O comunismo de guerra e a ditadura do proletariado
De acordo com a
teoria marxista
, a
ditadura do proletariado
é a
etapa de transição
entre asociedade capitalista e a
edificação do comunismo
(sociedade sem classes). No decurso dessa etapa, oproletariado (classe dominante),
deveria “abater os opressores”
, retirando todo o capital á burguesia,centralizando os meios de produção nas mãos do Estado. Assim se chegaria a um ponto onde já não havia
desigualdade social
, e o Estado (sendo um instrumento de domínio), deixaria de fazer sentido e
cessaria de existir
, e aí tornar-se-ia possível
falar de liberdade
. A ditadura do proletariado é uma
etapa imprescindível
para a construção de uma
sociedade comunista
, marcada pela supressão doEstado e pela eliminação da desigualdade social. A etapa final é então o
comunismo.Comunismo
Etapa final da revolução proletária que se caracteriza pela
extinção do Estado
e pelo
desaparecimento das classes sociais
.O conjunto de medidas que conduziram á instauração da ditadura do proletariado denomina-se de
comunismo de guerra
(assim chamado devido ao facto de ter sido instaurada durante a guerra civil,1918-1921). O comunismo de guerra
sucedeu à democracia dos sovietes
, substituindo os decretosrevolucionários por novas medidas, mais radicais.
toda a
economia foi nacionalizada
(fazendo parte do Estado);
institui-se um regime de partido único, o
Partido Comunista
;
O Terror institucionalizou-se com o
estabelecimento da censura
e a criação da
Tcheca
, policiapolitica.
O centralismo democrático
Em 1922 foi criada a
URSS (União das Republicas Socialistas Soviéticas)
. A organização do Estadocomunista da Rússia Soviética denominou-se de
centralismo democrático
, sistema que assentava nosseguintes princípios:
o poder partia da base
das sociedade, os sovietes. Os sovietes eram eleitos pela população por
sufrágio universal
, e a partir deles elegiam-se os poderes superiores;
a organização do
Partido Comunista
seguia a mesma estrutura, as bases do partido elegiam osorganismos superiores;
não existia separação clara dos poderes
legislativo, executivo, judicial;
apenas o Partido Comunista era permitido, pois considerava-se que era o único capaz de representar oproletariado, ou seja,
proibiam-se todos os outros
;
o Estado era controlado pelo Partido Comunista.
A NEP (Nova Politica Económica)
A NEP consistiu numa
viragem da economia
, no sentido de
superar a terrível crise económica
herdada da guerra civil. Considerando que o comunismo teria de ser construído com base no progressoeconómico, Lenine passou a
defender medidas do tipo capitalista
(recuo estratégico, para o socialismonão se edificar sobre ruínas) para
estimular a produção
:
Estabeleceu um
imposto a pagar
, em vez dos camponeses entregaram todos os seus excedentes;
permitiu a
venda directa
dos produtos dos camponeses;
aceitou a
ajuda do estrangeiro
;
eliminou
o trabalho obrigatório.A NEP (1921-1927), resultou numa
melhoria assinalável
dos níveis de produção.
A regressão do demoliberalismo
Os anos que se seguiram á Primeira Guerra Mundial trouxeram á Europa
profundas dificuldadeseconómicas e financeiras
. Esta situação leva a um
descontentamento generalizado
que se traduzem greves e o
espírito revolucionário
estende-se por todo a Europa, isto é, o desespero das populaçõesperante a crise leva à procura de
novas soluções politicas
e à
adesão de projectos políticosextremistas
, quer de esquerda, quer de direita:
Os partidos de esquerda
intensificavam a sua acção, denunciando os males do capitalismo. NaAlemanha, proclamou-se
“uma
república
socialista”
. Mesmo na França, na Grã-Bretanha e na Itália, aonda revolucionária de esquerda se fez sentir, inspirada pela III Internacional de Moscovo fundada em1919 (que defendia a união do operariado a nível internacional, impondo o socialismo no mundo).Estes acontecimentos
denunciavam as democracias liberais
e a sua incapacidade em resolver osproblemas económicos e sociais. No entanto, em países como a Alemanha e a Itália, o
medo aobolchevismo
levou a que se apoiasse soluções politicas de
extrema-direita
, levando à adesão de
regimes autoritários e fascistas
(Jamais poderia agradar o controlo operário da produção à burguesia).A emergência dos autoritarismos, confirmava a
regressão do demoliberalismo.