Ele construirá um palácio ao meu nomee Eu consolidarei para sempre o teu trono real.Serei para ele um pai e ele será para Mim um filho.A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamentee o teu trono será firme para sempre.AMBIENTEOs Livros de Samuel referem-se a um dos momentos mais importantes da história do AntigoTestamento: o momento da constituição de Israel como Povo, no sentido estrito e pleno da palavra.É durante a época a que os Livros de Samuel aludem que, pela primeira vez na sua história, astribos do Norte (Israel) e do Sul (Judá) se reúnem em torno de um único rei (David) e em torno deuma capital comum (Jerusalém). Estamos nos finais do séc. XI e princípios do séc. X a.C..David tornou-se rei de Judá (Sul) por volta de 1012 a.C.; alguns anos depois, foi convidado pelastribos de Israel (Norte) para reinar sobre elas. David reuniu, portanto, sobre a sua cabeça as duascoroas – a de Israel (Norte) e a de Judá (Sul). Após a união, David teve de eleger uma capital para oseu reino. Foi preciso encontrar, para sede do novo reino, uma cidade geograficamente bemcolocada e, sobretudo, uma cidade neutral, que não criasse tensões entre o norte e o sul, nemdespertasse rivalidades mútuas entre as distintas tribos. Ora Jerusalém, a cidade inexpugnável dos jebuseus, oferecia as condições exigidas… David reuniu, portanto, um comando de profissionais, prescindindo intencionalmente do exército oficial de Israel e de Judá, a fim de que nenhum dos doisreinos reivindicasse o título de propriedade sobre a nova cidade. A cidade de Jerusalém foiconquistada aos jebuseus por volta do ano 1005 a.C. (cf. 2 Sm 5,6-12) e tornou-se, desde então, a“cidade de David”. Mais tarde, David fez transportar para Jerusalém a “Arca da Aliança” (o sinalvisível da presença de Deus no meio do seu Povo), convertendo assim a nova capital do reino emcidade santa para todas as tribos (cf. 2 Sm 6,1-23).Ora, uma vez em Jerusalém, a “Arca” pedia um Templo adequado para lhe dar abrigo. David pensou em construir esse Templo; mas o profeta Natã, inspirado por Jahwéh, segundo o teólogodeuteronomista, opôs-se. Encontramos aqui o eco de uma disputa que dividirá durante muito tempoo Povo de Deus… Para alguns ambientes proféticos, o Templo era uma ofensa a Deus, umatentativa de encerrá-l’O, em vez de deixar-se guiar por Ele. Jahwéh é visto pelos teólogos do Povode Deus como um Deus “nómada”, que acompanha o seu Povo pelos caminhos da vida e da históriae que não tem um lugar fixo, limitado, fechado, para se encontrar com os homens.MENSAGEMPortanto, David não irá construir o Templo. Mas se David não pode dar “estabilidade” ao Senhor,este pode dar estabilidade a David e ao Povo de Deus. Jogando com o duplo significado da palavrahebraica “bait” (“casa”), que pode usar-se para definir a casa de pedra (“Templo”) e a casa real(“família”, “dinastia”), o teólogo deuteronomista explica que se David não vai construir uma “casa”(Templo) para Deus, Deus vai construir uma “casa” (família) para David (“o Senhor anuncia que tevai fazer uma casa” – vers. 11). Trata-se da “Aliança davídica”, que constitui a família de Davidcomo depositária das promessas divinas e garantia de um futuro de estabilidade, de segurança, de paz para o Povo de Deus.Esta “Aliança” garante – quer a David, quer a todo o Povo de Deus – quatro elementosfundamentais… Em primeiro lugar, garante uma relação especial entre Jahwéh e a descendência deDavid, expressa em termos de filiação (“serei para ele um pai e ele será para mim um filho” – 2 Sm7,14a); em segundo lugar, garante que, através dos reis descendentes de David, o próprio Jahwéhcuidará do seu Povo e o conduzirá pelos caminhos da vida e da história (cf. 2 Sm 7,8.12.16; emterceiro lugar, garante a prosperidade, a paz e a justiça para o Povo de Deus (cf. 2 Sm 7,10); emquarto lugar, garante a eternidade da dinastia e da nação (cf. 2 Sm 7,16). Trata-se de uma“promessa” que põe em relevo a fidelidade de Deus ao seu Povo, o seu amor nunca desmentido emil vezes provado na história, a sua vontade de cuidar do seu Povo, de o libertar e de o conduzir aoencontro da salvação e da vida. Nesta “promessa”, Jahwéh revela-se como esse Deus peregrino,
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