divulgado dias atrás pela ONU, voltado especificamente para os países da Bacia do Rioda Prata (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia).O Brasil é um país privilegiado num planetasedento. Tem cerca de 14% de toda a água doceque circula pela superfície da Terra. Mas adistribuição dessa abundância é desigual. Cercade 80% da água disponível está na Bacia Amazônica, daí a preocupação dos especialistasda ONU com a Bacia do Prata. A maior parte da população – e da atividade econômica –do país está em grandes centros urbanos dessa bacia, onde a oferta de líquido potável écada vez mais escassa. A maior cidade do país, São Paulo, está perto do limite. O volumede água de rios e represas disponível hoje é praticamente igual à demanda da população.A metrópole, de certa forma, já importa água. As represas da região metropolitana,abastecidas por nascentes como a do Centro Artemísia, só dão conta de metade doconsumo da cidade. O resto é bombeado da Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari eJundiaí, cujas águas naturalmente correriam pelo interior do Estado, ao largo da cidade.De acordo com Dilma Pena, secretária de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo,é preciso buscar novas fontes de água para a cidade. “Caso contrário, em cinco anosfaltará água na região”, diz ela. Um dos projetos do gabinete de Dilma é ampliar aestação que vai buscar água explorana região do Alto Rio Tietê, a 36 quilômetros dacapital, a última fonte possível para os paulistanos. Se o consumo continuar crescendo noritmo atual, será preciso buscar mais água até 2025. “Ela deverá ser captada no interiorou até em outros Estados, o que torna tudo mais caro”,diz Dilma.A disputa pela água no Brasil já vai muito além doscasos conhecidos no Agreste nordestino. O estudo daONU menciona conflitos pelo uso da água dos riosParaíba do Sul, Piracicaba, Capivari – na RegiãoSudeste. “Na Região Sul, as áreas de conflito maisvisível resultam da demanda para irrigar campos dearroz e da degradação da qualidade da água,especialmente nas áreas de criação intensiva de gado”,diz o relatório. A disputa afeta cidades como SantoAntônio da Patrulha, Gravataí, Alvorada eCachoeirinha, na região metropolitana de PortoAlegre. A área, que reúne 650 mil habitantes, éabastecida pelo Rio Jacuí. No verão, a estiagem faz avazão do rio cair 40%. Plantadores de arroz, situadosacima dos pontos de captação de água para as cidades, aumentam o bombeamento parairrigar suas lavouras. O resultado é que as cidades ficam sem água. “Nos anos maiscríticos, o Ministério Público precisa intervir para garantir a prioridade da população”,afirma o diretor do Departamento Municipal de Água e Esgoto, Flavio Presser.A China está pagando pelo descuidoambiental. Cerca de 70% dos riosestão poluídos e 320 milhões depessoas bebem água contaminadaLÍQUIDOJoão Guimarães, da Boticário, emuma nascente de São Paulo. Eletenta convencer os proprietários apreservar os mananciais.
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