
presidencial
(
v.g
., EUA, Brasil). A primeira caracteriza-sepor uma separação flexível dos poderes e a segunda por uma separação rígida dos poderes.Para além destas formas puras (
Pura por oposição às formas de governo mistas ou híbridas. Na verdade, dentro da categoria das formas de governoparlamentares e presidenciais é possível encontrar vários modelos.)
, verifica-se actualmente o surgimento de
formas de governo mistas ou híbridas
, maisconcretamente, do
modelo misto parlamentar-presidencial
(
v.g
., França, Portugal, Finlândia).Finalmente, com uma utilização confinada à Suíça, temos a forma de governo directorial, um sucedâneo do governo de assembleia típico da épocarevolucionária francesa.
2.2.1. Forma de governo parlamentar
 O
parlamentarismo inglês
costuma ser visto como o paradigma das formas de governo parlamentares. Foi em Inglaterra que ao longo de vários séculos seforam esculpindo os contornos desta forma de governo, à medida que o parlamento inglês ia limitando e, a partir de determinado momento, esvaziando ospoderes do monarca. O parlamentarismo inglês é, pois, um
parlamentarismo monista
e não dualista, na medida em que nele não existe já um equilíbrio depoderes entre o monarca e o parlamento como existira num tempo mais recuado do parlamentarismo.
2.2.1.1. Considerações genéricas sobre a forma de governo parlamentar
A forma de governo parlamentar caracteriza-se por uma
separação de poderes flexível
 
pouco rígida
, havendo uma interdependência razoável entre osvários órgãos que exercem o poder político, em particular entre o parlamento e o governo.De um ponto de vista puramente teórico, o
poder político está nas mãos de três órgãos
: o chefe de Estado, o parlamento e o governo. Na prática, quasesempre o chefe de Estado (seja ele um monarca ou presidente da República) é um órgão neutro, não detendo praticamente poder político efectivo.Existem várias concretizações desta forma de governo; o sistema político inglês não é exactamente igual ao alemão, ao italiano, etc.. Basta pensar que no ReinoUnido o chefe de Estado é um monarca, enquanto que, na Alemanha e na Itália o chefe de Estado é um Presidente da República.A simples existência de um parlamento, ainda que com poderes substanciais, não é
 per se
suficiente para caracterizar a forma de governo parlamentar. Bastaatentar nos amplos e importantes poderes do Congresso (parlamento federal) norte-americano.
2.2.1.2. Características típicas da forma de governo parlamentar
 
Característica essencial
a responsabilidade política do governo perante o parlamento (o governo tem que prestar contas da sua actuação política aoparlamento). O parlamento dispõe de alguns instrumentos jurídico-políticos para levar a cabo o controlo sobre a actuação do governo. O mais eficaz com queconta o parlamento para tornar efectiva a responsabilidade do governo é a moção de censura, que pode ser apresentada pelos parlamentares. Se for aprovadano parlamento, o governo é destituído. Existem outras formas de apurar a responsabilidade política do governo, embora não tenham, à partida, o mesmoefeito devastador da moção de censura, pois não têm como objectivo imediato a queda do governo. São eles as comissões de inquérito, as interpelações, asperguntas orais ou escritas ao governo, etc.. Ver as diferenças entre moção de censura, moção de confiança e moção de censura construtiva
Existência de um executivo dualista ou bicéfalo
: o poder executivo encontrasse dividido e é exercido pelo chefe de Estado e pelo governo, formado esteúltimo por ministros e chefiado por um chefe de governo (Primeiro-Ministro, chanceler, etc.)Actualmente,
este dualismo é meramente aparente
. Pelo menos no regime parlamentar clássico ou puro, o que temos é, na prática, um quase monismo doexecutivo. Com efeito, cada vez mais o chefe de Estado tem um papel meramente simbólico. Ele promulga leis, ratifica tratados, nomeia o primeiro-ministro eos outros ministros, dissolve o parlamento mas a verdade é que, em regra, se limita a praticar um acto puramente formal.Nas formas de governo parlamentar o
chefe de Estado pode ser um monarca
(Inglaterra, Espanha) ou um
presidente da República
(Alemanha, Itália). Nesteúltimo caso, ele não costuma possuir legitimidade popular; regra geral, é eleito indirectamente, pelo parlamento ou por um órgão
ad hoc
composto pormembros do parlamento e outras entidades (trata-se de uma eleição orgânica).
