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Sistemas energéticos: uma análise conceitual

Sistemas energéticos: uma análise conceitual

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Este artigo faz uma discussão sobre o conceito de sistemas energéticos, enfatizando o sistema elétrico, na tentativa de identificar suas principais características.
Este artigo faz uma discussão sobre o conceito de sistemas energéticos, enfatizando o sistema elétrico, na tentativa de identificar suas principais características.

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Categories:Types, Research
Published by: Marcos Vinicius Miranda da Silva on May 29, 2009
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SISTEMAS
 
ENERGÉTICOS:
 
UMA
 
ANÁLISE
 
CONCEITUAL
 
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PIPGE/USPenergiapara@yahoo.com.br
RESUMO
A análise dos sistemas energéticos é dificultada pelo pouco conhecimento que se tem sobre osmesmos. No caso particular do sistema elétrico, ainda é comum compreendê-lo apenas comoum conjunto de plantas de conversão e redes de transmissão e distribuição de energia. Aconstatação desse problema acabou motivando a elaboração deste artigo, no qual algunsaspectos fundamentais à compreensão desses sistemas são analisados. Acredita-se que o usoinadequado do conceito de energia tem causado um problema de comunicação, que se reflete,por exemplo, na percepção da energia como o catalisador do desenvolvimentosocioeconômico. Por essa razão, recomenda-se que tal conceito seja substituído pelo conceitode sistema energético quando a abordagem estiver relacionada a contextos sistêmicos.
ABSTRACT
Energy systems analysis has been hindered by a lack of knowledge on these systems. In theparticular case of the electric system, it is still common to understand it just as a set of electricpower plants and transmission and distribution grids. The verification of this problem providedthe motivation for the elaboration of this article in which some aspects considered fundamentalto the understanding of the energy systems and their interactions with others systems areanalyzed. Believe inadequate use of the concept of energy system has caused acommunication problem that it echoes – for example – on the perception of energy as thesocioeconomic development catalyst. For this reason, it is recommended that such concept issubstituted by the concept of energy system when the approach is related to systemic contexts.
1. A IMPORTÂNCIA DO CONCEITO DE SISTEMA ENERGÉTICO
 
Os seres humanos não sobrevivem por muito tempo sem consumir uma quantidade mínima deenergia na forma de alimentos. Essa é a característica que os torna dependentes de energia.Para desenvolver atividades normais, uma pessoa adulta precisa consumir diariamente pelomenos 2.100 kcal
1
. Consumos inferiores a 1.500 kcal por dia levam à degradação do corpohumano (DEBEIR
et al 
., 1993).Nas sociedades mais pobres, a energia desempenha a função primordial de garantir asobrevivência dos indivíduos. Sua utilização está praticamente restrita ao atendimento dasnecessidades mais básicas. As fontes energéticas consumidas são essencialmente biológicas.A biomassa, como a lenha e o esterco, é usada para a cocção de alimentos, iluminação eaquecimento das habitações, enquanto a energia fornecida por seres humanos e por animaisestá presente na agricultura de subsistência e no transporte dos alimentos. Nessas sociedades,tais fontes energéticas são predominantes, devido ao baixo nível de desenvolvimentoeconômico e tecnológico.
Citar este artigo da seguinte forma:
SILVA, Marcos Vinicius Miranda da . Sistemas energéticos: uma análiseconceitual. In: 7 Congresso Internacional sobre Geração Distribuída e Energia no Meio Rural - AGRENERGD 2008, 2008, Fortaleza. Semi-Árido, Energia e Desenvolvimento Sustentável, 2008.
 
