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P
ERFUME
 
DA
C
HINA
(China Blossom)
Margaret Moore
Copyright © 1992 by Margaret WilkinsPublicado originalmente em 1992 pela Harlequin Books, Toronto,Todos os personagens desta obra, salvo os históricos são fictícios. Qualquer outra semelhança com pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência.Título original:
China Blossom
Tradução: Elsa Joana FrançaCopyright para a língua portuguesa: 1993EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.Al. Ministro Rocha Azevedo. 346 — CEP 01410-901São Paulo — SP — BrasilCaixa Postal 9442SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO ASSINANTETelefone: (011)851-3111Cartas para: Central de AtendimentoAlameda Ministro Rocha Azevedo, 346 — 4º andar CEP 01410-901 — São PauloEsta obra foi composta na Editora Nova Cultural Ltda.Impressão e acabamento: Gráfica Circulo
Clássicos Históricos nº 03
Uma paixão que desabrocha...
Flor-de-Neve fitava-o com olhos tão azuis quanto o mar da China. Uma beleza tão delicada nãocombinava com as marcas de chibatadas em seu dorso. Mas ela não era uma frágil boneca de porcelana, e sim uma mulher com vontade de ferro, determinada a servir Frank Fitzroy de
todas
asmaneiras possíveis...Ele era igual a um deus: alto, forte, autoritário. Um poderoso senhor, certamente. Flor-de-Neve lhe pertencia de corpo e alma, oferecendo-lhe, prazerosa, mil e uma delícias. Então, por que Frank Fitzroyse obstinava em recusar sua preciosa oferenda?
Digitalização e revisão: Nεζmα☺
 
CAPÍTULO I
A voz da criada era um murmúrio abafado, através da pesada porta de carvalho: — Há uma carta para o senhor. O portador disse que é urgente.Frank Fitzroy teve que se esforçar para ouvi-la. E isto o aborreceu, tanto ou mais do quea indesejável interrupção. — Que portador? — perguntou em voz alta, enquanto lutava diante do espelho com onó da gravata. Talvez devesse contratar um criado de quarto. Mas detestava a idéia de ter alguém se movimentando atarefado à sua volta, enquanto se vestia. Uma das melhores coisasque o dinheiro podia proporcionar era o sagrado direito à privacidade. — O rapaz do navio — tornou a criada. — Grumete do
China Lady
, foi como ele se fezanunciar, senhor. — Por que não me disse logo?Frank encaminhou-se para a porta sentindo uma euforia que não sentia havia muitotempo. Embora com quase sete meses de atraso, o
China Lady
chegava ao seu destino!Começava já a temer que o navio e toda a sua tripulação houvessem desaparecido no oceano,em algum ponto entre Cantão e a costa da Inglaterra. Essa preocupação era compartilhada pelos armadores que tinham investido na embarcação. Alguns até, pressentindo dificuldades,ameaçavam-no com uma ação judicial prematura, exigindo que ele assumisse sozinho os prejuízos da empreitada.Agora, tudo estava bem no mundo. "Abençoado capitão Driscoll!", pensou, abrindo a porta de um golpe. A tímida criadinha permanecia no corredor, os olhos baixos. Sem erguê-los,entregou-lhe o envelope com o timbre de sua casa comercial e eclipsou-se rapidamente.Um sorriso encrespou-lhe os lábios, ao reconhecer a letra rápida e simples de Driscoll.Tornou a fechar a porta e aproximou-se do castiçal sobre a cômoda, grato de que o capitãoescrevesse com a clareza das ordens que dava aos seus subordinados. Não tivera muito tempo para dedicar-se às letras. Pusera-se ao mar ainda criança e lá,entre as ameaças do mar e do vento, aprendera os segredos de seu ofício. Seus conhecimentosnáuticos iam muito além de seus conhecimentos livrescos.Ainda sorrindo, rompeu o lacre e extraiu do envelope um bilhete de poucas linhas.Muito embora o capio o fosse um homem dado a efusões, somente uma viagemtumultuada, cheia de perigos, explicaria a extrema secura do bilhete.Leu rapidamente:"Fitzroy, desta vez o mau tempo nos pegou desprevenidos. Isso explica a demora. Venhalogo retirar sua encomenda ou não me responsabilizarei por ela. Driscoll".Já podia imaginar por que o capitão estava tão ansioso para livrar-se da carga. Mitchell,seu agente em Cantão, devia ter seguido suas ordens, obrigando Wu Wing Toi, aquele chinês
 
