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nº 92
 
 
Maio de 2009
Distribuição gratuita aos sócios
STALSTAL
Quem altouaos compromissos,mentiu, calunioue atacou salários,direitos e o empregonão merece a coniançados trabalhadores.Nas urnas vamospenalizar o governoe continuar a luta!
Págs. 2 e 3
Nas eleições europeias de 7 de Junho
A manifestação de 13 de Março (na foto) juntou mais de 200 mil pessoas em Lisboa
 Sondagem STAL/ 
Marktest 
revela maioria esmagadora contra privatização da água
Págs. 8 e 9
 
Penalizar
 
o Governo
 
MAIO 2009
2
  jornal do 
 
STAL
É preciso mudarde políticas
para sair da crise
O voto dos trabalhadores é um momento
 A grande maniestaçãoda CGTP-IN, que em13 de Março encheuLisboa com mais de 200mil trabalhadores, ascomemorações do 35.ºaniversário do 25 de Abrile as maniestações do1.º de Maio constituírampoderosas jornadas deluta contra as políticasde direita do GovernoPS de José Sócrates,na reivindicação de umamudança de rumo nacondução dos destinosdo País que promovao emprego, valorizeos salários, garanta osdireitos e deenda osserviços públicos.
 A
«crise» não pode continuar aresultar no aumento da ex-ploração dos trabalhadores edos mais desprotegidos em beneí-cio dos interesses dos patronato edo capital, pelo que a luta vai conti-nuar nas ruas e nos locais de traba-lho, mas também nos actos eleito-rais que se avizinham.Porque o voto é também uma po-derosa arma de luta de que os traba-lhadores dispõem, nas eleições parao Parlamento Europeu que se realizamem 7 de Junho levamos a nossa lutaaté ao voto, condenando aqueles quetêm promovido na Europa e em Por-tugal uma política de degradação dossalários, de ataque aos direitos laboraise sociais e de destruição e privatizaçãode serviços públicos essenciais.
Oensiva semprecedentes
O Conselho Geral do STAL,reunido em 3 de Abril, ez um ba-lanço dos eeitos da actual políti-ca governativa e considerou quea «oensiva sem precedentes (…)ragiliza cada vez mais as rela-ções laborais, procura enraque-cer os sindicatos, desvaloriza ascarreiras proissionais e degradao poder de compra para propi-ciar o agravamento das condi-ções de exploração e o aumentodos lucros do capital». A campanha de mentiras e ca-lúnias que o Governo, desde oinício do seu mandato, levou acabo contra os trabalhadores,serviu para apoiar os sucessi-vos ataques aos direitos e aossalários, nomeadamente as alte-rações ao estatuto de aposenta-ção, o congelamento do tempopara as mudanças de escalão,as alterações ao regime de vín-culos carreiras e remunerações,o SIADAP, o contrato de traba-lho em unções públicas, entreoutros.
 Afirmar e defender os direitos
Os impactes das proundas alteraçõeslegislativas que o Governo e a maioriado Partido Socialista têm promovido nalegislação laboral para a AdministraçãoPública azem-se sentir cada vez maisnos locais de trabalho, seja pelos eei-tos directos da sua aplicação seja pelosque decorrem do enviesamento em mui-tas autarquias.Por isso o STAL enviou no início do anouma circular a todas as autarquias (circu-lar n.º 4/2009), através da qual chama àatenção para um conjunto de procedimen-tos a respeitar e apela à implementaçãode um conjunto de medidas tendentes aminorar os eeitos já de si neastos da no-va legislação.O direito de audição e negociação dosmapas de pessoal, a aplicação de meca-nismos ainda disponíveis de valorizaçãoproissional (progressões devidas em 2008,reclassiicações proissionais e mudançasde escalão), a atribuição dos créditos deacordo com as regras da avaliação de de-sempenho nos anos de 2004 e 2005, a ne-gociação dos acordos de cedência de in-teresse público para os trabalhadores quese encontravam requisitados em empresasou a regularização de horários de trabalhosão alguns dos temas tratados naquele do-cumento. Com vista a contribuir para o es-clarecimento destas questões, o STAL estáa promover a realização de reuniões comautarquias locais em todo o País. A «imagem de marca» do go-verno de ataque cerrado aos tra-balhadores e um servilismo in-condicional ao grande capital,ressalta também nas gravosas al-terações ao Código do Trabalho.Rasgando os compromissos elei-torais, Sócrates e o Partido So-cialista acentuaram a desregula-mentação do trabalho e desequi-libraram «ainda mais as relaçõeslaborais em avor dos interessesdo patronato e dos grandes gru-pos económicos».Na resolução aprovada o Con-selho Geral do Sindicato lem-bra as decisões de inconstitu-cionalidade que aquele diploma já mereceu e «saúda a iniciativado PCP, partilhada por outrosgrupos parlamentares e algunsdeputados», que requereu a is-calização sucessiva de váriasnormas das alterações ao Có-digo do Trabalho, bem como doregime de vínculos da Adminis-tração Pública e do seu Estatutode Aposentação.O Sindicato considera que é un-damental mudar de rumo na con-dução das políticas governativas,particularmente na AdministraçãoPública, e tudo ará para que es-ta legislação seja alterada ou re-vogada.
Romper com as causasda crise
O documento aprovado peloConselho Geral do STAL alertaque a crise económica e inan-ceira está a ser aproveitada paraa justiicar «novas investidas dogoverno e do patronato contra ostrabalhadores», ao mesmo tem-po que continuam a crescer asgrandes ortunas à custa do erá-rio público. E salienta que a situ-ação que o País vive «não só nãoé uma inevitabilidade como cons-titui aliás o resultado das políticas
 