1
Essa quantidade de energia na forma de alimentos é utilizada como referência básica pela OrganizaçãoMundial de Saúde.
 
Nas sociedades mais ricas e mais complexas em termos de organização, a função da energianão é mais garantir as condições mínimas de sobrevivência, porque as necessidadesenergéticas básicas dos indivíduos estão satisfatoriamente atendidas. Nessas sociedades, opapel principal da energia consiste em manter e elevar o nível de prosperidade e bem-estar.Por outro lado, a natureza das fontes energéticas consumidas não é mais biológica, pois oconsumo de petróleo, carvão, gás natural, urânio, predomina em suas matrizes energéticasprimárias.É fácil perceber que em qualquer sociedade a energia está presente no dia-a-dia de cadaindivíduo e que ela é indispensável para o desenvolvimento das diversas atividadeseconômicas e sociais. Talvez seja por essa razão que FOLEY (1992) considera o conceito deenergia um dos mais familiares.Se a energia é vital à espécie humana e contribui para a prosperidade e bem-estar dassociedades, seus atuais padrões de conversão
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, transporte e consumo representam umaconstante ameaça ao meio ambiente e, conseqüentemente, aos próprios seres humanos. Osresíduos das usinas nucleares, a intensificação do aquecimento global, a chuva ácida, osderramamentos de petróleo nos mares e oceanos, a poluição do ar nas grandes cidades, sãoconseqüências desses padrões.A evolução da Física tem dado importantes contribuições para o entendimento do conceito deenergia, mas elas ainda não são definitivas. Na Física Clássica, força e matéria, a primeiratratada como sinônimo de energia, eram os conceitos fundamentais utilizados para acompreensão dos fenômenos da natureza. Havia uma nítida distinção entre matéria e energia,caracterizada tanto pelas peculiaridades físicas, uma vez que energia era destituída de massa,quanto pelas leis que regiam essas duas entidades conceituais. A partir do momento em quenovos aspectos da energia começaram a ser percebidos, tais como: o caráter indestrutível, aconservação em sistemas fechados, a existência em diversas formas, a resistência à alteraçãodo movimento e a presença de massa, o conceito de energia tomou um novo rumo. Hoje,devido às contribuições da Física Contemporânea, sabe-se que existe uma equivalência entreenergia e matéria. Em decorrência disso, o conceito de campo
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tornou-se fundamental.
Sabemos, com base na teoria da relatividade, que a matéria representaenormes reservatórios de energia e que energia representa matéria (...).Folgadamente, a maior parte da energia está concentrada na matéria; mas ocampo que circunda a partícula também representa energia, embora emquantidade incomensuravelmente menor. Poderíamos, portanto, dizer:Matéria é onde a concentração de energia é grande, e campo onde aconcentração de energia é pequena. Mas se esse for o caso, então adiferença entre matéria e energia é mais quantitativa do que qualitativa. Nãohá sentido algum em se considerar matéria e energia como duas qualidadesmuito diferentes uma da outra. Não podemos imaginar uma superfíciedefinida separando distintamente campo e matéria (EINSTEIN e INFELD,1966, p. 197-198).
Embora todo esse extraordinário avanço do conhecimento científico tenha possibilitado maiorcompreensão de algumas peculiaridades da energia, esse conceito possui utilidade restrita nocontexto sistêmico.Há várias definições funcionais do conceito de energia que atendem necessidades de cadaárea do conhecimento. Assim, para a Física, energia é a capacidade de realizar trabalho,sendo este definido matematicamente pelo produto de aplicação de uma força pelodeslocamento do ponto sobre o qual ela foi aplicada. Para a Biologia, energia representa umacondição para o desenvolvimento, para a manutenção e para a perpetuação das espécies. NaEconomia, energia é percebida como um fator de produção.
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O termo conversão de energia é mais apropriado do que os termos produção ou geração de energia nãoapenas quando se aborda temáticas sobre sistemas energéticos. Contudo, estes últimos predominam naliteratura. Essa é uma falha que precisa ser corrigida.
3
Para a Física, “campo significa ‘distribuição contínua de algumas condições predominantes, através deum contínuo’ onde a palavra ‘condição’ indica uma grandeza qualquer, que pode variar segundo oproblema de que se trata” (D’ABRO, s.d., s.p.
apud 
ABBAGNANO, 2000, p. 114).
 
