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NÃO GOSTO DE PLÁGIOUM BLOG DE UTILIDADE PÚBLICA CONTRA PLÁGIOS DE TRADUÇÃO. ALGUMAS VÍTIMAS: MONTEIROLOBATO, GODOFREDO RANGEL, LÍVIO XAVIER, LIGIA JUNQUEIRA, OSCAR MENDES, ODORICOMENDES, MÁRIO QUINTANA, GALEÃO COUTINHO, JAMIL ALMANSUR HADDAD, BORISSCHNAIDERMAN, CARLOS PORTO CARREIRO, PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS, WILSONLOUSADA, CASIMIRO FERNANDES, HERNÂNI DONATO, LEONIDAS HEGENBERG, LEONEL VALLANDRO,ARAÚJO NABUCO, OCTAVIO MENDES CAJADO, MODESTO CARONE, BRENNO SILVEIRA, JACÓGUINSBURG, BENTO PRADO JR."daddy, tell me how a wolf looks: for such i never saw yet." (grimmelshausen,simplicissimus; goodrick)"sr. simplício, tem ali fora um sujeito..." (feliciano de castilho, o doente decisma) 04/04/2008cartinha a docentesreproduzo aqui a cartinha que estamos mandando para docentes e pesquisadores, paratentar deter um pouco as sombras que favorecem os plágios. a anterior estava meiodramática, esta ficou mais sóbria :)Prezados docentes e pesquisadoresNos últimos seis meses, a imprensa nacional tem divulgado diversos casos deirregularidades editoriais em obras de importância universal, por parte de algumaseditoras brasileiras. Alarmadas com a situação, centenas de pessoas ligadas à áreade tradução vêm somando esforços para combater essas práticas lesivas à cultura dopaís.Para ajudar a preservar nosso patrimônio cultural, constituído em grande parte portraduções de obras estrangeiras, e proteger a integridade das obras traduzidas, acolaboração de todos os intelectuais, docentes e pesquisadores é de fundamentalimportância.Uma das mais honestas e eficientes formas de colaboração cultural é sempre, emtoda e qualquer ocasião, mencionar o nome do tradutor que faz chegar ao nossovernáculo a obra escrita em outro idioma.Assim, vimos solicitar aos srs. que apliquem sistematicamente a boa norma deincluir os devidos créditos de tradução em toda e qualquer referênciabibliográfica em seus livros, artigos, ensaios, resenhas, papers, aulas,palestras, conferências.Com isso, os srs. estarão contribuindo para fortalecer a credibilidade do ensino eda pesquisa no país, além de respeitar o trabalho intelectual de tradução quecoloca as obras do mundo ao alcance do público leitor brasileiro.Como consideração final, gostaríamos de lembrar que nossa solicitação tem respaldona legislação referente aos direitos autorais, disponível emhttp://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Leis/L9610.htmCertos de poder contar com sua valiosa contribuição,Atenciosamente,hoje segue com 78 assinaturasPOSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS27/02/2008
 
mestre bosiA carta-denúncia de Denise Bottmann revelou a existência de uma ação editoriallesiva não aos nomes de ilustres tradutores de obras clássicas para o Portuguêscomo também à integridade mesma da vida intelectual no Brasil.É dever imperioso de todos nós, escritores e leitores, associar-nos a essa justareivindicação.Alfredo BosiProfessor de Literatura Brasileira - USPMembro da Academia Brasileira de LetrasPOSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS22/02/2008um apelo sério e sinceroreproduzo aqui a cartinha que comecei a enviar para docentes, pesquisadores,intelectuais em geral.com certeza os srs. estão a par da recente movimentação dos tradutores em defesado patrimônio cultural do país, sabidamente constituído em grande parte portraduções de obras de alcance universal, as quais muito contribuíram e continuam acontribuir para que possamos nos sentir cidadãos do mundo, para que possamos atémesmo estabelecer nossos próprios cânones lingüísticos e literários.os srs. certamente estão a par também dos vários atentados praticados contra estepatrimônio, sendo o mais espetacularmente realizado e sobejamente demonstradoaquele perpetrado pela editora nova cultural nos últimos 13 anos.a uma reflexão um pouco mais detida, naturalmente poderão surgir inúmeras razõesque explicam, justificam, pavimentam e aplainam o caminho para esse estado dedescalabro.deixemos, porém, essa reflexão a quem couber.o que cumpre a nós é proceder àquele pequeno gesto do menino colocando seu dedo noorifício da represa.o que cumpre a nós é tentar deter o avanço dessa maré negra de destruição denossos esforçados esforços, penadas penas, laboriosos labores para construir umpequeno edifício de referências culturais universais.o que cumpre a nós é dizer: não foi enrico corvisieri que traduziu madame bovary,não foi fábio alberti que traduziu a divina comédia, não foi mirtes ugeda coscodaique traduziu ana karênina. e sim: fui eu, ivo barroso, que traduzi iluminações,fui eu, jório dauster, que traduzi lolita, fui eu, paulo bezerra, que traduzicrime e castigo.e isso significa dizer, e cada um de nós dizer, a sós e em uníssono: quem traduziuiluminações foi ivo barroso, quem traduziu lolita foi jório dauster, quem traduziucrime e castigo foi paulo bezerra.e isso significa que cada intelectual, cada docente, cada pesquisador, cadaestudante deste país deverá dizê-lo com todas as letras, deverá colocar em seuestudo, em seu artigo, em sua tese, em sua monografia, em seu trabalho dosemestre, a devida, pura, nua, singela informação: quem, como tradutor, trouxeessa obra ao seu alcance.
