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educação popular

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Educação Popular e Intervenção Comunitária: Contribuições para a reflexãosobre empoderamento.AMÂNCIO
, Cristhiane - CPDA/UFRRJ
GT:
Educação Popular/ nº 06
Agência Financiadora:
. CAPES
Introduzindo a Educação Popular
 Á luz de toda discussão sobre participação social, valorização do conhecimento popular e alternativas pedagógicas que promovam a emancipação de sujeitos críticos,surge o que chamamos de educação popular.Partindo do pressuposto que as atividades de educação popular não tenha em suafundamentação pedagógica um programa de referência que sirva de eixo básico deações subentende-se que não existem conteúdos pré-estabelecidos a serem ensinados.Esse é um grande diferencial dessa pedagogia, pois os fatores de problematizaçãoaparecerão no decorrer dos programas de forma conexa com os sujeitos envolvidos esuas mediatizações ambientais e sociais. Ou seja, é a história de vida de cada sujeito éque contextualizará as atividades pedagógicas, sejam elas formais ou não formais, dasatividades intervencionistas com base na educação popular. O papel do mediador ou doeducador será o de “
dar força e jeito para que esses grupos populares transformem de fato o dia de amanhã 
” (FREIRE. in FREIRE; NOGUEIRA, 1989, p. 21). Compreender que as necessidades poderão ser satisfeitas a medida que o grupo se tornar mais coeso,mais solidário e mais reflexivo soa caminhos possíveis onde esses indivíduos começama dimensionar suas próprias potencialidades e limites. A opção de escolha sobre qualmodelo econômico de comercialização a ser seguido, de organização, de adoção denovas tecnologias passa a ser desses indivíduos que passam a contar com seu poder decontraposição ou de barganha para com relações de poder que antes pareciam tãodistantes da realidade e hoje se fazem presentes nos círculos de reflexão com base na pedagogia popular. Esses círculos permitem que as pessoas se reúnam e reflitamcoletivamente sobre seus problemas e suas histórias individuais permitindo que sejamtomadas decisões coletivas, uma postura coletiva. Suas preocupações passam a ser muito mais na organização coletiva que nas atenções individuais. O nível decompreensão se dará na horizontalidade e o comportamento desses indivíduos por horacoletivizados será observado por muito mais pessoas.
 
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 Nas relações de cultura popular a oralidade é o principal instrumento para aexpressão de determinados assuntos, onde ao se expor ocorre um exercício de memóriae de tomada de posição, um empoderamento de ambos os envolvidos no processo decomunicação, o narrador e o expectador. Caso nós acadêmicos não saibamos nosadequar aos pressupostos desta pedagogia popular corre-se o risco de sobreposição dafala institucionalizada aos saber popular, onde dessa forma “
 se o discurso do acadêmico soa alto e dominante
 sobre
 
a fala popular, esse discurso congela-se em conceito,congela a consciência, faz com que esta adormeça no interior de frases feitas. Desaparece a ênfase na luta, entendida como curiosidade interrogadora e crítica daordem. Permanecerão somente pacotes de frases feitas”.
(FREIRE. in FREIRE; NOGUEIRA, 1989 p. 30-31). Esse conhecimento através da oralidade serve também para analisar o papel dos interventores, ou seja, dos indivíduos que de certa maneirafazem a ponte entre as comunidades populares e o restante da sociedade civil, do Estadoe do mercado.Esse diferencial da pedagogia popular que tem servido de embasamento teórico-metodológico para a maior parte das ONG´s que trabalham com a emancipação social,com a expansão dos direitos e com o combate a pobreza traz no seu cerne uma reflexãosobre uma nova postura dos agentes que por hora chamamos de interventores e tambémsobre uma nova práxis frente aos agentes cujo os trabalhos estejam sendodesenvolvidos, porque o processo comunicativo exige muito mais que uma açãoexpectadora entre um agente e um expectador. Essa comunicação é alienadora e proveniente do tipo de racionalidade que impera nos sistemas de controle social produzidas como conseqüência da racionalidade burocrática tecnificada. Esse controlereduz as capacidades de ação comunicativa entre as pessoas como ressalta tambémHabermas (1990; 1992) que com sua “teoria da ação comunicativa” busca reabilitar o
mundo da vida
com vistas a superar a alienação humana. A “teoria da açãocomunicativa” tem como objetivo central mostrar que a racionalidade humana é maisampla que a razão moderna e pode ser reconstruída através de um processo deaprendizagem coletiva (no cultivo da linguagem e da argumentação produtora deconsensos). Essa superação da alienação deve dar prioridade à construção de uma novaracionalidade. Tanto para Habermas, quanto para Freire é através da ação comunicativaancorada na realidade concreta dos sujeitos é que será possível recuperar o tecido social promovendo a verdadeira soberania popular pela qual a sociedade civil organizada passa a exercer controle sobre os espaços de diálogos públicos, bem como do Estado,
 
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representante do poder máximo e também de outras relações burocráticas, entre elas omercado (ZITKOSKI, 2000).Com essa forma de pensar Freire problematiza a ação dialógica como a prática dodiálogo que mantém vivo a dialeticidade entre ação e reflexão, onde essa relação faz parte de um processo histórico e incompleto. É pelo exercício da linguagem que nostornamos sujeitos históricos com a capacidade de construir intersubjetivamente umasociedade em comunhão de objetivos.É fundamental perceber como a pedagogia popular entende conhecimento,dialogicidade e sujeito para compreender dos recursos metodológicos adotados por quem comunga dessa proposta, é importante também para compreender porque que àmais de três décadas Paulo Freire ainda predomina nas bases metodológicas das açõesintervencionistas das ONG´s mais progressistas.O conhecimento não é um ato de transmissão de conteúdos onde as relações sãoativo-passivas e sim ele só existe se ocorre uma apropriação do aprendido econseqüentemente uma transformação desse em ações e/ou reflexões nas situaçõesconcretas de cada vivência, o aprendido é apreendido, transformado e reinventado. Ouseja, o ato de conhecer não pode ter relação com o ato de transformar o outro em objetode receptividade passiva de conteúdo. A participação não pode ser uma participação passiva e nem parcial. O conhecimento exige uma presença do sujeito no mundo e como mundo. Requer uma ação transformadora sobre a realidade, uma curiosidadeconstante. Exige inventar e reinventar, exige um conhecimento sobre si mesmo, que permite se reconhecer e ao se reconhecer se transformar, entender como se conheceu ecomo se deu o processo de transformação, para assim ampliar essa relação dialógica desi consigo mesmo para outras dimensões sociais. Por isso mesmo que no processo deaprendizagem só aprende mesmo aquele que se apropria do aprendido. A percepção parcializada da realidade não permite aos homens agirem de forma autêntica sobre ela.O que tem sido um dos grandes equívocos das atividades de organização e intervençãoem comunidades populares. Esse equívoco de não ver a realidade com totalidade. A problematização crítica destas relações é que constituem o conhecimento (FREIRE,1977).
1.2 – A invasão cultural e a teoria da ação para Paulo Freire.
Para Freire (1977) todo indivíduo, independente do nível da ação, age de acordocom uma teoria. Sendo assim, nos é necessário que tenhamos uma lucidez em relação a

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