frente, eu e meu irmão, cheirando frango até São Paulo. O seminário eraperto de Bauru, em Agudos.Ricardo Kotscho -
E como foi essa vocação tão cedo, com 12 anos?
Leonardo Boff
- Entrei no seminário porque meu pai era muito religioso,mas de uma religiosidade muito crítica. Como tinha formação jesuíta, viviabrigando com os padres alemães, franciscanos, que eram muito duros,nazistas. Então, como ele animava a vida da comunidade, naturalmente osfilhos eram ligados à Igreja etc. Com 12 anos, de fato, entrei para oseminário, depois entrou um outro irmão meu, que também é teólogo, oClodovis.Frei Betto -
Não houve resistência por parte da tua mãe?
Leonardo Boff
- Olha, houve por parte do meu pai, porque ele dizia:"Esses alemães são tão reacionários, tão nazistas...". Porque meu paiatendia também a comunidade protestante, e os padres não queriam que secasassem protestantes e católicos. Então era um ponto de atrito.Leo Gilson Ribeiro -
Quer dizer que seu pai era ecumênico.
Leonardo Boff
- Ecumênico, e defendia os caboclos que eram muitoperseguidos. Esse é um capítulo trágico da nossa região, os colonos faziamexpedições para matar índios, porque os índios vinham e roubavam roupa,roubavam coisas expostas. E me recordo de histórias dos meus avós,faziam expedições de dez, doze, com espingardas, e iam "matar os bugres".Contavam que exterminaram todos os bugres da região. Mas meu pai tinhauma opção muito grande pelos caboclos, pelos negros, que eramextremamente discriminados pelos alemães e italianos. Ele era padrinho detodos esses discriminados e na escola nos obrigava a sentar sempre juntodos caboclinhos, junto a negrinhos, para mostrar que o filho do professor eo professor estão a favor destes. E até hoje, naquela região, se guarda amemória, muitos deles dizem: "Deus no céu e seu Mansueto na Terra".Mansueto era o nome de meu pai.
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