 
não só por uma questão de obrigação, ou porque assim manda a lei, ou porque assimpareceria "mais caprichado", mas porque é assim que é, e porque apenas falando averdade poderemos deter a mentira.caros docentes, pesquisadores e discentes: respeitem o tradutor, respeitem a obraque lêem em vernáculo, respeitem a verdade, respeitem a dignidade vossa, nossa, detodos nós: cuidem do texto, cuidem das citações, cuidem das referênciasbibliográficas.cuidem da cultura e do país.obrigada,denise bottmannhttp://assinado-tradutores.blogspot.com/POSTADO POR DENISE 0 COMENTÁRIOS19/02/2008o retrato de dorian grayOscar Wilde, O retrato de Dorian Gray (trad. Oscar Mendes, cedida para o Círculodo Livro por cortesia da José Aguilar), pp. 142-43:No estranho romance de Lodge, Uma Margarida da América, conta-se que nos aposentosda rainha podiam ser vistas "todas as mulheres castas do mundo, olhando-se atravésde espelhos polidos de crisólitos, carbúnculos, safiras e esmeraldas, engastadosna prata". Marco Polo observou que os habitantes de Cipango (1) colocavam pérolascor-de-rosa na boca dos mortos. Um monstro marinho enamorou-se da pérola que ummergulhador tinha vendido ao Rei Peroz, matou o ladrão e chorou durante sete luasa sua perda. Procópio nos conta que, quando os hunos levaram o rei à beira dogrande precipício, atirou ele a pérola lá dentro e nunca mais ela foi encontrada,embora o Imperador Anastácio tivesse oferecido quinhentas toneladas de peças deouro* a quem a encontrasse. [...](1) Nome que os escritores da Idade Média, entre os quais Marco Polo, davam aoJapão. (N. do E.)Eduardo II deu a Piers Gaveston uma coleção** de armaduras de ouro vermelho,marchetadas de jacintos, um colar de rosas de ouro cravejado de turquesas e umelmo semeado de pérolas. [...] Que estranha*** existência a de outrora! Quantamagnificência na pompa e no adorno! A simples leitura e descrição daquele luxodesaparecido ainda eram maravilhosas.Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray ("trad." Enrico Corvisieri, Nova Cultural),pp. 144-45:No estranho romance de Lodge, Uma Margarida da América, conta-se que nos aposentosda rainha podiam ser vistas "todas as mulheres castas do mundo, olhando-se atravésde espelhos polidos de crisólitos, carbúnculos, safiras e esmeraldas, engastadosna prata". Marco Polo observou que os habitantes de Cipango (Japão) colocavampérolas cor-de-rosa na boca dos mortos. Um monstro marinho apaixonou-se pelapérola que um mergulhador vendera ao Rei Peroz, matou o ladrão e chorou durantesete luas a sua perda. Procópio nos relata que, quando os hunos levaram o rei àbeira do grande precipício, atirou ele a pérola lá embaixo e ela nunca mais foiencontrada, embora o Imperador Anastácio tivesse oferecido quinhentas toneladas depeças de ouro* a quem a encontrasse. [...]Eduardo II deu a Piers Gaveston uma coleção** de armaduras de ouro vermelho,marchetadas de jacintos, um colar de rosas de ouro cravejado de turquesas e um
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