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O lixo dos pobres e dos ricos (Brasil)
De setembro a dezembro de 2003, a geóloga Maria de Fátima da Silva Nunesmaia, da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia, coordenou uma pesquisa que contou com a ajuda da Empresa de Limpeza Pública de Salvador (Limpurb). O grupo de Nunesmaia analisou, a composição do lixo doméstico produzido pela população da capital baiana. Entre as principais diferenças encontradas entre o lixodos mais ricos (renda familiar acima de 15 salários mínimos) e o dos desfavorecidos(renda de até cinco salários mínimos)
está o percentual de resíduos orgânicos
.Enquanto os soteropolitanos mais abonados têm 50% de material orgânico em seu lixo,nas camadas mais pobres essa parte representa 57%, em média. No descarte de papel e papelão, os ricos costumam ter percentualmente o dobro do montante de seusconterrâneos mais pobres, 7,28% contra 3,56%, respectivamente. Apesar do estudominucioso, a geóloga admite que boa parte do lixo, especialmente o das classes maisricas, pode ter sido recolhida pelos catadores antes de chegar às mãos dos pesquisadores. Uma hipótese que se reforça ao olharmos a participação dos resíduossólidos na economia nacional.
AMBIENTAL
=------- NÃO SEI SE E NECESARIO------------=
 A reciclagem de lixo, da
 
maneira como tem sido trabalhada, é considerada por alguns especialistas como maisum obstáculo ao desenvolvimento ambientalmente responsável da sociedade. Quemexplica isso é o engenheiro sanitário Paulo Roberto Santos Moraes, da Universidade Federal da Bahia. “A mensagem que se ouve é a de que com a reciclagem o problemado lixo está resolvido, enquanto não há nenhum esforço para tentar reduzir a própria produção do lixo, que é a origem do problema”, alerta o pesquisador ao revelar quetem detectado aumentos ano após ano na quantidade de lixo produzida sem que nada seja feito a respeito. Além disso, Moraes lembra que muitas vezes não são consideradosos custos ecológicos da reciclagem como os gastos com água e energia demandados no processo e que podem acabar gerando um ônus ambiental maior do que se o material  fosse enterrado num aterro. ----------- SE QUISER REMOV OU RESUMA--------------
E apesar de a reciclagem ajudar economicamente muita gente e reduzir consideravelmente o volume dos aterros, no Brasil ela tem desprezado a parte do lixoque mais causa impacto ambiental, a orgânica, segundo apurou Maria de Fátima Nunesmaia.
“É o lixo orgânico que polui o solo, contamina cisternas e lençóisfreáticos,”
diz a pesquisadora.
“Como a quantidade de material orgânico é maiornas classes menos favorecidas, o Brasil possui um grande volume desse tipo de lixosendo descartado sem nenhum tratamento”
, denuncia a geóloga. A especialistaaponta o exemplo do Canadá, onde o lixo orgânico tem uma participação nos resíduossólidos bem menor que no Brasil. Naquele país, comitês regionais são responsáveis pelotratamento do lixo orgânico em mini-usinas locais de compostagem. “Éramos nós quedevíamos fazer isso e dar o exemplo ao mundo”, lamenta Nunesmaia.
ECONOMIA
Brasil joga US$ 10 bi no lixo a cada ano
Com um índice nacional de 20% de reciclagem, o
Brasil perde por ano omontante de US$ 10 bilhões por não recuperar todo o seu lixo.
A conta foi feita pelo
 
economista especialista em meio ambiente, Sabetai Calderoni, do Instituto BrasilAmbiente.
“Não tem saída, os aterros ficarão cada vez mais caros a ponto setornarem inviáveis a qualquer prefeitura”
, acredita Calderoni. Segundo ele, uma prefeitura de uma cidade de
200 mil habitantes gasta, em média, R$ 8 milhões porano com o transporte de lixo
. Se ela reciclasse todos os resíduos sólidos, além deeconomizar os R$ 8 milhões, ainda ganharia R$15 milhões reciclando, inclusive o lixoorgânico. “Com a vantagem de que um centro de reciclagem tem uma área sete milvezes menor que a de um aterro sanitário”, explica o economista. O problema é que areciclagem não agrada a todos os setores da economia.Há grandes corporações com interesses econômicos diretamente relacionados aoaumento da produção do lixo. “Basta lembrar que a maioria das companhias de limpeza pública terceirizadas cobram por tonelada de lixo coletada”, revela o engenheirosanitário Paulo Roberto Moraes, da UFBA. Além disso, aterros sanitários controladostêm atraído investidores internacionais ao Brasil, de olho no mercado internacional decréditos de carbono (veja reportagem). Também há os fabricantes de embalagens quenão se interessam, por motivos óbvios, em criar produtos retornáveis. Para todos essesramos da economia, diminuir a quantidade de lixo representa ganhar menos dinheiro.“Interesses poderosos não deixaram que o Brasil tivesse até hoje uma políticanacional de tratamento de resíduos sólidos. Os projetos de lei que abordaram a questãonão foram adiante,” lamenta o engenheiro, para quem
são necessárias mudançaseducacionais e culturais em todos os níveis a fim de que o Brasil evolua nessaquestão
. O pesquisador recomenda as diretrizes básicas para que o capitalismomoderno não seja soterrado pelo seu próprio lixo: primeiro, devemos reduzir a produçãode resíduos; segundo, reciclar o lixo que for produzido e, por fim, tratar o que não puder ser reaproveitado. Necessariamente nessa ordem.
OUTRA PESQUISA
Uma pesquisa feita no município de Vitória-ES, considerando a classe sócio-econômica da população geradora em função de sua faixa de renda média mensal por domicílio (classes sociais A, B, C e D).
A partir de 01/02/2009, o novo valor do Salário Mínimono Brasil foi designado para
R$ 465,00
.
 Classe A: Acima de 30 salários mínimosClasse B: De 15 a 30 salários mínimos.Classe C: De 6 a 15 salários mínimos.Classe D: De 2 a 6 salários mínimos.Classe E: Até 2 salários mínimos.Os resultados médios da caracterização física primária indicam que o lixourbano municipal é composto por 16,81% de papéis, 19,51% de plásticos, 3,08% demetais, 1,69% de vidros, 48,51% de matéria orgânica, 1,44% demadeira/couro/borracha, 3,84% de trapos e 5,15% de itens diversos.A quantidade média total de material reciclável potencialmente comercializável,composto pelos itens papéis, plásticos, metais e vidros, totalizou 41,07% para o lixomunicipal. Considerando-se o lixo gerado pela população de cada classe social o totalencontrado foi de 46,60% para o lixo da classe A; 42,63% para a classe B; 37,45% paraa classe C e 37,59% para a classe D. O peso específico médio encontrado para o lixomunicipal foi de 188,95Kg/m3 e a geração per capita média de lixo pela população foide 0,762Kg/Hab./dia. Os resultados médios da caracterização física secundária indicamque o lixo urbano municipal apresenta em sua composição física 15,10% de papéis,18,87% de plásticos, 2,87% de metais e 1,53% de vidros efetivamente comercializáveis,totalizando 30,37% no lixo municipal. Considerando-se o lixo gerado pela população de
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