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Desenvolvimento de Pessoas Para a Sustentabiliade

Desenvolvimento de Pessoas Para a Sustentabiliade

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B. Téc. Senac: a R. Educ. Prof.
, Rio de Janeiro, v. 37, nº 2, mai./ago. 2011.
das organizações se congura como um importante recursopara a melhoria da competitividade empresarial, uma vez queimpulsiona as empresas para novos desaos e novas descober
-
tas. Mas também signica que a cultura e os valores não estãosendo compartilhados por todos, devendo ser trabalhados pelosgestores de pessoas nas organizações.Para agir diferente é preciso ver diferente. É preciso deslocare renovar o ponto de vista. Por isso, aprendizagem e mudança sãoinseparáveis, uma vez que não é possível mudar sem aprender ouaprender sem mudar. Para as organizações, implementar processosde gestão de pessoas capazes de responder a problemas complexosimplica superar a visão da “sustentabilidade de mercado” e exercitarnovas práticas capazes de substituir os modelos em esgotamento(LIMA, 2003).
1
Portanto, é essencial estimular junto aos empregadosa discussão sobre a crise socioambiental atual, problematizando-ae apresentando argumentos, valores, objetivos, posições éticas epolíticas associadas ao conceito da sustentabilidade.O objetivo deste artigo é apresentar uma análise comparativadas ações de “desenvolvimento de pessoas” praticadas por empre
-
sas brasileiras em relação às suas “políticas de sustentabilidade”.Utilizaram-se os relatórios de sustentabilidade publicados pelasempresas para identicar duas questões básicas: 1. as principaisações no campo da gestão de pessoas; e 2. as práticas de educaçãocorporativa voltadas para a sustentabilidade.
i
ntrodução
Cada vez mais empresas brasileiras estão implementando es
-
tratégias de desenvolvimento sustentável a partir das perspectivasda redução de impactos ambientais e da promoção de programassociais, desde que as organizações se mantenham economica
-mente viáveis no mercado, constituindo, com isso, a dimensão do
Triple Bottom Line 
, conceito desenvolvido pelo economista inglês John Elkington, da consultoria inglesa Sustainability. Todavia, percebe-se que, dentro das organizações, cada umadessas três dimensões – econômica, social e ambiental – geradiferentes opiniões e enfoques sobre o modo de lidar com osdesaos da atualidade, reetindo, com isso, no grau de importânciaque se atribui a cada uma delas nos diferentes níveis hierárquicosda companhia. Esse conito de ideias e de percepções dentro
d
esenvoLvimento
 
de
 
pessoAs
 
pArA 
 
 A 
 
sustentABiLidAde
:
umA 
 
 AnáLise
 
compArAtivA 
 
dAs
 
 Ações
 
promovidAs
 
por 
 
empresAs
 
BrAsiLeirAs
Luis Arruda 
Osvaldo Luiz Gonçalves Quelhas 
** 
Resumo
O presente trabalho analisa comparativamente o alinhamento das ações de desenvolvimento de pessoas promo
-
 vidas por empresas brasileiras em relação às suas políticas de sustentabilidade. Resulta da observação de que asempresas possuem diferentes opiniões, e, consequentemente, abordagens próprias, para lidar com as questões dasustentabilidade. Trata-se de um estudo exploratório realizado em literaturas especícas e em relatórios de sus
-
tentabilidade divulgados por empresas brasileiras. Utilizou-se a técnica de análise documental para construir umaexposição sobre os modelos de “gestão de pessoas” e de “educação corporativa” utilizados por essas empresas.Os resultados obtidos apontam duas principais conclusões: 1. as empresas têm se utilizado de programas de re
-
muneração variável como forma de ampliar a motivação dos empregados. Todavia, esses programas nem sempreestão associados às suas políticas de sustentabilidade; e 2. as empresas estão investindo na preparação dos seusempregados para o diálogo social como forma de efetivação das políticas de sustentabilidade.
Palavras-chave:
 
Sustentabilidade; Desenvolvimento Sustentável; Gestão de Pessoas; Educação Corporativa 
.
* Mestre em Sistemas de Gestão (UFF); graduado em Pedagogia (UFRJ); especialista em 
Gestão de Instituições de Ensino (UFSC); gerente de Projetos do Senai/RJ. E-mail: luisarruda@oi.com.br ** Doutor em Engenharia de Produção (UFRJ); professor e vice-coordenador do MestradoProssional em Sistemas de Gestão da Universidade Federal Fluminense (UFF). E-mail: quelhas@latec.uff.br 
Recebido para publicação em: 11.03.2011.
 
