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Responsabilidade Ética e Compromisso Socialna Formação do Psicólogo*
Achilles Delari JuniorDanielle Jardim BarretoDiocleide SilvaFrancisca Carneiro de Sousa Klöckner
* DELARI JR., A. et al.
Responsabilidade ética e compromisso socialna formação do psicólogo
. Resumo expandido para mesa redondahomônima. Curitiba: PUC-PR: X Encontro da Abrapso Regional Sul.2004. 11 p.
 
 
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Responsabilidade Ética e Compromisso Socialna Formação do Psicólogo
Achilles Delari Junior
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Danielle Jardim Barreto
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Diocleide Silva
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Francisca Carneiro de Sousa Klöckner
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 “Será a sociedade superior ao indivíduo, oueste é responsável pela sociedade da qualfaz parte? Esta é a contradição a serenfrentada no século XXI” — Silvia Lane (2000, p. 67)
O trabalho aqui apresentado retrata um momento de um processo de discussão e deestudo téorico-metodológico em andamento. Tal processo está situado num trabalhomais amplo de todo um colegiado em busca das melhores referências possíveis nadefinição de para onde e por onde pretendemos caminhar no processo de formaçãode psicólogos em função de um projeto político pedagógico norteador. Trabalho esteque aqui não poderemos expor em toda sua complexidade, acertos e dificuldades.Do mesmo modo, não podemos nem pretendemos nos apresentar como porta-vozesdo pensamento de todo o coletivo, não só em função de o processo estar em curso,como por sabermos que os entendimentos sobre diferentes questões relativas àformação são mesmo distintos, polimorfos, diversos. Nesse sentido, ao falarmos,cada um de nós a seu modo, do que entendemos por “responsabilidade ética” e“compromisso social” na formação do psicólogo, não o faremos como quem defendeuma tese ou expõe um teorema, mas antes como quem compõe um enunciado econvida à réplica – para que a trama dialógica se constitua, e as veredas de sentidose delineiem no próprio passo que as abre.Ao mesmo tempo, se isso nos afasta do dogmatismo, o pólo do relativismo tambémnão nos é desejável. Segundo Bakhtin (1997), o diálogo é inviabilizado tanto pelasposturas dogmáticas, onde ele se faz impossível, quanto pelas relativistas, onde setorna desnecessário. Quem fala, não apenas fala, mas o faz para alguém, sobrealgo e, sobretudo, de um determinado lugar. E o que articula, para nós, estas trêscondições de produção de nossa(s) fala(s) é campo desafiante e impulsionador daPsicologia Social. Se o autor de “As palavras e as coisas” disse que “oestruturalismo não é um método novo, é a consciência desperta e inquieta do sabermoderno” (FOUCAULT, 1992, p. 222), abstraindo o estruturalismo, podemosparafraseá-lo dizendo que o papel da Psicologia Social em nosso país tem sido, nainterface abordagem/intervenção, o de uma “consciência desperta e inquieta dosaber psicológico”.Temos observado isso desde as origens históricas da psicologia social comunitária,com as primeiras incursões no campo das campanhas de alfabetização “freireanas”
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Psicólogo, mestre em Educação pela UNICAMP na área “Educação, conhecimento, linguagem earte”. Professor da Faculdade de Psicologia da UNIPAR de 2003 a 2006.
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Psicóloga, mestre em Psicologia e Sociedade pela UNESP/Assis. Professora da Faculdade dePsicologia da UNIPAR.
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Psicóloga, mestre em Psicologia Social pela UFPB. Professora da Faculdade de Psicologia daUNIPAR.
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Psicóloga, mestre em Psicologia Social pela UFPB. Professora da Faculdade de Psicologia daUNIPAR.
 
 
 
2 de 11e no da inserção aguerrida na luta anti-manicomial, como narra Silvia Lane (2003).Claramente, a psicologia social desdobra-se, desde uma práxis em defesa daemancipação humana via transformação social, para a própria revisão paradigmáticada ciência psicológica hegemônica, com sua suposta neutralidade política atada à justificação ideológica de um sujeito auto-constituído. Diante da Psicologia Social asdemais psicologias vêem-se convidadas a dobrar-se sobre elas mesmas, a olharem-se no espelho, são convidadas a refletir e refazer seu próprio lugar social. O pensar-fazer em Psicologia Social opera uma virada copernicana: a maioria das psicologiastem buscado compreender as relações sociais desde determinações individuais;trata-se, no entanto, de buscar compreender a composição da individualidade desdeas relações sociais, constituídas cultural e historicamente, em meio a lutas ealianças coletivas que constantemente refazem os cenários possíveis para a vidacotidiana e para constituição da consciência, da atividade e da afetividade humana.Tomar uma atitude sequer próxima a esta, diante do processo de formação depsicólogos seria nosso grande desafio e nossa maior virtude, caso viéssemos aefetivá-la. Desafio e virtude que já não cumpriremos aqui nem agora. Trata-se antesde começar a traçar um plano, de esboçar um projeto, de procurar definir um norte.Valemo-nos do verso de Karl Kraus citado por Benjamin: “A origem é alvo” (apudBENJAMIIN, 1986, p. 229). O qual interpretamos como relativo ao fato de que“iniciamos” não
a partir de 
nós mesmos (mito da auto-gênese e da fundação), mas
em direção a 
algo que está para além de nós, em direção a uma alteridade, postoque não nos esgotamos em nosso “ser” e só podemos definirmo-nos como tais emum constante “tornar-nos”. Não teria sido casual Marx ter dito que “A revoluçãosocial (...) não pode tirar sua poesia do passado, e sim do futuro” (1978, p. 331). Porcerto, em Benjamin, o passado é também fundamental mediante a memória e anarração, no que pode aparentemente contrastar com a citação de Marx a querecorremos. Mas ocorre que em Benjamin a memória não se direciona apenas aoresgate do passado, mas à libertação do futuro. De modo bem mais modesto,pretendemos pensar a formação extraindo sua poesia dos fins aos quais se volta,seu alvo, sua meta. E aqui nos dispomos a dialogar sobre duas destas metas:“responsabilidade ética” e “compromisso social”.Desde há muito sabemos que não há uma única psicologia, tampouco uma únicaciência. Nem mesmo, para sermos justos, uma única psicologia social. E ainda, seprosseguirmos nesta linha de raciocínio, sequer um mesmo autor será o mesmo emsuas diferentes obras. Numa dialética heraclítica dir-se-ia que “será e não será omesmo”. E isso nos é constitutivo, isto é imanente à nossa condição histórica: nãolhe é antinômico ou extrínseco. Sendo assim, ao falar de critérios, metas, alvos deformação para o psicólogo, ou melhor, para psicólogos (todos eles tão distintos,singulares, inigualáveis), não deixaremos de nos deparar com uma questão similar eindispensável: há muitos modos de se dar significado para palavras como“formação”, “compromisso”, “responsabilidade”. Há contendas ao redor delas paradizer de qual o significado mais apropriado, há confrontos e alianças dentro delas,constituindo seu sentido mais vivo e inquieto. O autor de “Marxismo e filosofia dalinguagem” nos diz que “
em todo signo ideológico confrontam-se índices de valor contraditórios 
. O signo se torna a arena onde se desenvolve a luta de classes”(BAKHTIN, 1992b, p. 46, grifo no original). Arena onde, certamente, desenvolvem-seainda muitas outras lutas macro e micro-políticas: étnicas, de gênero, de geração...

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