• A
função de orientação e decisão política
está distribuída fundamentalmente entre o parlamento e o governo e ambos colaboram na execução dessaorientação política.
Referenda ministerial:
através deste instrumento, o governo coresponsabiliza-se por alguns dos actos do chefe de Estado.
Existência de um governo enquanto órgão colegial
, autónomo e solidário.
• O
governo é constituído pelo líder do partido que saiu vencedor
das eleições e pelos ministros que este escolhe; em caso de coligação, será igualmentecomposto por membros dos partidos coligados.
• O
governo tem uma estrutura piramidal
, com um chefe no seu topo (no qual se concentra o grosso do poder governamental).
Em regra,
não existe incompatibilidade entre o mandato parlamentar e as funções ministeriais
: os membros do governo podem ser simultaneamenteparlamentares; diga-se que, em alguns países (Inglaterra e Irlanda), certas pastas ministeriais têm que ser ocupadas por membros do parlamento.
• O
governo pode ser dissolver o parlamento
; o acto formal de dissolução cabe ao chefe de Estado mas é o governo quem decide.Todas as características acabadas de enumerar são típicas dos regimes parlamentares, mas
não é necessário que se verifiquem cumulativamente
para que sepossa classificar a forma de governo existente num determinado Estado como parlamentar. Na realidade, tirando a responsabilidade política do governoperante o parlamento, as outras características não são essenciais, no sentido de que, se uma ou mais delas não se verificarem, nem por isso se deverá afirmarliminarmente que não se está perante uma forma de governo parlamentar.
2.2.2. Forma de governo presidencial
 Os
Estados Unidos da América
são habitualmente referenciados como o paradigma da forma de governo presidencial. Pela simples razão de que esta particularforma de governo foi idealizada e pela primeira vez posta em prática neste país pelos
Founding Fathers
(Pais Fundadores da Constituição federal norte-americana de 1787).Ao contrário da forma de governo parlamentar que, como se viu, se foi sedimentando aos poucos, a
forma de governo presidencial foi artificialmente criada
,resultando do labor e espírito criativo dos
Founding Fathers
. A forma de governo presidencial constitui, deste modo, um dos principais contributos doconstitucionalismo norte-americano, a par, entre outros, com a
 judicial review 
e a forma de Estado federal.
2.2.2.1. Considerações genéricas
 Preconiza uma
separação de poderes bastante rígida:
os órgãos que exercem o poder político são perfeitamente autónomos entre si e cada um deles exerce,praticamente em exclusividade, uma determinada função.O
poder político está repartido entre dois órgãos:
o presidente (que detém o poder executivo) e o parlamento (que detém o poder legislativo).Nesta forma de governo, e portanto, desde logo,
nos EUA, não existe um governo
, enquanto órgão colegial, autónomo e solidário. O presidente é ajudado poruma série de colaboradores
os Secretários de Estado
, mas eles são meros colaboradores e executantes das decisões do presidente. A figura do Conselhode Ministros em que as questões são discutidas e decididas em conjunto não existe. Por vezes, o presidente nomeia também Conselheiros Especiais paracolaborarem em áreas específicas (
v.g
., segurança, relações externas).
 
2.2.2.2. Características típicas da forma de governo presidencial
O
presidente é simultaneamente chefe de Estado e chefe de governo;
ele possui a plenitude do poder executivo, exercendo as funções que são típicasdaqueles dois cargos.
• O
presidente é legitimado democraticamente
. A legitimidade democrática do presidente confere-lhe uma autoridade pelo menos tão importante como a doparlamento
ambos emanam da vontade popular.
• O
presidente não é uma figura meramente simbólica
. Ele é um órgão que exerce de forma activa e efectiva o poder político, possuindo funções reais econsideráveis. Por exemplo, nos EUA
é ele que conduz a política interna e externa do seu país
(é ele que gere o orçamento federal, nomeia embaixadores,participa nas negociações internacionais, é o comandante supremo das forças armadas, cabendo-lhe decidir as intervenções armadas em que o seu país se vaienvolver, etc.
