A MADEIRA E O NOVO MUNDO ATL=NTICO NOS SICULOS XVI E XVII
ALBERTO VIEIRA
CENTRO DE ESTUDOS DE HIST[RIA
DO ATL=NTICO(Funchal-Madeira)
"A ilha da Madeira... que Deus pos no mar ocidental
para escala, refdgio, colheita e remJdio dos navegan-
tes, que de Portugal e de outros regnos vno, e de ou
tros portos e navegaHtes vLm para diversas partes,
alJm dos que para ela somente navegam, levando-lhe
mercadorias estrangeiras e muito dinheiro para se
aproveitar do retorno que dela levam para suas
ter-
ras...".(Gaspar Frutuoso, Livro segundo das
Saudades da
Terra, P.Delgada, 1979, pp.99-100)
O texto de Gaspar Frutuoso propicia-nos sempre mdltiplas
pistas capazes de definiram uma orientaHno na pesquisa hist\rica. A
ligaHno desta fonte narrativa com as documentais disponRveisJ a
via mais segura a seguir. Todavia estamos habituados a ver e ouvir
perspectivas que s\ se apegam a este testemunho, alheando-se do
que diz a documentaHno, com dados, por vezes, contradit\rios. NnoJ
o caso do tema que nos propomos tratar, pois Gaspar Frutuoso, por
indmeras vezes, traHa de forma clarividente os vectores que
definiram o relacionamento da ilha com o Novo e Velho Mundos, no
decurso do sJculo dezasseis.
A total comprovaHno desta realidade est< na documentaHno,
nomeadamente nos registos alfandeg<rios e protocolos notariais.
Os acervos documentais madeirenses carecem de ambos os ndcleos
documentais, o que obriga o historiador a enveredar por outro
caminho. A compilaHno de todos os dados, ainda que desconexos,J a
via mais usada, o que conduz aquilo a que se soe designar de
Hist\ria aned\tica.
A tudo isto acresce o facto de por norma se esquecer que o
HomemJ o verdadeiro protagonista deste processo, pelo queJ
sacrificado em favor dos ndmeros. Por isso hoje decidimos inverter
os papeis e comeHamos pelos homens, como meio para chegar a
definiHno dos vectores do comercio madeirense nos sJculos XVI e
XVII.
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