E a provar esse entendimento, é costume falar-se em figuras fundadoras ecom obra fundacional como Homero, Sófocles, Dante e o póprio apóstoloPaulo, entre outras.Há, porém, um Livro que contém Civilização, que aborda as CiênciasNaturais, as Geografias, a Zoologia, a Biologia, que fala do Ritual religioso,do Heroísmo, das Epicidades, da Poética, que aborda até a Filologia, queesclarece sobre Humanidades e que revela a Divindade, afinal as origens dafundação de tudo. É incontestável o nome desse Livro, Bíblia Sagrada, quena diversidade unívoca dos seus 66 livros é a Palavra de Deus, traduzidapara as nossas línguas modernas e vivas por Lutero na Alemanha ou porWycliffe e William Tyndale e autorizada pelo Rei Jaime, na Inglaterra, outraduzida por J.N.Darby ou Louis Segond, na França, Casiodoro de Reina eCipriano de Valera, em Espanha, ou por João Ferreira de Almeida emPortugal.Um exemplo como simples indicador, embora a sua importância sejaincontornável, está no facto da Bíblia constar no currículo do Departamentode Literatura do conceituado MIT (Massachusets Institute of Technology),havendo também indicações de que constou como cátedra importante nanossa Universidade de Coimbra.Com efeito, a Bíblia integra o estudo dos denominados Períodos daLiteratura do Mundo, embora com um método discutível a seguir àLiteratura Clássica e antes da Literatura Medieval. De qualquer forma, noconsagradíssimo MIT a ênfase concedida à Bíblia reconhece-lhe lugar dedestaque, ainda que só cultural e pedagogicamente, como Texto fundador ecentral do pensamento religioso, ético, político e cultural, e, sem dúvida,antropológico, para além obviamente do Divino.Na nossa Academia, a importância da Sagrada Escritura manifestou-se numprimeiro século que terá começado em 1537 até 1640, depois deste últimoano até 1910, havendo registo actual no acervo da UC de teses dedoutoramento sobre essa magnífica cátedra. Para além de outras presençasinfluenciadoras, como foi, por exemplo, o caso da exegese judaica medievalnos comentários bíblicos portugueses do Séc. XVI, designadamente ocomentário ao Cântico dos Cânticos, em 1599.Há autores na nossa história literária que são muito centrais, conducentes àinfluência marcante e explícita da Bíblia Sagrada, embora tal nem sempreseja reconhecido. Mesmo tendo em consideração aqueles que, como JoséSaramago ou Vergílio Ferreira, a tenham usado no sentido da suadesconstrução do divino.Começaria, sem dúvidas, por Camões, valorizando aqui o texto poéticodesignado por redondilhas, o célebre
Sôbolos rios
, e o belíssimo
soneto
Sete anos de pastor Jacob servia \ Labão, pai de Raquel, serrana bela \ Masnão servia ao pai, servia a ela.
No que concerne ao primeiro, a pluralidade dos meios usados paraexpressar aquela que é a dor do exilado, ou talvez a dolorosa experiênciapor que passou na foz do Mekong - o naufrágio, a visão global que a sua
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