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O Padrão Bíblico de Avivamento
por
Rev. Josivaldo de França Pereira
 
Qual o padrão bíblico de avivamento? Os avivamentos bíblicos oferecem algumacoordenada para a renovação da igreja evangélica no Brasil de hoje?Estas são algumas das perguntas que procuraremos responder no decorrer desseestudo.
I - O significado bíblico do termo "Avivamento":1.1. No Antigo Testamento:
O verbo hebraico
hyh
(avivar) tem o significado primário de "preservar" ou"manter vivo". Porém, "avivar" não significa somente preservar ou manter vivo,mas também purificar, corrigir e livrar do mal. Esta é uma conseqüência naturalem toda vez que Deus aviva. Na história de cada avivamento, dentro ou fora daBíblia, lemos que Deus purifica, livra do mal e do pecado, tira a escória e as coisasque estavam impedindo o progresso da causa (1).O verbo "avivar", em suas várias formas (2), é usado mais de 250 vezes no AntigoTestamento, das quais 55 vezes estão num grau chamado piel. Um verbo nasformas do Piel expressa uma ação ativa intensiva no hebraico. Neste sentido, oavivamento é sempre indicado como uma obra ativa e intensiva de Deus. Algunsexemplos de sua ocorrência são as clássicas orações de Davi, como esta:"Porventura, não tornarás a vivificar-nos (3), para que em ti se regozije o teupovo?" (Sl 85.6) (4), e da clássica oração do profeta Habacuque: "Tenho ouvido, óSenhor, as tuas declarações, e me sinto alarmado; aviva a tua obra, ó Senhor, nodecorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-teda misericórdia" (Hc 3.2).
1.2. No Novo Testamento:
Encontramos no Novo Testamento grego um conjunto de palavras que expressamo conceito básico de avivamento. São elas: 'egeíro, 'anastáso, 'anázoe e 'anakaínoo.
 
Outras palavras gregas comparam o avivamento ao reacender de uma chama quese apaga aos poucos (cf. 'anazopyréo em 2 Tm 1.6) ou uma planta que lança novosbrotos e "floresce novamente" (cf. 'anaphállo em Fp 4.10).No Novo Testamento grego as palavras supracitadas aparecem, no contexto deavivamento, apenas sete vezes, embora a idéia básica de avivamento seja sugeridacom mais freqüência. Uma possível explicação para o uso escasso dos termos, emcomparação ao Antigo Testamento, é que o Novo cobre apenas uma geração,durante a qual a Igreja Cristã desfrutou, na maior parte do tempo, um grauincomum de vida espiritual.
II - O que não é avivamento bíblico:
Antes de falarmos sobre avivamento bíblico, propriamente dito, acreditamos ser degrande ajuda uma abordagem, mesmo que rápida, do que não é o padrão bíblicode avivamento.O Rev. Hernandes Dias Lopes, em seu livro AVIVAMENTO URGENTE, apresentasete interessantes razões sobre o que não deve ser entendido como avivamento deverdade. Sou devedor ao dileto colega por suas pertinentes observações.Transcrevo-as quase que na íntegra.
2.1. Avivamento não é um programa agendado pela igreja.
Avivamento não é ação da igreja, mas de Deus. Avivamento é obra soberana e livredo Espírito Santo. A igreja não promove e nem faz avivamento. A igreja não éagente de avivamento. A igreja não agenda e nem programa avivamento. A igrejasó pode buscar o avivamento e preparar o caminho da sua chegada. A igreja nãoproduz o vento do Espírito, ela só pode içar suas velas em direção a esse vento.A soberania de Deus, no entanto, não anula a responsabilidade humana. Oavivamento jamais virá se a igreja não preparar o caminho do Senhor (5). Oavivamento jamais acontecerá se a igreja não se humilhar. Sem oração da igreja, aschuvas torrenciais de Deus não descerão. Sem busca não há encontro. Semobediência a Deus, jamais haverá derramamento do Espírito. Contudo, quemdetermina o quando e o como do avivamento é Deus. Ele é soberano. DavidBrainerd orou vários anos pelo avivamento entre os índios peles vermelhas noséculo XVIII. Aquele jovem, ajoelhado na neve, suava de molhar a camisa, emagonia de alma, em oração fervente, em favor daqueles pobres índios. Quando oseu coração parecia desalentado e já não havia prenúncios de chuva da parte deDeus, o Espírito foi poderosamente derramado e os corações se dobraram a Cristoaos milhares.
 
2.2. Avivamento não é mudança doutrinária.
Cometem ledo engano aqueles que querem descartar a teologia e desprezar adoutrina na busca do avivamento. Desprezar a doutrina é dinamitar os alicerces davida cristã. Desprezar a doutrina é querer levantar um edifício sem lançar ofundamento. Desprezar a doutrina é querer por um corpo de pé e em movimentosem a estrutura óssea.Não há vida piedosa sem doutrina. A doutrina é a base da ética. A teologia é mãeda ética. "Assim como o homem crê no seu coração, assim ele é" (Pv 23.7).Vida sem doutrina gera misticismo e experiencialismo subjetivista. Avivamentosem doutrina é fogo de palha, é movimento emocionalista, é experiencialismopersonalista e antropocentrista. Deus tem compromisso com a verdade e a suaPalavra é a verdade e todo avivamento precisa estar fundamentado na Palavra. Oavivamento precisa estar norteado pelas Escrituras e não por sonhos e visões.Precisa estar dentro das balizas da Bíblia e não dentro dos muros de revelaçõessubjetivistas, muitas vezes feitas na carne.
2.3. Avivamento não é mudança litúrgica.
Muitos crentes confundem avivamento com forma de culto, com liturgia animada,com coreografia e instrumental aparatoso.Louvor não é encenação. Não é mimetismo. Não é ritualismo. Não éemocionalismo. Não é apenas seguir formas pré-estabelecidas, como bater palmas,dizer aleluia, amém e levantar as mãos. Louvor não é pululância, gingos e dança(6). Louvor que apenas levanta as mãos para o alto, mas não as estende para onecessitado não agrada a Deus. A Bíblia ordena levantar mãos santas ao Senhor,num gesto de rendição e entrega (I Tm 2.8). Louvor em que a pessoa apenas saltitae pula, mas não vive em santidade, é ofensa a Deus. Louvor que apenas verbalizacoisas bonitas para Deus, mas não leva Deus a sério na vida é fogo estranho diantedo Senhor.Louvor que não produz mudança de vida, quebrantamento, obediência e não levaas pessoas a confiarem em Deus, não é louvor, é barulho aos ouvidos de Deus.Assim diz o Senhor: "Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque nãoouvirei as melodias das tuas liras" (Am 5.23).Hoje estamos vivendo a época dos shows evangélicos, dos show-men, dosanimadores de programas religiosos, do "rock evangélico", das músicas badaladaspor um ritmo sensual.
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