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Tema do 4º Domingo do Advento
A liturgia deste último Domingo do Advento refere-se repetidamente ao projecto de vida plena e desalvação definitiva que Deus tem para oferecer aos homens. Esse projecto, anunciado já no AntigoTestamento, torna-se uma realidade concreta, tangível e plena com a Incarnação de Jesus.A primeira leitura apresenta a “promessa” de Deus a David. Deus anuncia, pela boca do profeta Natã, que nunca abandonará o seu Povo nem desistirá de o conduzir ao encontro da felicidade e darealização plenas. A “promessa” de Deus irá concretizar-se num “filho” de David, através do qualDeus oferecerá ao seu Povo a estabilidade, a segurança, a paz, a abundância, a fecundidade, afelicidade sem fim.A segunda leitura chama a esse projecto de salvação, preparado por Deus desde sempre, o“mistério”; e, sobretudo, garante que esse projecto se manifestou, em Jesus, a todos os povos, a fimde que a humanidade inteira integre a família de Deus.O Evangelho refere-se ao momento em que Jesus encarna na história dos homens, a fim de lhestrazer a salvação e a vida definitivas. Mostra como a concretização do projecto de Deus só é possível quando os homens e as mulheres que Ele chama aceitam dizer “sim” ao projecto de Deus,acolher Jesus e apresentá-l’O ao mundo.LEITURA I 2 Sam 7,1-5.8b-12.14a.16Leitura do Segundo Livro de SamuelQuando David já morava em sua casae o Senhor lhe deu tréguas de todos os inimigos que o rodeavam,o rei disse ao profeta Natã:«Como vês, eu moro numa casa de cedro,e a arca de Deus está debaixo de uma tenda». Natã respondeu ao rei:«Faz o que te pede o teu coração, porque o Senhor está contigo». Nessa mesma noite, o Senhor falou a Natã, dizendo:«Vai dizer ao meu servo David: Assim fala o Senhor:Pensas edificar um palácio para Eu habitar?Tirei-te das pastagens onde guardavas os rebanhos, para seres o chefe do meu povo de Israel.Estive contigo em toda a parte por onde andastee exterminei diante de ti todos os teus inimigos.Dar-te-ei um nome tão ilustrecomo o nome dos grandes da terra.Prepararei um lugar para o meu povo de Israel:e nele o instalarei para que habite nesse lugar,sem que jamais tenha receioe sem que os perversos tornem a oprimi-lo como outrora,quando Eu constituía juízes no meu povo de Israel.Farei que vivas seguro de todos os teus inimigos.O Senhor anuncia que te vai fazer uma casa.Quando chegares ao termo dos teus diase fores repousar com teus paisestabelecerei em teu lugar um descendente que há-de nascer de tie consolidarei a tua realeza.
 
Ele construirá um palácio ao meu nomee Eu consolidarei para sempre o teu trono real.Serei para ele um pai e ele será para Mim um filho.A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamentee o teu trono será firme para sempre.AMBIENTEOs Livros de Samuel referem-se a um dos momentos mais importantes da história do AntigoTestamento: o momento da constituição de Israel como Povo, no sentido estrito e pleno da palavra.É durante a época a que os Livros de Samuel aludem que, pela primeira vez na sua história, astribos do Norte (Israel) e do Sul (Judá) se reúnem em torno de um único rei (David) e em torno deuma capital comum (Jerusalém). Estamos nos finais do séc. XI e princípios do séc. X a.C..David tornou-se rei de Judá (Sul) por volta de 1012 a.C.; alguns anos depois, foi convidado pelastribos de Israel (Norte) para reinar sobre elas. David reuniu, portanto, sobre a sua cabeça as duascoroas – a de Israel (Norte) e a de Judá (Sul). Após a união, David teve de eleger uma capital para oseu reino. Foi preciso encontrar, para sede do novo reino, uma cidade geograficamente bemcolocada e, sobretudo, uma cidade neutral, que não criasse tensões entre o norte e o sul, nemdespertasse rivalidades mútuas entre as distintas tribos. Ora Jerusalém, a cidade inexpugnável dos jebuseus, oferecia as condições exigidas… David reuniu, portanto, um comando de profissionais, prescindindo intencionalmente do exército oficial de Israel e de Judá, a fim de que nenhum dos doisreinos reivindicasse o título de propriedade sobre a nova cidade. A cidade de Jerusalém foiconquistada aos jebuseus por volta do ano 1005 a.C. (cf. 2 Sm 5,6-12) e tornou-se, desde então, a“cidade de David”. Mais tarde, David fez transportar para Jerusalém a “Arca da Aliança” (o sinalvisível da presença de Deus no meio do seu Povo), convertendo assim a nova capital do reino emcidade santa para todas as tribos (cf. 2 Sm 6,1-23).Ora, uma vez em Jerusalém, a “Arca” pedia um Templo adequado para lhe dar abrigo. David pensou em construir esse Templo; mas o profeta Natã, inspirado por Jahwéh, segundo o teólogodeuteronomista, opôs-se. Encontramos aqui o eco de uma disputa que dividirá durante muito tempoo Povo de Deus… Para alguns ambientes proféticos, o Templo era uma ofensa a Deus, umatentativa de encerrá-l’O, em vez de deixar-se guiar por Ele. Jahwéh é visto pelos teólogos do Povode Deus como um Deus “nómada”, que acompanha o seu Povo pelos caminhos da vida e da históriae que não tem um lugar fixo, limitado, fechado, para se encontrar com