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L uta ocial  
Caderno Nº4
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EDITORIAL- NACIONALIZAÇÃO DA BANCA.PIADA OU MISTIFICAÇÃO?- PORTUGAL PAÍS NEO-COLONIAL- POLÍTICA E TOURADAS
Maio de 2009
 
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Editorial
Há em Portugal uma confluência de várias crises:
A crise do capitalismo global cujo impacto se amplia porqueincide sobre um país pobre, desestruturado, endividado,endemicamente fragilizado seo mesmo esgotado comoprojecto nacional;
A crise do capitalismo português, histórica, própria de um casoespecial de antigo país neocolonial e colonizador, gerou aburguesia mais tacanha e conservadora da Europa e, maisrecentemente, o esgotamento dos benefícios iniciais da diluiçãona UE, acentuou o seu carácter periférico e subalterno;
A crise das qualificações num mundo aberto e colocado emselvática concorrência, resulta do conservadorismo mistificadorque gera diplomas a esmo, nem sempre portadores deconhecimentos, numa lógica de venda de cascas de alho emembalagem de perfume;
A crise do Estado que se manifesta num asfixiante sistemafiscal, no enquistamento de uma burocracia corrupta e geradorade pobreza e acentuadas desigualdades, a soldo de umpunhado de novos e velhos ricos;
A crise da representação, com fórmulas esgotadas e criadorasde um grande cepticismo popular quanto ao partido-Estadobifalo PS/PSD, como quanto às capacidades da esquerdaparlamentar;
A crise do movimento social, onde a fraca implantação dacrítica sistémica, do capitalismo, do Estado e do autoritarismose junta com o imobilismo burocrático do movimento sindical,no quadro de uma fraca presença da organização autónoma dostrabalhadores.Neste contexto poderá dizer-se que o destrinçar do novelo criarianecessidades subjectivas de mudança. No quadro institucional dir-se-ia que nada melhor, para esse efeito, do que três actos eleitorais –Parlamento Europeu, Assembleia da República e órgãos autárquicos.Porém é preciso ter em conta:
A polarização em cinco forças eleitorais que monopolizam adiscussão dos problemas e a atenção dos media num sistema
 
2eleitoral fechado que tende a dificultar qualquer iniciativaautónoma exterior;
A descrença no sistema de representação que se revela,crescentemente, através da abstenção eleitoral, sem que daí resultem alternativas consistentes de contestação que não umarevolta surda ou o vociferar por um retorno ao passado;
As eleições europeias têm mais relevância mediática por causaduns epítetos vernaculares dirigidos a um candidato e doeventual pequeno-almoço de “maizena” de outro do que porqualquer discussão sobre as instituições europeias, o golpe dotratado de Lisboa, a real ausência de um projecto europeu; poroutro lado, o Parlamento Europeu, também não tem visibilidade,nem evidencia uma particular utilidade na vida da multidão;
As eleições legislativas, com o PS/PSD garantido no poder,como imposto pelo patronato, o deverão conduzir a umadinâmica transformadora à esquerda capaz de aproveitar asfraquezas do capitalismo e do anti-democrático sistema derepresentação;
Nas eleições autárquicas, as ligações entre o poder camarário eo imobiliário, tenderão a manter florescentes os veis decorrupção e a degradação urbana, neste caso, tanto do pontode vista do ordenamento, como da mobilidade, como ainda doambiente;
É bastante evidente que não existe uma vaga de fundo popularde luta por um conjunto de mudanças reais, quer no contextoeleitoral, quer fora dele, apesar de uma revolta larvar bempresente, mas que tarda em se manifestar.Essa ausência de perspectivas de mudança deriva de factores vários,tais como:
Um muito fraco grau de conhecimento comum, de organizaçãoe de concertação por parte dos trabalhadores europeus,acentuados pela actuão dos media, dos partidos e pelospróprios sindicatos, que provocam uma sensaçãodesmotivadora de isolamento nos trabalhadores de cada país;
A crença num modelo de concertação global como forma únicade fazer ceder o capitalismo e os seus agentes, restringindo-seas lutas, demasiadas vezes, a um quadro nacional, sectorial, deempresa, facilitando a repressão patronal ou estatal;

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