 Apesar de ser bastante utilizado na literatura sobre sistemas energéticos, o conceito funcionalde energia fornecido pela Física pode conduzir a equívocos. Por exemplo, interpretar “trabalho”como sinônimo de atividade produtiva pode levar alguém menos atento a concluir que aenergia por si só é capaz de promover o crescimento econômico, pois a capacidade deproduzir trabalho, como estabelece o conceito, é uma função da energia.A percepção de inter-relações pouco consistentes entre energia e desenvolvimento é muitocomum. Nelas, a energia é capaz de reduzir a fome, elevar a expectativa de vida, impulsionar ocrescimento econômico, garantir educação, saúde e segurança pública; enfim, promover odesenvolvimento das sociedades. Talvez isso esteja relacionado ao uso inadequado doconceito de energia.SUÁREZ (1995), por exemplo, afirma que a energia tem um papel determinante sobre o índicede desenvolvimento humano (IDH), particularmente nos países pobres. FOLEY (1992) diz quea diferença entre sociedades com economias mais desenvolvidas e menos desenvolvidas foicriada quase totalmente pela disponibilidade relativa de energia nessas duas sociedades.GOLDEMBERG (1998), embora reconheça que o baixo consumo energético não é a únicacausa de pobreza e subdesenvolvimento e que a energia isoladamente tem pouca importânciatanto para o desenvolvimento socioeconômico quanto para o crescimento econômico, tambémfoi vítima desse reducionismo, quando supõe que o consumo de energia comercial poderepercutir no analfabetismo, mortalidade infantil, fertilidade total e expectativa de vida.
Na maioria dos países em desenvolvimento, onde o consumo de energiacomercial per capita é abaixo de uma tonelada equivalente de petróleo (TEP)por ano, as taxas de analfabetismo, mortalidade infantil e fertilidade total sãoaltas, enquanto que a expectativa de vida é baixa. Ultrapassar a barreira de 1TEP/capita parece, portanto, um instrumento importante para odesenvolvimento e a mudança social (GOLDEMBERG, 1998, p.42).
SILVA & BERMANN (2004) mostram que alguns países com per capita energético mais baixoque o Brasil apresentam melhores indicadores sociais que este país. Isso descarta a tese dodesenvolvimento social como causa do maior consumo de energia.VITEZLAV (1979) afirma que o conceito de sistema
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foi formulado e se desenvolveu a partir dosurgimento da concepção interdisciplinar. Dessa forma, entende-se que a utilização do conceitode sistema energético é mais adequada para abordar todos os aspectos relacionados à ofertae ao consumo da energia.De acordo com DEBEIR
et al 
. (1993), a substituição do conceito de energia pelo conceito desistema energético evitaria interpretações parciais, que não incluem os aspectos ecológicos etecnológicos das tendências energéticas na sociedade, permitindo identificar mais facilmenteas estruturas de apropriação e de gerenciamento tanto das fontes energéticas quanto dastecnologias de produção de energia.
Um sistema energético é a combinação original de diversas linhas deconversores, que se caracterizam pela utilização de determinadas fontes deenergia e por sua interdependência, pela iniciativa e sob o controle declasses ou grupos sociais, os quais se desenvolvem e se reforçam com baseneste controle (DEBEIR
et al 
., 1993, p. 21).
BAJAY (1989, s.p.) define o sistema energético como “um sistema social, com atoresindividuais e atores institucionais que estão tomando constantemente numerosas decisões”.Todo sistema energético é aberto, porque, através de suas diversas linhas de conversores(subsistemas energéticos)
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, ele estabelece relações dinâmicas e não-lineares deinterdependência com outros sistemas a partir de fluxos contínuos de energia, emissão depoluentes, tecnologia, capital, pessoal. A finalidade desse sistema consiste em fornecer energia
4
Segundo VON BERTALANFFY (1975, p. 84), sistema é “um complexo de elementos em interações”.
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Os sistemas elétrico e petrolífero são exemplos de subsistemas energéticos que fazem parte daestrutura do sistema energético de uma sociedade.

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