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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
COMARCA DE SÃO PAULO7ª VARA CÍVEL
Av. Engenheiro Caetano Álvares, 594, 2º andar, sala 255, Casa Verde - CEP 02546-000, Fone: 11- 3951-2525, São Paulo-SP - E-mail: santana7cv@tj.sp.gov.br
SENTENÇA
Ação
de cobrança:
001.09.103546-6 - Procedimento Ordinário (em Geral)
Data da Audiência:Requerente:
Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo - Bancoop
Requerido:
Deise Batista Gonçalves
Vistos.
Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo - Bancoop,
qualificada nosautos, ajuizou ação de
cobrança
, pelo procedimento ordinário, em face de DEISE BATISTAGONÇALVES.Narra a petição inicial que a autora é uma cooperativa sem fins lucrativos. Nessacondição, celebrou com a ré um contrato de adesão e compromisso de participação, noempreendimento Parque Mandaqui, situado na R. Plínio Colas, 280, pelo preço de R$32.900,00.Ocorre que, conquanto a autora tenha cumprido a sua obrigação, concluído a obrae entregue ao réu a posse, não houve o pagamento do saldo residual, previsto na cláusula 16a.Do contrato, no valor de R$ 17.795,87.A possibilidade de cobrança do saldo residual foi prevista no contrato, sendolegítima a cobrança.Diante disso, requereu a autora a condenação da ré ao pagamento do débito emaberto.Regularmente citada, a ré apresentou contestação, alegando que pagou todas asparcelas originariamente previstas no contrato, conforme reconhecido pela autora. O que aautora cobra é um saldo residual, apresentado sem qualquer comprovação contábil, o queensejou o ajuizamento de ação, ora em curso perante a 14ª Vara Cível Central.Em razão disso, foi requerido o reconhecimento da conexão entre os processos oua suspensão por força da prejudicialidade externa.No mérito, o réu alegou que a verdadeira natureza da avença é compra e venda,porque a autora nunca agiu como verdadeira cooperativa, mas como incorporadora. Assim,aplicável o Código de Defesa do Consumidor.
 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
COMARCA DE SÃO PAULO7ª VARA CÍVEL
Av. Engenheiro Caetano Álvares, 594, 2º andar, sala 255, Casa Verde - CEP 02546-000, Fone: 11- 3951-2525, São Paulo-SP - E-mail: santana7cv@tj.sp.gov.br
A notificação é nula, porque eventual dívida é ilíquida, e só poderia ser cobradaapós autorização assemblear, que não foi obtida. O valor cobrado a título residual é excessivo,e não está comprovado por documentação contábil.A cláusula que autoriza a cobrança do residual é obscura e ofende o princípio daboa-fé.Réplica a fls. 310 e ss.É o relatório.DECIDO.Não há necessidade de produção de provas em audiência, razão pela qual conheçodiretamente do pedido, em julgamento antecipado da lide (art. 330, I, do Código de ProcessoCivil).Não há como acolher a preliminar de contestação. Não se justifica a reunião, porconexão entre a presente ação e a aquela proposta por vários autores que tramita perante a E.14ª Vara Cível. O objeto da presente ação circunscreve-se a um determinado imóvel, e versaespecificamente sobre um contrato. O objeto da ação coletiva diz respeito à cobrança, emcaráter geral, do valor residual de vários contratos. Os objetos são, portanto, diferentes. Poressa mesma razão, não se justifica a suspensão.No mérito, porém, o pedido improcede. A ré pagou integralmente as prestaçõesoriginárias do contrato, e as notificações que lhe foram dirigidas dizem respeito ao resíduoprevisto na cláusula 16ª do contrato. Conquanto haja previsão contratual para a cobrança, nãoera possível à autora impor à aderente valores calculados a seu critério, sem comprovaçãocontábil, e sem aprovação assemblear. A própria cláusula 16ª impunha a autorizaçãoassemblear, sem o que, estaria dado à autora cobrar valores a seu alvitre, sem prestar contasaos adquirentes.A autora não comprovou a autorização assemblear, nem demonstrou como chegouao montante do resíduo. Tampouco provou ter feito a prestação de contas dos valoresempregados na construção, para que se pudesse apurar a legitimidade do montante cobrado.Não bastava, para ensejar a cobrança, simples aprovação assemblear das contas em geral. Eranecessário que, por meio das contas, fosse possível apurar o saldo devedor cobrado deconsumidor. A prestação de contas é feita em forma contábil, com a indicação e comprovaçãode débitos e créditos.Em casos idênticos, tem sido decidido:
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