PRENDA DE ANOS
Abriu as mãos, desconchando
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as, e delas tombou a pedrinha. Os olhos damenina seguiram a queda, até se fecharem como se se protegesse do adivinhadoruído.- Isso que trouxe para mim?O pai acenou. Que sim, trouxera da viagem para o aniversário da mais nova.Uma anónima pedra, sem tamanho nem cor especiais. Ser pedra era o único valor daquela prenda. A menina já conhecia as ofertas que lhe cabiam: pena de corvo, casca dearbusto, fragmento de chão. Tudo fragrância do natural, nada comprado nemcomparável. Esses sendo seus mimos desde que nascera consumado o pensarpaterno
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o que se dá, quando se ama, não se compra. A moça levou a prenda e colocou
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a sobre a mesa de seu quarto. Sentou - se,sem gesto nem ruído. Assim calada, esperava que a pedra saísse do silêncio.- Nenhuma coisa é um qualquer nada. Assim prendera a inventar nome para os mimos incógnitos objectos. Ela vestiaesses pequenos desvalores com histórias que retirava de sua fantasia. Nessecriar ela mesma se iluminava. A restante família se opunha a este fazer de conta. Para os outros, aquilo era umdesgaste de tempo, desconversação. As amigas da moça, por igual, lhedesvalorizavam as dádivas. E exibiam os seus pertences, cheios de preços. Etanto o faziam que, às vezes, a menina era roída por súbitas invejas. Comoaquela que agora despontava em sua alma. Porque ela, sentada na penumbra doquarto, não lograva inventar nenhuma fantasia para a prenda de anos, algo queconvertesse a pedra em coisa única.Então, o pai entrou no aposento e igualmente se sentou. Não se imagina o quesentado se alcança fazer. É verdade: o homem se constitui graças à marcha. Masfoi o sentar que forjou a melhor fatia da nossa humanidade.- Lhe explico a palavra, filha. Paisagem vem de pai
…
A filha riu, enquanto ele lhe contava como descobrira aquela pedra, tão aquela enenhuma mais. Começava, então, a prenda não de aniversário mas de
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