PREFÁCIO
Após 40 anos no evangelho, defrontei-me com a literatura puritana e reformada. Tal foi oimpacto em minha vida que me senti como alguém que vai reclamar seus supostos direitos e sedepara, para sua surpresa, com a realidade de que estava errado, e que seus direitos eram falsos.Senti-me envergonhado do movimento evangélico superficial, humanista, vivenciado há tantotempo em nosso meio e que não considera a soberania de Deus, mas coloca no homem o poder derealizar.Ao ler a literatura puritana e reformada os meus olhos foram abertos para ver o caminhoque trilhava. Percebi logo que boa parte do movimento evangélico moderno, mesmo falando dagraça de Deus, não a compreende como ela é apresentada na bíblia. Afirma que, pela graça, todosos homens têm a capacidade de crer e aceitar o evangelho; é uma decisão deles. Por isso Dr. M.Lloyd-Jones afirmou:
"Embora comecem com a graça, na seqüência a negam".
Percebi que omovimento evangélico moderno fala da Bíblia como a única regra de fé e prática mas nãocompreende o significado de
Sola Scriptura,
como os reformadores a ensinavam, e era vivida pelos puritanos de forma madura.Muito do movimento evangélico moderno tem feito acréscimos, adições às Escrituras,como fizeram os judeus na época de Jesus, quando citavam mais de 600 leis que não estavamnaTorah, ou mesmo como a igreja católica romana, com toda sua tradição maligna, que tem levadomilhões de pessoas à condenação, por causa de ensinos apócrifos, antibíblicos, esquecendo-se deque Deus trará maior juízo àqueles que ensinam falsidade (Tiago 3:1). Recentemente um grupo decongressistas questionou um famoso líder americano e professor de missiologia sobre suas práticasna área de batalha espiritual e missões. Sua resposta foi: "É verdade que não está na Bíblia, masfunciona". Creio que é exatamente este pragmatismo religioso, não bíblico, que domina em grande parte nosso movimento evangélico, nossa prática cristã e especialmente nossa evangelização. Osmétodos evangelísticos não bíblicos, se estão funcionando, são considerados válidos. Será queestamos esquecidos das palavras de Jesus que serão proferidas no dia do juízo contra aqueles queevangelizaram de forma condenável, mesmo que bem sucedidos: "Nunca vos conheci"? (Mat.7:23).Um dia comecei a ler sobre Pelágio, o herege dos séculos IV e V, que fora tão combatido
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