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Associação Brasileira de Cinematografia
A ABC e a Questão dos Direitos Autorais para os Diretores de Fotografia
A situação no Brasil
Segundo advogados especialistas em direito autoral consultados pela Associação, as obras produzidassobre a exegese da lei 5988/73, conforme o disposto no art. 15, pertencem ao seu produtor . Após esta , foicriada uma outra lei 6533/78, que regulamenta a profissão dos artistas, e que em seu art. 13 impede acessão de direitos autorais (direito de autor e os que lhe são conexos) (1). Assim, a partir de 1978,ficamos com duas leis vigindo no sistema jurídico : uma que dizia que pertencem ao produtor os direitosautorais sobre a obra cinematografia - termo usado na época - , e outra que impedia a cessão oriunda da prestação de serviços.Em 1998, pela lei 9610/98 (2), os direitos patrimoniais passaram a não pertencer mais ao produtor.Portanto as obras audiovisuais – o novo termo usado , mais genérico do que cinematográfica - pertencemaos seus criadores.A questão ainda não tem precedentes de jurisprudência ou alguma decisão que endosse este entendimento.Em princípio, para as obras criadas antes de 1978 os direitos pertencem totalmente ao produtor. Após 1978,há controvérsia. E depois de 1998, os direitos pertencem aos criadores (roteiristas, diretores de fotografia,artistas etc.)Segundo o Dr. Eduardo Pimenta
 –“ A lei de direitos autorais (9610/98) em seu art. 25 contempla aodiretor os direitos morais da obra audiovisual. A mesma lei em seu art. 24 diz quais são os direitosmorais. Pois bem, ao diretor somente cabem os direitos morais. Entendo que o diretor de fotografia, por vislumbrar um cenário natural ou não, passa a ser um criador intelectual. Se esta cena vier a ser usada, por extração de um fotograma da película, como fotografia em mídia impressa ou pela internet, haveráentão uma violaçào de direito autoral, que além de moral, entendo também como de direito autoral  patrimonial.”
 Fica claro para a ABC que o fato de ainda não existir uma jurisprudência formada sobre a matéria deixadúvidas, e abre o precedente para que os produtores se eximam de pagar os direitos. Por outro lado, é pratica corrente no cinema publicitário que os diretores de fotografia recebam direitos autorais quando dareveiculação de um filme. Não sabemos até que ponto isso constitui uma prova da legitimidade dareivindicação dos DFs.
 
O Panorama na América Latina
 Na América Latina a extensão dos direitos autorais aos diretores de fotografia só é reconhecida no Méxicoonde a Ley Federal de Derecho de Autor de México, promulgada em dezembro de 1996, especifica comoautores da obra cinematográfica
“el director realizador; los autores del argumento, adaptación, guión odiálogo; los autores de las composiciones musicales; el fotógrafo, y los autores de las caricaturas y de losdibujos animados" (Art. 97).
Se houvesse no texto da lei brasileira (lei 9610/98),
 
uma referência direta aofotógrafo como existe no texto mexicano, estaria esclarecida a questão, não havendo margem a dúvidas.Da forma como está, qualquer julgamento dependerá sempre da interpretação da lei.Em artigo publicado na revista da ADF (Associação Argentina de Autores de Fotografia Cinematográfica)ano 3, número 5, verão de 2000, os advogados Edwin R. Harvey e Maria Victoria Harvey comentam a leimexicana :
“O produtor é, salvo pacto expresso em contrário, o titular dos direitos patrimoniais sobre aobra em seu conjunto e por isso pode levar a cabo todas as ações que sejam necessárias para aexploração da obra, ou seja: reprodução, distribuição, representação e execução pública, transmissão por cabo, radiodifusão, comunicação ao público e titulagem e dublagem da obra em questão. Por sua vez, osdiversos autores da obra cinematográfica em cada uma de suas partes ou aspectos, são considerados comotais ainda que tenham cedido seus direitos patrimoniais ou de exploração sobre sua criação ao produtor da obra, conservando inclusive o direito de dispor destes para explorar sua criação ou contribuição de forma isolada, sempre que com isso não se prejudique a exploração normal da obra em seu conjunto,conservando desta forma a titularidade dos direitos morais de sua criação.”
Os autores concluem o artigo afirmando
: É longo e difícil o caminho a percorrer para conseguir oreconhecimento do direito de autor dos diretores de fotografia, por sua contribuição criativa e fundamental às obras audiovisuais. Porém os colegas mexicanos deram provas de que este não é umobjetivo impossível de ser alcançado.”
Parece a ABC que existem duas abordagens distintas para a questão: Na primeira abordagem, os DFsacionariam as produtoras com base no artigo 24 da lei 9610/98 e, ganhando algumas causas, estariaformada uma jurisprudência que asseguraria ganho de causa em futuras ações. Isso estimularia os produtores a reconhecerem os direitos dos DF, evitando assim as ações judiciais.A outra abordagem seria tentar mudar o artigo 16 da lei 9610/98 (
 Art. 16. São co-autores da obraaudiovisual o autor do assunto ou argumento literário, musical ou lítero-musical e o direto
r.), para que ele passe a incluir os diretores de fotografia como co-autores. 
O Panorama Europeu
 
 Na Europa, estes são os países que já reconhecem o diretor de fotografia como co-autor da obracinematografica e portanto detentor de direitos morais e patrimoniais : Alemanha (desde 1985), Finlandia(1997), Suécia (1997), Dinamarca (1997), Suiça (1997), Áustria (1997) e Hungria (1997).
Parecer da Dra. Silvia Gandelman sobre a questão dos direitos autorais para os DFs
Sobre o texto “A ABC e a questões dos direitos autorais para os Diretores deFotografia” gostaria de tecer os seguintes comentários:
A Lei 5988/73 admitia a autoria do produtor, encomendante, organizador, em seu Artigo 15, “
inverbis
”.Quando se tratar de obra realizada por diferentes pessoas, mas organizada por empresa singular oucoletiva, e em seu nome utilizada, a esta caberá sua autoria.Era a chamada autoria da empresa, muito utilizada para cinema, programa de televisão, software, ouseja, obras complexas de maior valor.
A Lei 6533/78 é uma lei de cunho profissional, trabalhista, que regulamentou as profissões de artistae técnicos em espetáculos. Esta lei, em seu artigo 13, proibia a cessão dos direitos conexosdecorrentes de contratos de prestação de serviços.Esta lei foi regulamentada pelo Decreto 82.385/78 confirmando, em seus artigos 33 e 34 aimpossibilidade da cessão de direitos autorais e conexos. Ocorre que o Decreto contém também,como anexo, um quadro estabelecendo a relação dos profissionais beneficiados pela legislaçãoespecial, do qual consta, expressamente o Diretor de Fotografia. A lista é exaustiva, ou seja,somente as profissões que a integram são passíveis de proteção legal.
÷
A nova lei autoral (Lei 9610/98) revogou a anterior (Lei 5988/73) porém manteve em vigor a Lei6533/78 em seu artigo 115, ou seja, prevalece em relação ao Diretor de Fotografia o texto, os benefícios e a proteção do artigo 13 da Lei 6533/78, combinado com os artigos 33 e 34 do Decreto82.385/78.Quanto ao antigo artigo 15 (autor empresa) da Lei 5988/73, este foi substituído pelo artigo 11 §único da nova lei, combinado com o 17 § 2º, “
in verbis
”.
“Art. 11 § único
— A proteção concedida ao autor poderá aplicar-se às pessoas jurídicas nos casos previstos nesta Lei.................................................................................................................
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