• O
presidente e o parlamento são independentes um do outro de forma bastante rigorosa
. Existe uma separação quase total entre eles, não sendo nenhumdeles politicamente responsável perante o outro. Isto significa que nem o parlamento pode afastar o presidente através de um voto de desconfiança, nem,inversamente, o presidente pode dissolver o parlamento. Eles estão condenados a viver juntos para sempre. Parafraseando Maurice Duverger, trata-se de umcasamento sem divórcio.
Mas a separação não é total
, havendo mecanismos através dos quais presidente e parlamento procuram influenciar a actuação do outro:
a)
O
presidente pode exercer o direito de veto sobre as leis parlamentares
(podendo, em regra, esse veto ser ultrapassado por uma maioria parlamentarqualificada), pode
dirigir mensagens ao parlamento
(nos EUA, este instrumento, inicialmente bastante inócuo, é hoje uma forma importante de o presidentetentar influenciar a actuação do Congresso, sendo a mensagem sobre o estado da Nação
proferido no início de cada sessão anual do Congresso
se tornouum verdadeiro programa de elaboração legislativa, que prevê e sugere uma série de iniciativas legislativas nos mais variados domínios.
b)
O
parlamento tem à sua disposição comissões de inquérito
, a ratificação dos tratados internacionais negociados pelo presidente e a confirmação dos altoscargos da Administração.
2.2.2.3. O
impeachment 
e o ‘presidencialismo’ latino
-americano
Ainda a propósito desta especial forma de governo, há que fazer alusão a dois fenómenos com ela habitualmente relacionados: o
impeachment 
e opresidencialismo, enquanto deturpação da forma de governo presidencial.a)
O
mpeachment 
 
O
impeachment 
é um mecanismo jurídico-penal (e não puramente político), que poderá ser utilizado quando o presidente incorra na prática de certo tipo decrimes.Têm-se verificado em alguns dos países que adoptaram a forma de governo presidencial um aproveitamento político (para fins políticos) da figura do
impeachment 
, que é um mecanismo de destituição presidencial.Descrevendo de forma bastante sumária o modo de funcionamento deste mecanismo de responsabilidade nos EUA, temos que a proposta de destituição éapresentada e votada na Câmara dos Representantes, bastando uma maioria simples. O julgamento de destituição cabe ao Senado, embora, para este efeito,ele seja presidido pelo presidente do
Supreme Court 
(Supremo Tribunal de Justiça). Quando aos fundamentos para a destituição, eles são a traição à Pátria, osuborno e outros crimes graves contra a Constituição.
b)
O
‘presidencialismo’ latino
-americano
 Como foi já referido, as várias formas de governo, quer as puras quer as mistas, apresentam distintos figurinos no âmbito de cada uma delas. Assim sendo, énatural que a forma de governo presidencial adoptada em alguns países da América Latina (
v.g
., Brasil, Venezuela, Argentina) se afaste da matriz norte-americana.O problema surge quando esse afastamento consubstancia uma verdadeira deturpação do arranjo de poderes típico desta forma de governo. O que temsucedido em alguns países da América Latina é que o modelo presidencial é totalmente descaracterizado, em regra por obra do chefe de Estado em funções,que, numa tentativa de concentrar em si o grosso do poder político, vai aos poucos esvaziando os poderes do parlamento e aumentando os do chefe de Estado.Quase sempre esse projecto político é cristalizado no texto constitucional que assim consagra uma forma de governo totalmente disfuncional do ponto de vistada separação de poderes, na medida em que se verifica uma verdadeira atrofia do parlamento e das suas atribuições e uma hipertrofia da figura e dos poderespresidenciais. A disfuncionalidade traduz-se no patente desequilíbrio entre os poderes (não existe um esquema balanceado dos poderes), o qual não permite,por sua vez, o controlo recíproco entre eles (o sistema de
checks and balances
é neutralizado ou, pelo menos, bastante fragilizado) (De assinalar que estefenómeno de deturpação da forma de governo presidencial no sentido de uma concentração excessiva de poderes no chefe de Estado também se temverificado em alguns países africanos.).Atestando este fenómeno de deturpação da forma de governo presidencial, Maurice Duverger opta por lhe atribuir a designação d
e ‘presidencialismo’ –
poroposição a forma de governo presidencial
 –
, fórmula à qual atribui um sentido claramente pejorativo.