os homens.MENSAGEMPortanto, David não irá construir o Templo. Mas se David não pode dar “estabilidade” ao Senhor,este pode dar estabilidade a David e ao Povo de Deus. Jogando com o duplo significado da palavrahebraica “bait” (“casa”), que pode usar-se para definir a casa de pedra (“Templo”) e a casa real(“família”, “dinastia”), o teólogo deuteronomista explica que se David não vai construir uma “casa”(Templo) para Deus, Deus vai construir uma “casa” (família) para David (“o Senhor anuncia que tevai fazer uma casa” – vers. 11). Trata-se da “Aliança davídica”, que constitui a família de Davidcomo depositária das promessas divinas e garantia de um futuro de estabilidade, de segurança, de paz para o Povo de Deus.Esta “Aliançagarante quer a David, quer a todo o Povo de Deus quatro elementosfundamentais… Em primeiro lugar, garante uma relação especial entre Jahwéh e a descendência deDavid, expressa em termos de filiação (“serei para ele um pai e ele será para mim um filho” – 2 Sm7,14a); em segundo lugar, garante que, através dos reis descendentes de David, o próprio Jahwéhcuidará do seu Povo e o conduzirá pelos caminhos da vida e da história (cf. 2 Sm 7,8.12.16; emterceiro lugar, garante a prosperidade, a paz e a justiça para o Povo de Deus (cf. 2 Sm 7,10); emquarto lugar, garante a eternidade da dinastia e da nação (cf. 2 Sm 7,16). Trata-se de uma“promessa” que põe em relevo a fidelidade de Deus ao seu Povo, o seu amor nunca desmentido emil vezes provado na história, a sua vontade de cuidar do seu Povo, de o libertar e de o conduzir aoencontro da salvação e da vida. Nesta “promessa”, Jahwéh revela-se como esse Deus peregrino,
 
 permanentemente a caminho com o seu Povo e que, ao longo dessa caminhada, se vai revelandocomo a rocha segura e firme na qual o Povo de Deus encontra a salvação.A profecia de Natã constitui o ponto de partida do chamado “messianismo régio”: a promessa deDeus rapidamente extravasa o filho e sucessor de David (Salomão), para se dirigir a uma figura derei “ideal”, que dará cumprimento a todas as aspirações e esperanças que o Povo depositava nadinastia davídica.Esta “profecia/promessa” tornar-se-á, com o passar do tempo, um dos artigos fundamentais da fé deIsrael. Sobretudo em épocas dramáticas de crise e de angústia nacional, a “Aliança davídica” seráum “capital de esperança” que ajudará o Povo a enfrentar as vicissitudes da história. O Povo deDeus passará, então, a sonhar com um Messias, da descendência de David, que oferecerá ao Povode Deus um futuro de liberdade, de abundância, de fecundidade, de paz e de bem-estar sem fim.ACTUALIZAÇÃOConsiderar, na reflexão, os seguintes elementos:• A questão fundamental que o nosso texto põe é a da atitude de Deus diante dos homens e domundo. O catequista deuteronomista, autor deste texto, está seguro de que Jahwéh, o Senhor dahistória, se preocupa com o caminho que os homens percorrem e encontra sempre forma dederramar o seu amor e a sua bondade sobre o Povo que ele próprio elegeu. Numa época em que acultura dominante parece apostada em decretar a “morte” de Deus ou, pelo menos, em torná-lo umainofensiva figura de cera e em exilá-lo para o museu das experiências pré-racionais, é importante para nós crentes não esquecermos esta certeza que a Palavra de Deus nos deixa: o nosso Deus preside à história humana, vem continuamente ao encontro dos homens, faz com eles uma Aliança,oferece-lhes a paz e a justiça e aponta-lhes o caminho para a verdadeira vida, a verdadeiraliberdade, a verdadeira salvação.• Se é Deus quem conduz a história humana, não temos razão para temer o futuro do mundo. Oshomens podem inventar a morte, a violência, a injusta, a opressão, a explorão, osimperialismos; mas Deus saberá conduzir a história dos homens e do mundo a bom porto, de acordocom o seu projecto de amor e de salvação. Esta certeza deve levar-nos a encarar a história humanacom optimismo, com esperança e com confiança, mesmo quando as forças da morte pareceremcontrolar a nossa história e dirigir as nossas vidas.• É preciso, nestes dias que antecedem o Natal, ter consciência de que a promessa de Deus a Davidse concretiza em Jesus… Ele é esse “rei” da descendência de David que Deus enviou ao nossoencontro para nos apontar o caminho para o reino da justiça, da paz, do amor e da felicidade semfim. Que acolhimento é que esse “rei” encontra no nosso coração e na nossa vida?• Mais uma vez, a Palavra de Deus deixa claro que Deus intervém no mundo e concretiza os seus projectos de salvação através de homens a quem Ele confia determinada missão (“tirei-te das pastagens onde guardavas os rebanhos, para seres o chefe do meu povo de Israel”). Estou disponível para que Deus, atras de mim, possa continuar a oferecer a salvão aos meus iros, particularmente aos pobres, aos humildes, aos marginalizados, aos excluídos do mundo?SALMO RESPONSORIAL Salmo 88 (89)Refrão 1: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.Refrão 2: Senhor, cantarei eternamente a vossa bondade.Cantarei eternamente as misericórdias do Senho
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