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violencia-psicologica

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Reportagem sobre as formas de violência psicológica
Reportagem sobre as formas de violência psicológica

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VIOLÊNCIAPSICOLÓGICA
Medo, humilhações, pressões...
Entendendo o que é a
 
uando era criança, Gustavo* eraconstantemente agredido por colegasde classe. "Ouvia todo dia eles mechamando de bichinha, viadinho, essas
Q
coisas." Esse tipo de violência faz partede um quadro que não consta na lista de crimes maisdenunciados, mas que é tão perigoso quanto qualquer outro tipo de violência. Trata-se da violência psicológicaque ocorre diariamente, atinge um número enorme de pessoas e, ao contrário de outros crimes, não é denunciadona grande maioria dos casos.Gustavo superou tudo que passou numa boa. Hojeestuda direito, trabalha como funcionário público e viveuma vida tranqüila ao lado de amigos que aceitam suahomossexualidade. Só reclama que nos lugares héterosque freqüenta ainda é visto com "olhares estranhos". Masque ainda assim consegue rir da própria condição deestranho no ninho.A história de Gustavo pode ser considerada um bom exemplo de superação, mas nem tudo termina assim.A escola pode ser um ambiente de grande acúmulo detraumas que serão carregados durante a vida. A professoraVirgínia Alexandrino diz que a prática do chamado
bullying 
é comum e sempre que ela passa dos limites énecessária a intervenção do professor. Segundo a professora negros e afeminados são as maiores vítimas dosabusos de colegas de classe. Sua companheira de trabalho, professora Lígia Patrícia, afirma que é comum casos dealunos agressores que trazem de casa problemas queinterferem no comportamento em sala de aula. "Os alunosque mais agridem são os mais agredidos", diz a professora. Neste ponto concorda o psicólogo João Alves Filho. Elediz que pessoas que trazem histórico de traumas estão propensas a se tornarem pessoas agressivas. O que nãosignifica que seja uma regra. Segundo o próprio psicólogoalgumas pessoas apresentam o psiquismo frágil, o que astorna mais fracas em relação às conseqüências dasagressões verbais. Na escola pode estar o início de tudo, mas aviolência psicológica pode estar além das salas de aula."Ela é muito comum em adultos, nos relacionamentosconjugais" afirma o psicólogo que exemplifica com casosem que ocorre uma dependência por parte de um dos parceiros e esta dependência se torna alvo de críticasdestrutivas do tipo "você não faz nada" ou "você é um(a)inútil". Estas agressões, com o tempo, podem causar a baixa de auto-estima ou ainda se tornar uma patologia maisgrave como a depressão.Uma situação de pressão psicológica combinadacom o psiquismo frágil, tem o poder de marcar umindivíduo para sempre e de diversas formas. Há quemsupere, há quem tome atitudes extremadas e há quem
PANCADAS INTERNAS
A tortura causada pela violência psicológica, a mais comum e também silenciosa forma de pressão existente atualmente
Versões de Violência
O Relatório Mundial da OrganizaçãoMundial da Saúde (OMS) de 2002 divide aviolência para que se possa explicar e trabalhar com cada tipo de forma mais clara e objetiva. Abaixo, um esquema de como se classificam asviolências.
 Auto-infligidas, que se referem acomportamentos suicidas e os auto-abuso;
Violências interpessoais, classificadas emdois âmbitos: o intrafamiliar e o comunitário. Oprimeiro ocorre entre os parceiros íntimos eentre os membros da família e o segundoacontece no ambiente social, entre conhecidose desconhecidos;
Violências coletivas, que são atos violentosque acontecem nos âmbitos macro sociais,políticos e econômicos.Em conjunto com os tipos acima citados,tem-se ainda a violência expressa, que podeaparecersob a forma de violência física,psicológica, sexual e negligência ou abandono.
agressões verbais ou gestuais como objetivo de aterrorizar, rejeitar,humilhar a vítima, restringir aliberdade ou ainda, isolá-la doconvívio social 
Violência Psicológica
 Trabalho Interdisciplinar - Junho de 2009
Página
1
Por André Almeida - 3º Período de Jornalismo
Centro Universitário do Leste de Minas Gerais - UNILESTE MG
 