 patife, a saldar a dívida de quase mil libras com lingotes de prata. Manter a bordo umcarregamento tão precioso era um risco, mesmo contando-se com uma equipagem fiel ehonesta.Mas Driscoll se saíra bem. Definitivamente, tudo se processara segundo os seus desejos.De repente, a opressão que o havia dominado durante meses desapareceu. O motivo desua preocupação já não existia. Os seus mais urgentes anseios, os seus sonhos mais ousadosestavam prestes a se realizar!Ergueu os olhos e colheu a imagem de si mesmo, ainda em mangas de camisa, nogrande espelho acima da cômoda. Parecia um ator representando o papel de um abastadocomerciante. A tez queimada pelo sol dos dois hemisférios, os vincos nos cantos dos olhos,resultado das muitas horas passadas no convés, a perscrutar o horizonte as grandes e rudesmãos de marinheiro eram evidencias de que não nascera em berço de ouro.Aos dez anos, despertada a sua vocação pelos livros de aventura, seus pais, gente de poucas posses, expediram-no sem demora para um navio da marinha mercante. Quando tiveraidade para andar com seus próprios pés, montara uma companhia de navegação. Coragem ecapacidade, aliadas à boa sorte, permitiram-lhe fazer em larga escala o comércio de gêneroscom o Oriente. Tornara-se um homem rico. Agora, com a chegada do
China Lady
, dono deconsiderável fortuna.Isso compensaria amplamente o prejuízo das duas últimas temporadas: a perda de umnavio e o quase naufrágio de outro, que chegara a seu destino quando o mercado estavatotalmente abastecido de chá e de seda. Conseqüentemente, alguns armadores retiraram-se donegócio. Somente sua garantia pessoal, plena e solidária, reforçada pela capacidade de seusócio em reanimar os ânimos, retivera os demais, evitando assim um desastre financeiro degraves proporções.Agora, porém, o conceito da Companhia de Navegação Fitzroy, com todo o seu estoquede mercadorias, tornaria a se elevar no mercado. Poderia saldar suas dívidas mais urgentes, oscredores não se recusariam a esperar mais um pouco, e os acionistas, contando com bonslucros, voltariam a investir.Já antecipando a surpresa que iam ter quando recebessem as boas novas, sorriu feliz erealizado. Nesse instante, seu olhar caiu sobre o elegante envelope creme, colocado de pé,entre dois frascos de colônia. O convite de Emmaline. Ela recebia os amigos essa noite econtava com ele.Lady Emmaline Whitmore. Consagrada por sua beleza altiva e por seu gosto perfeito,ela tornara os salões de seu palácio londrino incomparáveis em esplendor. Ser convidado parauma de suas festas ou um de seus requintados almoços íntimos, oferecidos à abertura datemporada a um grupo restrito de amigos, era um privilégio extraordinário.Frank sentiu o sangue correr-lhe mais rápido nas veias. Emmaline era uma linda mulher. Na cama ou fora dela. E o fato de que fosse casada com um nobre não o perturbava. Aocontrário, tornava o jogo sexual mais interessante. Mas não a ponto de fazê-lo esquecer que o
China Lady
, o mais belo navio de sua frota, estava ancorado no porto!Iria primeiro ao navio. Encontraria um modo para ir ver Emmaline mais tarde, depoisque os outros convidados tivessem se retirado. O porteiro conhecia-o bastante bem. Não
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