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B. Téc. Senac: a R. Educ. Prof.
, Rio de Janeiro, v. 37, nº 2, mai./ago. 2011.
dos processos produtivos sejambiodegradáveis e interajam como ecossistema natural ou sejamreutilizadas como matéria-primade processos produtivos; 3.substituir modelos de negócioque vendam bens por modelosde negócios que vendam ser
-
 viços; e 4. reinvestir recursosnanceiros no capital natural
para que os recursos naturais
não se tornem gargalos ao de
-
senvolvimento futuro.Sisinno e Moreira (2005)
7
 
discutem a implantação deprogramas de ecoeficiênciacomo outra forma de lidar coma sustentabilidade. Nesses pro
-gramas, o processo de produção
é permanentemente monitorado de forma a identicar possíveis
desperdícios no uso da água, da energia e de outros materiais
que gerem, como consequência, o aumento nos gastos e a ge
-
ração de resíduos e euentes. Destacam ainda a metodologia deprodução mais limpa (P+L) como um dos instrumentos capazesde aumentar a competitividade, a inovação e a responsabilidadeambiental no setor produtivo brasileiro.Costa (2005)
8
aponta que, na década de 1990, houve umsignicativo aumento no número de empresas em busca de umamelhoria de imagem utilizando-se de investimentos em açõessociais com recursos privados. Essa solidariedade empresarialtem se mostrado como uma nova fórmula organizacional paraa produção do bem comum. A Norma Internacional de Responsabilidade Social (ISO/FDIS26000)
9
avança nessa discussão. Dene desenvolvimentosustentável como um conceito e uma diretriz, defendendo queseus objetivos são eliminação da pobreza, saúde para todos e
atendimento das necessidades da sociedade vivendo dentro dos
limites ecológicos do planeta e sem prejudicar as necessidadesdas gerações futuras. Com isso, busca contemporizar diferençase estabelecer limites do debate entre o público e o privado ar
-
mando que a sustentabilidade de uma organização pode ou nãoser compatível com a sustentabilidade da sociedade no conjunto. Todavia, de se questionar na Norma Internacional deResponsabilidade Social se no campo do compromisso com ofuturo uma organização pode se isentar dessas responsabilidades.
O contexto histórico brasileiro da sustentabilidade
 A redemocratização do Brasil no início da década de 1980estabeleceu regras do jogo para a governança nacional condicio
-
nada a critérios de sustentabilidade. Uma série de leis ambientaiscriadas nesse período nos permite reconhecer a força relativa
de diferentes
stakeholders 
no sentido de implementar um pro
-
cesso de desenvolvimento sustentável no país (ALEXANDRE;KRISCHKE, 2006).
10
A Política Nacional do Meio Ambiente
eFerenciAL
 
teórico
O discurso do desenvolvimento sustentável: embusca de suas origens
Os modelos de negócio no início deste novo milênio perma
-
necem baseados no paradigma capitalista de produção, em queé permitido extrair do meio ambiente os insumos necessáriospara a produção e, após o processo, retorná-los para a naturezana forma de resíduos e poluentes. Isso tem gerado desequilíbriossociais e conduzido a humanidade para um cenário de desastre. Talvez por isso, sustentabilidade seja um conceito que se encontrano centro dos debates sobre o crescimento econômico, inclusãosocial e meio ambiente.Especialistas apontam que a discussão não se situa mais entredesenvolvimento e proteção do meio ambiente, mas, sim, sobreque tipo de desenvolvimento que se deseja implementar (LOWI,2005; LAYRARGUES, 1997; ARAÚJO; MENDONÇA, 2009).
2
 A revisão da literatura sobre o assunto permite identicarque duas matrizes no campo do desenvolvimento sustentávelconcentram os debates sobre esse tema. A primeira matriz é ado discurso originário dos trabalhos promovidos pela Confe
-
rência de Estocolmo, também conhecida como Comissão deBrundtland (1991).
3
Essa matriz enfatiza a dimensão econômicae tecnológica, entende a economia a partir da lógica de mercadoe defende o crescimento econômico com preservação ambiental.Em Brundtland, as considerações éticas e políticas, assim como asquestões relacionadas à equidade e justiça social, não são tratadas. A segunda matriz tem origem nos trabalhos de Ignácio Sachssobre ecodesenvolvimento (1980).
4
Essa matriz fundamenta-sena crítica à civilização capitalista, enfatiza a equidade social e fazoposição ao reducionismo econômico e tecnológico, defendendoque não há sustentabilidade se não houver a incorporação dasdesigualdades sociais e políticas e de valores éticos de respeitoà vida e às diferenças culturais.Desse debate percebe-se que no ecodesenvolvimento émarcante o compromisso com os direitos e as desigualdades
sociais e com a autonomia dos povos e países menos favore-
cidos na ordem internacional. Em Brundtland há uma ênfaseeconômica e tecnológica e uma tônica conciliadora que tende adespolitizar a proposta de Sachs (LAYRARGUES, 1997; LIMA,2003; DELUIZ; NOVICKI, 2004).
5
Modernas práticas de lidar com sustentabilidade
No campo empresarial, observa-se que as empresas têmprocurado equacionar os objetivos da obtenção de lucros e re
-
muneração de seus acionistas. Calia (2007)
6
destaca nos Estados
Unidos o movimento do capitalismo natural como tentativa deintegrar a vida econômica e social aos uxos dos ciclos biológicos.
Segundo o autor, esse movimento recomenda quatro estratégias
para o desenvolvimento sustentável: 1. aumentar a produtivida
-
de dos recursos naturais utilizados; 2. redesenhar os processosprodutivos de acordo com modelos biológicos em que as saídas
 