 Trabalho Interdisciplinar - Junho de 2009
Página
3
Centro Universitário do Leste de Minas Gerais - UNILESTE MG
repasse isso para frente. Não é incomum vermos paisque educam os filhos nos mesmos moldes que forameducados no passado.Além do
bullying 
, existe na categoria violência psicológica um leque imenso de formas de pressão. Otrabalho é um local onde regularmente se apuram casos.Margarete Bittencourt, Assistente Social e TerapeutaFamiliar, afirma que profissionais das áreas da Saúde eSegurança estão sempre sujeitos à passarem por talsituação por lidarem com pressões e cobrançasdiariamente. Paulo Sérgio*, soldado do 14º Batalhão daPM de Ipatinga, afirma que o grande volume detrabalho, as cobranças e até mesmo ameaças podem setornar um grande fator de risco para os militares.Sem dúvida, esses fatores estão atrelados amuitos casos de depressão que atingem os diversos tiposde profissionais. Nem mesmo profissões maisglamourizadas escapam. O publicitário Júlio Cézar Palhares convive diariamente com o stress de serviços aserem entregues, clientes exigentes, campanhas. Mascompensa tudo no fim de semana praticando seu hobby preferido: cozinhar, na cozinha ao lado do escritório queé fechado na sexta e reaberto somente na segunda-feira para recomeçar tudo de novo.O psiquismo forte é importante nessas horas.Júlio Cézar afirma que às vezes dá vontade de se jogar do 7º andar do prédio em que vive, mas fica só navontade. O soldado Paulo Sérgio diz que em seus 11anos de profissão viu colegas não suportarem a pressão edesistirem da carreira militar, entrando em depressão eacabando com a própria vida. "O caso que mais mechamou atenção foi o de uma militar que tinha doisfilhos e se matou no dia das mães."A recepcionista Cristina* que trabalhou durante5 anos na recepção do Pronto Socorro Municipal de
Lista de Comportamentos hostis e destrutivos
 Aqui estão listados os principais sintomas de abusos por parte de colegas e/ou chefes no ambiente profissional
Deterioração proposital das condições de trabalhoO superior não transmite as informações úteis para arealização de tarefas As decisões são sistematicamente contestadasO trabalho é criticado de forma injusta ou exageradaHá pressão para não fazer valer os direitos de trabalho(férias, horas extras, prêmios) Atribuição, contra a vontade, de trabalhos perigososO trabalho que normalmente lhe compete é substituídopor outrosFalta de respeito com relação à sua saúdeSão dadas instrunções impossíveis de se executar Indução ao erroSuperiores hierárquicos ou colegas não dialogam com avítima A comunicação com ela é unicamente por escritoRecusam todo o contato com ela, mesmo o visualÉ posta separada dos outrosIgnoram sua presença, dirigindo-se apenas aos outros A direção recusa qualquer pedido de entrevistaUtilizam insinuações desdenhosas para qualificá-la
Fonte: Mal-estar no trabalho: redefinindo o assédio moral -Editora Bertrand do Brasil, São Paulo, 2002.Marie-France Hirigoyen
É desacreditada diante de colegas, superiores ousubordinadosEspalham rumores a seu respeito Atribuem-lhe problemas psicológicosZombam de suas deficiências físicas ou de seu aspectofísicoÉ imitada, caricaturada, injuriada com termos obscenosou degradantesCriticam sua vida privadaZombam de sua origem, nacionalidade, crença religiosaou convicções políticas Atribuem-lhes tarefas humilhantes Ameaças de violência física Agressões físicas, mesmo que de leve, empurrõesFalam com ela aos gritosInvadem sua vida privada com ligações telefônicas oucartasSeguem-na na rua, é espionada diante do domicílioÉ assediada ou agredida sexualmente (gestos oupropostas)Não levam em conta seus problemas de saúde.
Ipatinga passou por momentos angustiantes. Elaatendia as pessoas que chegavam para se consultar, era a primeira pessoa a ser vista por quem ali entrava etambém o alvo daqueles que se irritavam com o serviçode atendimento público. "As pessoas demoravam paraserem atendidas e achavam que a culpa era minha, mexingavam." Começaram as dores de cabeças constantes,quase todos os dias até que ela teve um ataqueconvulsivo. Após consultas com Margarete, elaconseguiu ser remanejada para a área interna dohospital.Mas os recepcionistas não são os únicos quevivem à beira de um ataque de nervos. Auxiliares deenfermagem tem muito do que reclamar. O intensoritmo de entra e sai muitas vezes não deixa espaço nem para um lanche, os plantões que podem se estender àmais de 12 horas de trabalho tornam muitos profissionais dependentes de calmantes, já que para eleso acesso à esse tipo de substância é facilitado. Juntando aesses fatores o medo da concorrência, a necessidade deatualização constante e o desrespeito aos limitescomuns de cada pessoa tem-se uma situação deviolência psicológica no trabalho, que, dependendo daabordagem, pode ser classificada como assédio moral.A Organização Internacional do Trabalho (OIT)descreve o assédio moral como o comportamento deuma pessoa para rebaixar um trabalhador ou um grupode trabalhadores, através de meios vingativos, cruéis,maliciosos ou humilhantes. São críticas repetitivas edesqualificações, isolando-o do contato com o grupo edifundindo falsas informações sobre ele.Marie-France Hirigoyen, psiquiatra francesa,elaborou uma lista de atitudes hostis e comportamentosque caracterizariam o assédio moral (veja o quadroabaixo). Nesta lista eles se dividem em Deterioração

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