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Hábitos Eclesiásticos na Roma do Século XIX

Hábitos Eclesiásticos na Roma do Século XIX

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Clerical Dress in the City of Rome in the 19th Century, translated into Portuguese for NLM
Clerical Dress in the City of Rome in the 19th Century, translated into Portuguese for NLM

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07/11/2014

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H
ÁBITOS
E
CLESIÁSTICOS NA
OMA DO
S
ÉCULO
XIX
 Maurizio Bettoja
1
 
P
REFÁCIO
 
Trajar uma forma identificável de veste clerical sempre foi prescrito pela Igreja e, hoje,o uso da batina em todos os momentos tornou-se um forte símbolo de identidade sacer-dotal e adesão à tradição – particularmente à luz do amplo abandono da veste talar des-de os tempos do Concílio [Vaticano II].É interessante notar, todavia, que o uso da batina, originalmente parte do vestuário tar-dio-romano e medieval dos magistrados, sofreu uma evolução nos últimos 150 anos;uma evolução com a qual muitos se surpreenderiam. Do ponto de vista da história, é possível que muitos não tenham conhecimento de que, há pouco mais de um século, a batina era exclusivamente de uso litúrgico, cerimonial e áulico
2
. O uso diário remontasomente à virada do século XIX, seguindo o costume francês dos tempos da revoluçãode 1789. Ironicamente, o uso diário, hoje considerado símbolo fortemente tradicional,fora, um dia, considerado de maneira diferente.É importante clarificar que a intenção deste artigo não é desqualificar o uso da batinacomo vemos hoje. Ao contrário, o propósito é, simplesmente, oferecer uma considera-ção histórica, ilustrando a tradicional lógica, anterior ao final do século XIX, de ter otraje litúrgico e cerimonial distinto do cotidiano, tentando descrever o que era vestido pelo clero antes da mudança de fins do oitocentos, como mostrado numa série de foto-grafias da sociedade romana datadas entre 1860 e 1880 e de retratos e pinturas contem- porâneas.Devemos começar com o final.* * *
P
ARS
P
RIMA
 
Do diário romano do Príncipe Dom Agostino Chigi:
 Domingo, 6 de fevereiro de 1848
– Nos últimos dias, tendo alguns eclesiásti-cos, incluindo alguns do Cabido de São Pedro, aparecido em público portan-do chapéu redondo (no lugar do ordinário chapéu de três pontas) com umacurta borla e um cordão pendente, o Cardeal Vigário, por ordem afixada emtodas as sacristias, proibiu qualquer inovação no traje dos padres.
 
 Segunda-feira, 17 de junho de 1850
– É tido por certo que o plano de ter oSacro Colégio e todo o Clero usando sotaina como traje cotidiano foi excluí-do, e parece que não mais será discutido
3
.
 

1
[N.T.] Tradução do artigo produzido por Maurizio Bettoja a pedido de Shawn Tribe para o sitewww.newliturgicalmovement.org. Original emwww.newliturgicalmovement.org/2010/09/clerical-dress-in-city-of-rome-in-19th.htmlehttp://www.newliturgicalmovement.org/2010/09/clerical-dress-in-city-of-rome-in-19th_10.html.
2
[N.T.] Próprio da corte ou dos cortesãos.
3
[N.A.]
 Al tempo del Papa-Re: il diario del principe Don Agostino Chigi dall’anno 1830 al 1855
, Milão,1966. Uma reunião de cardeais discutiu a adoção da batina para prelados e clérigos.
 
O que é considerado mais ostensivamente «tradicionalista» do que o capelo romano e a batina? Todavia, na conservadora, tradicional Roma de meados do oitocentos, amboseram escandalosamente uma inovação francesa moderna e liberal a resistir-se vigorosa-mente. O traje cotidiano para clérigos e prelados em Romae no resto da Itália era o chamado
abito corto
4
ou
 abito d’abate
5
, que é essencialmente uma casaca delã negra comprida até os joelhos (procedente dosséculos XVII e XVIII, cristalizou-se e parou de sedesenvolver) com calções, sapatos afivelados e umcurto ferraiolo. Essa era a vestimenta apropriada atémesmo para a audiência privada de um cardeal como Papa, muito embora nas audiências públicas fosseo hábito coral. Gaetano Moroni, em seu famoso
 Dizionario di erudizione storico-ecclesiastica
(Ve-neza, 1840-1865-1879) menciona, inclusive, visitasde cardeais a soberanos em hábito curto; o qual erauniversalmente portado por todas as categorias declérigos que não os religiosos. Antes do termo doséculo XIX, os padres geralmente usavam-no comoo hábito próprio para os momentos não litúrgicos: a batina, sendo um adorno muito mais formal do queo hábito curto, era reservada à Sagrada Liturgia e àsocasiões cerimoniais. Como hábito coral, a batinaera designada por 
abito di formalità
.O hábito curto era uma mais austera versão do trajeformal dos cavalheiros setecentistas. O
abito dicittà
, o traje formal ou áulico do laicato na Itália,era muito similar, sendo totalmente negro e incluin-do, até mesmo, um
 ferraioletto
8
ou um
 ferraiolone
9
,um casaco que vai até os joelhos, um colete, botões e fivelas de prata ou de gemas, umagola rendada ou
 facciole
10
, punhos de renda, calções, uma
 sottanella
ou saiote, sapatosde fivelas e uma espada. Esse hábito citadino
 
