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SEM REVISÃO
RELATÓRIOO SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES (Relator):
Trata-se de recurso extraordinário, interpostopelo Ministério Público Federal e pelo Sindicato dasEmpresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo -SERTESP (assistente simples), com fundamento no art. 102,inciso III, “a”, da Constituição Federal, contra acórdão doTribunal Regional Federal da 3ª Região nos autos daApelação Cível em Ação Civil Pública n° 2001.61.00.025946-3.Na origem, o Ministério Público Federal ajuizouação civil pública – originada dos procedimentosadministrativos n° 1.34.001.002285/2001-69 e n°1.34.001.001683/2001-68 – com pedido de tutela antecipada,em face da União, na qual defendeu a não-recepção, pelaConstituição de 1988 (art. 5º, IX e XIII e art. 220,
caput
 e § 1º), do art. 4º, inciso V, do Decreto-Lei n° 972, de1969, o qual exige o diploma de curso superior dejornalismo, registrado pelo Ministério da Educação, para oexercício da profissão de jornalista.Defendeu o Ministério Público, em síntese, que,se o art. 5º, inciso XIII, da Constituição, remete àlegislação infraconstitucional o estabelecimento dascondições para o exercício da liberdade de exercícioprofissional, não pode o legislador impor restrições
 
indevidas ou não razoáveis, como seria o caso da exigênciade diploma do curso superior de jornalismo prevista no art.4º, inciso V, do Decreto-Lei n° 972/1969. Ademais, haveria,no caso, violação ao art. 13 da Convenção Americana deDireitos Humanos, ratificada pelo Brasil em 1992.Ao final, o Ministério Público requereu que:1) seja obrigada a União a não mais registrar oufornecer qualquer número de inscrição noMinistério do Trabalho para os diplomados emjornalismo, informando aos interessados adesnecessidade do registro e inscrição para oexercício da profissão de jornalista;2) seja obrigada a União a não mais executarfiscalização sobre o exercício da profissão dejornalista por profissionais desprovidos de graude curso universitário de jornalismo, bem comonão mais exarar os autos de infraçãocorrespondentes;3) sejam declarados nulos todos os autos deinfração lavrados por auditores-fiscais dotrabalho, em fase de execução ou não, contraindivíduos em razão da prática do jornalismo semo correspondente diploma;4) sejam remetidos ofícios aos Tribunais deJustiça de todos os Estados da Federação, dandociência da antecipação de tutela, de forma a quese aprecie a pertinência de trancamento deeventuais inquéritos policiais ou ações penais,que por lá tramitem, tendo por objeto a apuraçãode prática de delito de exercício ilegal daprofissão de jornalista.
 
A Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ e oSindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de SãoPaulo ingressaram na lide na qualidade de assistentessimples da União (ré) (fl. 747), e o Sindicato das Empresasde Rádio e Televisão no Estado de São Paulo foi admitido noprocesso como assistente simples do Ministério PúblicoFederal (autor).A sentença proferida pelo Juízo da 16ª Vara CívelFederal de São Paulo (fls. 883-930) julgou parcialmenteprocedente o pedido para:1) determinar que a União não mais exija, em todoo país, o diploma de curso superior de jornalismopara o registro no Ministério do Trabalho para oexercício da profissão de jornalista, informandoaos interessados a desnecessidade de apresentaçãode tal diploma, assim como não mais executefiscalização sobre o exercício da profissão dejornalista por profissionais desprovidos de grauuniversitário de jornalismo, e deixe de exarar osautos de infração correspondentes;2) declarar a nulidade de todos os autos deinfração pendentes de execução lavrados porAuditores-fiscais do Trabalho contra indivíduosem razão da prática do jornalismo sem ocorrespondente diploma;3) que sejam remetidos ofícios aos Tribunais deJustiça dos Estados, de forma a que se aprecie apertinência de trancamento de eventuaisinquéritos policiais ou ações penais em trâmite,tendo por objeto a apuração de prática do delitode exercício ilegal da profissão de jornalista;
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