MAIO 2009
3
  jornal do 
 
STAL
Editorial
 Votar paramudarde rumo
decisivo na luta
 Votar também é lutar
 A intensiicação da luta dos tra-balhadores coloca-se também noplano eleitoral. «Os trabalhado-res e os seus sindicatos não es-tão isentos de opinião política,muito menos quando é das polí-ticas governativas e das maioriaslegislativas que resultam os gra-ves ataques aos direitos laboraise sociais».Por isso, o Conselho Geral doSTAL salientou que o Sindicatoe os trabalhadores «não podemnem devem esquecer» que oi amaioria absoluta do Partido So-cialista que permitiu ao Gover-no de Sócrates um tão proundoataque aos seus direitos. Paraeectivamente «mudar de rumo»é preciso traduzir essa vontadenas eleições para o ParlamentoEuropeu, para a Assembleia daRepública e para as AutarquiasLocais.Estes momentos, como risou oConselho geral, «devem ser con-siderados como de verdadeira edecisiva luta pelos direitos e pe-los serviços públicos, por um Paísmais livre, mais justo e mais ra-terno», o que exige uma orte pe-nalização do governo e da maioriasocialista, principais responsáveispela degradação das condiçõesde vida, aumento da precarieda-de e retirada de direitos sociais elaborais.
Maniestoda Frente Comum
Também a Frente Comum sepronunciou sobre o momentoeleitoral que se avizinha, apelandoà luta contra a Europa dos «pode-rosos e da ilosoia cega do mer-cado, que não tem em conta osdireitos undamentais dos cida-dãos e dos trabalhadores».No maniesto aprovado na Ci-meira de Sindicatos de 8 de Abril, arente sindical lembra as responsa-bilidades do governo de Sócrates naaprovação e aplicação das políticaseuropeias prejudiciais aos trabalha-dores e ao País, alertando para osperigos do «chamado Tratado Re-ormador ou de Lisboa – que o PSnão quis reerendar como promete-ra ao povo português – e que o po-vo da Irlanda recusou». Tal reorma«conirmaria a transerência de atiassigniicativas da nossa soberania eseria um novo passo na instituciona-lização do neoliberalismo». A Frente Comum conclui assimque não é «indierente a correlaçãode orças políticas nos órgãos daUE – no caso, no Parlamento Euro-peu – e as posições aí deendidaspelos diversos partidos» pelo queapela a que o voto dos trabalhado-res no dia 7 resulte de «uma proun-da relexão (…) e uma opção escla-recida, consciente e de classe».
A
s palavras isenção, imparcialidade ou independênciatêm sido utilizadas com frequência para se acusar ossindicatos de politizarem a sua acção. Ainda recentemente,José Sócrates, claramente incomodado com o poderosoprotesto contra a sua política que juntou em 13 de Marçomais de 200 mil trabalhadores, insinuou injuriosamenteque os manifestantes estariam ali a apoiar outros objectivosque não a sua luta, objectivos políticos alegadamentemanipulados pelo Partido Comunista.Esta táctica, já antes utilizada à exaustão pela ditadurasalazarista, foi igualmente adoptada pelo Governo do PSpara caluniar a classe dos professores que se mobilizouquase totalmente para contestar as políticas educativas.
M
as a propósito de «imparcialidade» cabe perguntar: têm sidoimparciais José Sócrates e o Partido Socialista na sua ofensivacontra os trabalhadores e os seus direitos, contra as populações eos serviços públicos? É imparcial a sua vergonhosa e descaradasubmissão aos interesses do patronato e o grande capital? Têmsido imparciais os partidos que se sucederam na governação doPaís – PS, PSD ou CDS, sozinhos ou coligados – ao aprovarame aplicarem as políticas neoliberais que precipitaram o paísnuma crise sem precedentes do capitalismo?