 permaneceu em uso generalizado até cercade 1848 e continuou a ser usado na Corte Pontifícia até os tempos do Papa Paulo VI.

4
[N.A.] Hábito curto.
5
[N.A.] Hábito de padre.
6
[N.A.] Hábito formal.
7
[N.A.] Hábito citadino, também conhecido como
abito di spada
.
8
[N.T.] Pequeno ferraiolo.
9
[N.A.] Grande e longo ferraiolo.
10
[N.A.]
 Facciole
era o prolongamento do colarinho – consiste de duas faixas de musselina ou rendausadas sobre o colete e não sob a veste como o colarinho clerical –, originado no século XVII, ornado derendas e ulteriormente praticamente substituído por elas. O
 facciole
de cambraia de linho ou
rabat 
eratradicionalmente usado na França pelo clero.
Padre em hábito curto,
 ferraioletto
(aslapelas do
 ferraioletto
são visíveissobre os ombros e a barra da capapode ser vista pendendo pouco abaixoda casaca) e chapéu romano tricorne.(MONTAULT, Mons. Barbier.
 Lecoutume et les usages ecclesiastiquesselon la tradition Romaine
, Paris,1897-1901)
 
 
O hábito curto para eclesiásticos era uma versão mais sóbria, austera e até mais digna dotraje cavalheiresco, comalgumas diferenças signifi-cantes: em primeiro lugar,ele era completamente ne-gro, desprovido de qualquer coloração; era de fazenda preta, nunca veludo ou seda(exceto o ferraiolo paraestratos mais altos do cle-ro); sem colarinho, borla ou punhos rendados; os botõeseram do mesmo material daveste (ou de seda colorida para prelados), nunca de prata, ouro ou pedras; nãohá espada. Particularmentesignificativo, na sociedadedo Antigo Regime, é a es-colha de um simples tecidonegro e a ausência de ren-das, as quais, sendo extre-mamente caras e preciosas,estavam intimamente asso-ciadas a cargos e
 splendor vitæ
; o tecido negro era,então, notavelmente auste-ro. A qualidade da fazendaera relativa à posição ocu- pada: em Roma, por exem- plo, nenhum clérigo poderiausar veludo a não ser o Pa- pa, o qual vestia uma moze-ta hibernal de veludo púrpura e uma longa capa magnatambém de veludo púrpura por ocasião do Natal.Essa forma de vestimenta, digna ainda que austera e ime-diatamente identificada como eclesiástica, correspondiaàs normas do Concílio Tridentino, o qual regulamentouque os clérigos deveriam se vestir digna, sóbria e cleri-calmente, deixando a forma exata ao encargo do bispodiocesano e ao costume local.
Sua Alteza Sereníssima DomDomenico Napoleone Orsini(1868-1947), por hereditarieda-de Príncipe Assistente da SantaSé (cf. website da família Orsi-ni), em hábito
 
citadino ou hábi-to de espada, quase idêntico aohábito curto, exceto pelo saioteou
sottanella
, o
 facciole
ou cola-rinho rendado, punhos renda-dos, fivelas e botões metálicos eespada. Sua altíssima posição éindicada pelo veludo, seda erenda em seu trajo e, especial-mente, pelo longo
 ferraiolo
ou
erraiolone
(similar ao
 ferraiolo
 vestido com hábito piano). Esseera o traje áulico usado pelosmais altos oficiais leigos daCorte Pontifícia; aquela vesteneorrenascentista mais teatraldos
Camariei Segreti di Cappa e Spada
(camareiros papais) foiinventado sob Pio IX no finalda década de 1840, antes do queeles usavam como ordináriotraje áulico o hábito citadino.Gentil-homem do CardealOttaviani (1956). A fotografiaestá longe de ser clara, mas otraje é idêntico àquele dopríncipe Orsini, mas comalgumas simplificações: oferraiolo é um
 ferraioletto
e,consequentemente, mais cur-to; o traje é de lã negra e osbotões de seda negra. Sendouma procissão, ele porta ochapéu cardinalício.

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