não podem ser reduzidas a nada reconhecidamente lógico. Não digo isso como reprovação; pois,seu método pode ter sido o mais útil par a ele tendo em vista seu ob jetivo; apenas o digo para tornar por contraste mais claro meu propósito. O comprimento de uma demonstração não deve ser medidocom a régua. Pode-se fazer com que uma demonstração pareça breve sobre o papel facilmente, pulando membros intermediários da cadeia dedutiva e deixando passos apenas indicados.Ger almente nos contentamos com que cada passo da demonstr ação nos par eça evidentemente
correto, e isto é lícito se apenas queremos convencer da verdade do enunciado por demonstrar. Mas,quando se trata de propor cionar uma compreensão da natur eza desta evidência, este procedimento
não é suficiente, mas há que escrever todos os estágios intermediários, para jogar sobre eles toda aluz de nossa consciência. Os matemáticos costumam estar interessados apenas no conteúdo doenunciado e em que seja provado. Aqui o novo não é o conteúdo do enunciado, mas como ademonstr ação é r ealizada, sobre quais fundamentos ela se apóia. Não se deve estr anhar que este ponto de vista essencialmente distinto exija também outro tipo de tratamento. Se se demonstra damaneir a usual um dos nossos enunciados, facilmente se passar á por alto algum enunciado que parece desnecessário para a demonstração. Porém, sob um exame mais detalhado de minhademonstração se verá, segundo creio, que esse enunciado é indispensável, a não ser que se queiratomar um caminho completamente diferente. Por isso, talvez, encontrem-se aqui e ali em nossosenunciados condições que a pr imeira vista par eçam desnecessárias, mas que logo mostr am-senecessárias, ou que pelo menos somente podem ser abandonadas com algum outro enunciado por demonstr ar .Eu realizo aqui um projeto que já havia tido em vista no meu
Begriffschrift
do ano de 1879 eque anunciei em meus
Fundamentos da aritmética
do ano de 1884.
2
Eu quero demonstrar com a prática minha concepção sobre o número que expus no último dos livros citados. O fundamental demeus r esultados expr essei ali, no § 46, dizendo que a atr ibuição de númer o contém uma asser ção
(
Ausage
)
sobre um conceito (
Begriffe
); e nisto se baseia a presente exposição. Se alguém tem umaconce pção diferente, que tente fundamentar sobr e ela mediante sinais uma exposição consequente e
útil, e verá como não se pode. Na linguagem natural, a situação não é obviamente tão transparente;mas, se se examina cuidadosamente, se achará que também aqui ao atribuir-se um número emprega-se sempre um conceito, e não um grupo, um agregado ou algo do tipo e que, inclusive se isto ocorrealguma vez, o grupo ou o agregado sempre está determinado por um conceito, quer dizer, pelas propriedades que deve ter um objeto para pertencer ao grupo, enquanto que para o número écompletamente indifer ente o que torna grupo o grupo, sistema o sistema, ou as r elações que têm as partes entre si.A razão de porque a realização atrasou tanto depois de seu anúncio em parte se deve atransformações internas da conceitografia, que me obrigaram a abandonar o manuscrito que estava já quase terminado. Explicar ei aqui br evemente estes melhor amentos. Os sinais pr imitivosempregados no meu
Begriffschrift
aparecem aqui de novo com uma única exceção. Em vez de trêstr aços par alelos empreguei o sinal de igualdade usual, postoque me convenci que na ar itmética estetambém se refere ao mesmo que eu quero designar. Com efeito, uso a palavra “igual” com a mesmareferência que “coincidente com” ou “idêntico a”, e realmente assim é como se usa também naaritmética o sinal de igualdade. O paradoxo que aparentemente surge daí provém, sem dúvida, daausência da distinção entr e sinal e designado. Clar amente na equação “2
2
=2+2” o sinal da esquer daé diferente do que está à direita; mas, ambos designam ou se referem ao mesmo número.
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Aos sinais pr imitivos antigos adicionei somente dois: o ‘es pírito suave’ para designar o curso de valores de
uma função e um sinal que deve substituir o artigo definido da linguagem natural. A introdução docurso de valores das funções é um progresso essencial, a que se deve uma mobilidade muito maior.Os sinais derivados anteriores podem ser substituídos agora por outros sinais, mais simples, se bemque as definições da univocidade de uma r elação, da sucessão em uma sér ie, a figur ação se jam as
2Compare-se com a Introdução e os §§ 90 e 91 de
Fundamentos da Aritmética
; Breslau, edição de Wilhelm Koeber,1884.3Naturalmente, também posso dizer: o sentido do sinal que está à direita é diferente do sinal que está à esquerda;mas, a referência é a mesma. Veja-se meu ensaio “Sobre o sentido e a referência”,
supra
, pp. 49 e ss..
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