C
lamando pela isenção, governo e patronato desejariamque os trabalhadores se conformassem com a injustiça, aarbitrariedade, a exploração desenfreada. Isso não acontece,nem poderá acontecer!Os trabalhadores não se conformam nem podem tolerar aspolíticas de direita prosseguidas nas últimas décadas. Sabemque é possível um outro rumo para o País e para a Europa –um rumo de justiça, de solidariedade, de emprego e respeitopelos direitos, de desenvolvimento e de progresso social,com serviços públicos de qualidade para todos. Por isso, nãonos calamos, não nos vergamos e vamos continuar a luta!Nas ruas e nos locais de trabalho, mas também nas urnas.
P
orque o voto é naturalmente uma arma de que dispomos,preciosa e poderosa, não podemos nem vamos desperdiçá-lo. Votaremos já no próximo dia 7 Junho nas eleições para oParlamento Europeu para exigir uma inversão nas políticaseuropeias, o respeito pela soberania nacional, contra aEuropa do capital, contra o militarismo, pelos direitoslaborais e sociais, pela paz e a cooperação entre estadosiguais em direitos.E não deixaremos de penalizar com o nosso voto os
responsáveis pelas difculdades crescentes que sentimos no
dia a dia. Quem nos mentiu, quem faltou aos compromissos,não merece o voto dos trabalhadores. No próximo dia 7 deJunho não podemos ser imparciais. Vamos votar e exprimiro nosso protesto contra estas políticas, em defesa dos nossosdireitos, pelo futuro e por uma vida digna.
de direita que vêm sendo pros-seguidas há muitos anos e que oactual governo intensiicou».Neste sentido, o combate à crise«não pode passar apenas por en-contrar culpados (o que de si tam-bém não é eito) e pela adopção demais uma ou outra medida de cos-mética que corrija pontualmente oseeitos neastos que hoje se azemsentir». Pelo contrário, urge rompercom as políticas de direita que têmvindo a ser prosseguidas e com ummodelo de sociedade que privilegiaas lógicas de um mercado contraas pessoas, os trabalhadores e osserviços públicos.Combater a crise passa pois por«combater e romper com as suascausas». A este propósito, o STALairma que os serviços públicos lo-cais podem e devem ter um papelundamental na adopção de umapolítica que potencie o investimen-to, a produtividade e a criação deemprego local, constituindo verda-deira e eectiva alternativa às lógi-cas privatizadoras e às tão apre-goadas parcerias público-privadasque têm imperado.Por isso o Sindicato deende apromoção do investimento públiconestes serviços, designadamenteatravés da criação de parcerias pú-blico-público», paradigma que seassume tão mais necessário quan-to «mais incongruente e inadmissí-vel se torna a aposta em modelosde mercado que provaram já sercontrários aos interesses dos tra-balhadores, das populações e doPaís, constituindo aliás os princi-pais causadores da crise que atra-vessamos».
Nas comemorações do 35.º aniversário do 25 de Abril (foto à esquerda em baixo) e nas manifestações do 1.º deMaio, os trabalhadores prosseguiram a luta contra as políticas de direita. O Dia do Trabalhador foi também uma jornada de convívio e desporto. Em Lisboa, o STAL participou na corrida da CGTP com uma equipa de 28 atletas,obtendo o 11.º lugar na geral masculinos e o 1.º lugar em M45
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