2.2.3. Forma de governo mista Semi-presidencial
 Trata-se de uma forma de governo compósita, em que se combinam características da forma de governo parlamentar e características da forma de governopresidencial. A combinação entre as características provenientes destas duas formas de governo varia de país para país, resultando muitas vezes de processosde metamorfose baseados no circunstancialismo próprio de cada país e destinados a alcançar um equilíbrio dos respectivos sistemas políticos. Actualmente éutilizada em
França, Portugal e Finlândia.
 A história da forma de governo semi-presidencial é bastante recente, estando associada à Constituição de Weimar (Constituição alemã de 1919).Verdadeiramente, com esta constituição apenas pretendeu estabelecer um denominado parlamentarismo racionalizado, ou seja, uma forma de governoparlamentar com um correctivo presidencial. Com efeito, foi preocupação dos constituintes alemães corrigir um sistema parlamentar que dava origem aconstantes excessos por parte do poder legislativo. Para isso, optou-se, entre outras coisas, pela
instituição de um Presidente da República democraticamentelegitimado
, o qual funcionaria como uma instância de controlo ou, talvez melhor, uma espécie de poder moderador encarregado de estabelecer e manter oequilíbrio entre o poder legislativo e o poder executivo. Apesar disso, é comum atribuir-se a origem desta forma de governo semi-presidencial à Constituição deWeimar na medida em que foi nela que, pela primeira vez, se positivou um modelo de governação que associava a uma base vincadamente parlamentar, umconjunto de características típicas da forma de governo presidencial, como sejam a existência de um Presidente da República democraticamente eleito edetentor de poderes políticos efectivos.
2.2.3.1. Considerações genéricas
 À semelhança do que sucede com as formas de governo parlamentar e presidencial, também em relação à forma de governo semi-presidencial, e por maioriade razão, dado o seu hibridismo, existem vários figurinos (diferentes concretizações deste modelo de governação).Assim, em França verifica-se presentemente um pendor mais acentuadamente presidencial da forma de governo. Já em Portugal, é actualmente evidente umaacentuação da componente parlamentar. Curiosamente, nestes dois países verificou-se um percurso inverso em termos de definição da forma de governo. EmFrança, a Constituição de 1958 (ainda vigente) criou um sistema parlamentar com um correctivo presidencial que haveria de evoluir, sobretudo por obra doGeneral de Gaulle, para uma forma de governo em que se acentuou a componente presidencial (o ponto alto deste processo de mutação foi a instituição daeleição por sufrágio universal directo do chefe de Estado, consequência da resposta esmagadoramente positiva do povo francês numa consulta referendáriapromovida por de Gaulle em Outubro de 1962). Ao invés, em Portugal, o texto originário da Constituição de 1976 consagrava uma forma de governo mistaparlamentar-presidencial que iria parlamentarizar-se, no sentido de que o órgão Presidente da República viu serem-lhe retirados, por via de sucessivas revisõesconstitucionais, algumas das atribuições e competências que inicialmente lhe cabiam. É uma forma de governo que se caracteriza pela existência de três órgãosconstitucionais que exercem poder político activo: o chefe de Estado (que é necessariamente um Presidente da República), o parlamento e o governo.
2.2.3.2.
Características típicas da forma de governo mista parlamentar-presidencial
1) Características provenientes da forma de governo parlamentar:
 
a)
A responsabilidade política do governo perante o parlamento.
b)
A existência de um governo enquanto órgão colegial, autónomo e solidário
 
c)
O governo tem uma estrutura piramidal, com um chefe no seu topo (no qual se concentra o grosso do poder governamental).
d)
A referenda ministerial
2)
Características provenientes da forma de governo presidencial:
a)
O chefe de Estado é um Presidente da República que goza de legitimidade democrática (ele é eleito por sufrágio universal).
b)
O Presidente da República não é uma figura meramente simbólica, gozando, pelo contrário, de alguns poderes políticos efectivos (por exemplo, o poder deveto sobre as leis e o poder de convocar os referendos).