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, Rio de Janeiro, v. 37, nº 2, mai./ago. 2011.
do conceito de qualicação prossional (em geral relacionadoà escolarização formal, cargos e hierarquias prossionais) parao de competências prossionais (em que o trabalhador passa aser pressionado a demonstrar ser competente) derivou da racio
-
nalização do trabalho e da incessante busca de produtividade.
Envolvimento dos colaboradores:
o indivíduo e o profssional
O homem é um elemento com dinâmica própria que acumuladurante sua vida as mais variadas experiências em decorrênciade seu relacionamento com os diferentes ambientes que se
apresentam. Independentemente da
posição hierárquica ocupada em umaorganização, o indivíduo anseia per
-
manentemente por atingir objetivosem função das necessidades humanasque lhe são intrínsecas. Os objetivosda organização são atingidos na me
-dida em que seus gestores propiciam
condições para que esse indivíduo
satisfaça suas necessidades. E é nessa
interface – trabalhador-organização – que se identicam claramente ostraços do indivíduo e do prossional
adaptando-se, a cada momento, a
uma nova realidade (BERGAMINI,1984).
16
Na década de 1950, a teoria
comportamental explicou elementosdo comportamento humano nas or
-
ganizações e serviu de contrapontoàs teorias clássica e das relaçõeshumanas. Essa teoria explicou oprocesso pelo qual um conjunto derazões ou motivos induz, incentivaou provoca algum tipo de ação oucomportamento humano. Os funda
-
mentos dessa teoria logo ganharam
espaço na administração, tornando-se
matéria necessária para que os gestores passassem a conheceras necessidades humanas e, com isso, compreendessem melhoros comportamentos organizacionais e utilizassem a motivaçãohumana como meio para melhorar o ambiente organizacional,ou seja, motivar sua equipe para agir em prol dos objetivos daempresa e, simultaneamente, alcançar satisfação das pessoas pormeio do contexto organizacional.Para ajudar a compreender melhor as diferenças entre oindivíduo e o prossional, Wagner e Hollenbeck (1999)
17
es-
truturaram três níveis de análise de comportamento: 1. micro
-
-organizacional, que tem contribuições acentuadas da psicologia,na qual se focalizam os aspectos psicossociais do indivíduo e asdimensões de sua atuação no contexto organizacional; 2. meso
-
-organizacional, voltado para questões relativas aos processosde grupos e equipes de trabalho, cuja compreensão teórica(1981),
11
por exemplo, tornou obrigatória a avaliação de im
-
pacto ambiental e o licenciamento das atividades poluidoras; aConstituição Federal (1988)
12
incorporou questões relacionadasao meio ambiente impondo ao Poder Público e à coletividadeo dever de defendê-lo.Em razão desse marco regulatório, não é raro observar nosdocumentos publicados pelas empresas (relatórios, propagandas
e
sites 
na Internet) a declaração da implementação de estratégiasde desenvolvimento sustentável com as perspectivas do
Triple Bottom Line 
. Ainda que o fenômeno da sustentabilidade possaser considerado recente e desigual quando comparado à suaimplantação nos diferentes setores econômicos, é incontestável aexpansão da introdução de modelosde gestão ambiental e de responsabi
-
lidade social nas empresas brasileirascomo forma de consolidação desuas políticas de desenvolvimentosustentável.
Gestão de pessoas emempresas sustentáveis
Organizações humanas são
compostas de pessoas com dife-
rentes crenças, valores e culturas;que estabelecem relações sociaise estruturas de poder; que geramexternalidades para seu entorno
ao mesmo tempo em que são im-
pactadas pelo ambiente no qual seinserem. Essas e outras questõesrevelam a complexidade dos proble
-
mas da atualidade enfrentados pelasorganizações: eles são cada vez maisabrangentes e difusos.Dupas (2008),
13
analisando osimpactos da “economia do conhe
-
cimento”, destaca a relação contra
-
ditória desse modelo capitalista emque, de um lado, o trabalho passa aser um componente de importância crescente e, de outro, ganhaainda mais importância quanto mais barato puder ser seu o custo. Antunes e Martins (2002),
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ao analisarem os mitos e as verdades sobre o capital intelectual, observam que as empresasdeveriam estar mais preocupadas com as condições de traba
-
lho oferecidas aos seus recursos humanos, uma vez que estesse constituem em seu bem mais precioso, já que cerca de trêsquartos do valor agregado a um produto derivam do conheci
-
mento nele embutido. Em geral, a cultura nas empresas não estácompromissada com o investimento no real desenvolvimentode seus empregados devido à imprevisibilidade gerada peloambiente competitivo. As reestruturações realizadas no mundo do trabalho nosúltimos tempos não conseguiram produzir benefícios susten
-
táveis. Deluiz e Novicki (2004)
15
destacam que o deslocamento
 Ainda que o fenômeno dsustentabilidade possa ser considerado recente e desigual quando comparado à sua implantação nos diferentes 
setores econômicos, é incontestável 
a expansão da introdução de modelos de gestão ambiental e de responsabilidade social nas empresas brasileiras como forma de consolidação de suas políticas de 
desenvolvimento sustentável.

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