2.2.3.3. Traços de parlamentarismo dualista na forma de governo francesa e portuguesa
 Para além das características acabadas de assinalar, é possível encontrar tanto no modelo de governação francês como no português traços doparlamentarismo dualista ou orleanista (O parlamentarismo dualista ou orleanista corresponde a uma fase mais recuada do parlamentarismo, quando aindaera possível observar um certo equilíbrio de poder entre o monarca e o parlamento. Mais tarde, com o constante esvaziamento dos poderes do monarca e oconsequente apagamento, em termos políticos, desta figura, deu-se a transição para o parlamentarismo monista.). São eles os seguintes:
a)
A dissolução do parlamento por parte do Presidente da República
 –
um resquício do pouvoir de
dissolution royale
dos monarcas franceses.
b)
A dupla responsabilidade do governo perante o Presidente da República e o parlamento.
2.2.3.4. O semipresidencialismo francês e a forma de governo mista parlamentar-presidencial portuguesa
 Antes de mais, diga-se que é possível encontrar em Portugal autores que designam a nossa forma de governo de semipresidencialista (Jorge Miranda). Estadesignação não agrada a Gomes Canotilho e Vital Moreira, os quais assinalam, do ponto de vista puramente semântico, que a expressão semipresidencialismoenfatiza a componente presidencial, e, de um ponto de vista substantivo, que a forma de governo francesa é mais acentuadamente presidencial do que aportuguesa. Duas razões, aliás interligadas, para rejeitar a classificação da forma de governo portuguesa como semipresidencial. Deixando de parte a questãoda nomenclatura, cabe agora estabelecer as principais diferenças que intercedem entre as formas de governo francesa e portuguesa, em particular no querespeita especificamente aos poderes dos respectivos chefes de Estado.Basicamente, interessa saber quais
os poderes que o Presidente francês possui que não encontram paralelo no nosso modelo de governação
, maisacentuadamente parlamentar.
1)
O Presidente francês preside habitualmente ao Conselho de Ministros, o Presidente português apenas quando é convidado pelo Governo.
2)
O Presidente francês exerce poderes de tipo governamental nos domínios da política externa e da defesa (Verdadeiramente, a forma de governo francesatem uma geometria variável. Assim, se a maioria que apoia o Governo é da mesma cor da maioria que apoia o Presidente, o que se tem verificado é que o
Presidente ‘escolhe’ para exercer as funções de primeiro
-ministro uma figura de palha e, na realidade, é ele que governa. Se, pelo contrário, governo ePresidente são extraídos de maiorias de diferente cor, então o Presidente actua no estrito limite das suas competências constitucionalmente fixadas. Noentanto, dado que ele preside habitualmente ao Conselho de Ministros e, uma vez que dispõe de algumas competências de tipo governamental, vai originar-seum fenómeno denominado de coabitação.), o Presidente português não exerce poderes de tipo governamental.
3)
Em França, basta a nomeação presidencial do primeiro-ministro e restantes membros do Governo para que este último entre no exercício pleno das suasfunções; em Portugal, a nomeação presidencial não é suficiente, só podendo o Governo entrar no exercício pleno das suas funções após a aprovação do seuprograma de governo pela Assembleia da República. Até lá, terá que limitar-se
“à prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos
 
negócios públicos” (art. 186º CRP).
 
2.2.4. Forma de governo directorial
A forma de governo directorial caracteriza-se genericamente pela
predominância que é dada ao parlamento e pela dependência do governo
. A origemhistórica desta forma de governo parece poder encontrar-se na forma de governo de assembleia ou convencional. Esta preconizava que o parlamento é o órgãomais importante da estrutura organizatória estadual, cabendo-lhe o desempenho do poder legislativo e, teoricamente também do executivo, mas, dada a suapesada estrutura, delega num corpo de agentes
 –
o directório
 –
o seu exercício, corpo esse que lhe está subordinado. Esta forma de governo de assembleia ouconvencional foi utilizado em França no período da Convenção (1792-95), daí o nome de forma de governo de assembleia ou convencional5.
2.2.4.1. Considerações genéricas
 Um dos traços característicos desta forma de governo directorial reside na circunstância de não haver uma distinção clara entre legislativo e executivo, nosentido de que a autonomia do executivo não tem os seus contornos bem delineados. De forma concreta, é ao parlamento que compete nomear os membrosdo executivo, exonerá-los ou reconduzi-los.Uma vez que se trata de uma forma de governo que apenas é
utilizada na Suíça
, doravante a sua descrição terá como ponto de referência este país.A assembleia legislativa, designada Assembleia Federal, é, nos termos do preceituado na
Constituição suíça
, “a autoridade suprema da Confederação”
(art.71º). Trata-se de um parlamento bicameral composto, portanto, por duas câmaras: o Conselho Nacional (câmara baixa composta por 200 membros) e oConselho dos Estados (câmara alta que representa os cantões composta de 46 membros
 –
2 por cantão e 1 para os meios-cantões).O órgão que exerce o poder executivo é o Conselho Federal, órgão colegial formado por 7 membros. Segundo o artigo 95º da Constituição suíça, ele é a
“autoridade directo
rial e executiva superior da C
onfederação”. A
administração federal está-lhe subordinada. Os seus membros são eleitos pela AssembleiaFederal por um período de 4 anos (pelo período da legislatura). Nenhum cantão pode ter mais do que um conselheiro federal.
O Conselho Federal “exerce
colectivamente as funções de chefe de
Estado. Ele dispõe da iniciativa legislativa e de poder regulamentar”.
 O Presidente da Confederação Helvética (Chanceler da Confederação) também não é um órgão autónomo, antes um
 primus inter pares
que é escolhido pelaAssembleia Federal no seio do Conselho Federal (é, portanto, um conselheiro federal, mais especificamente, é, em simultâneo, Presidente do Conselho Federale Chanceler da Confederação). Ele assume o cargo rotativamente pelo período de um ano e, regra geral, de acordo com a antiguidade. Não se pode caracterizá-lo nem como chefe de Estado nem como chefe de governo. A sua função é eminentemente representativa. Cabe-lhe dirigir os debates do Conselho Federal eexercer funções de tipo protocolar e de representação externa (cerimónias, inaugurações, viagens, etc.).
2.2.4.2. Características típicas da forma de governo directorial
 
1)
De início, o Conselho federal, ao qual compete o poder executivo por delegação da Assembleia Federal, funcionava mais como um corpo de merosadministradores ou delegados do que propriamente como um colégio de ministros.Actualmente, a submissão do Conselho Federal à Assembleia Federal é mais aparente que real. Esta última não só não funciona de forma contínua como, paraalém disso, parece não dispor de meios de controlo eficazes para fiscalizar a actuação do Conselho Federal.
2)
A Assembleia Federal tem uma importante função electiva, a qual, em regra, é exercida em conjunto pelas duas câmaras. Compete-lhe a ela eleger osconselheiros federais, o Chanceler da confederação, os juízes federais, etc..
3)
Tem também a possibilidade de controlar o Conselho Federal através de comissões de inquérito, da fiscalização e acompanhamento do programagovernamental. Não possui, contudo, o supremo poder de responsabilização política, qual seja, o da sua destituição.
4)
O Conselho Federal, autoridade directorial, também não tem poder para dissolver a Assembleia Federal (o parlamento).
3. A separação vertical dos poderes: As formas de Estado3.1. Conceito e critérios de classificação
 Forma de Estado significa o modo como um determinado Estado resulta estruturado na sua totalidade, tendo em conta fundamentalmente a maneira como oselementos que o compõem (segundo Jellineck, o povo, o território e o poder ou a soberania).Enquanto que para a definição da forma de governo basta ter em consideração um dos elementos do Estado, o poder político, para a definição de forma deEstado é necessário ter em consideração os três elementos fundamentais do Estado.
Existe uma pluralidade de critérios
que podem ser utilizados
para distinguir várias formas de Estado
.
Pode
, por exemplo, utilizar-se o critério do modo de investidura do chefe de Estado. Com base nele, pode distinguir-se entre o Estado monárquico e o Estadorepublicano.

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