entendeu? Não pode fumar, porque issovai agravar a situação!Imediatamente, Terezinha colocou na cabeçaque iria parar de fumar. Mesmo abandonandoo vício e tomando todos os remédios prescritos, ela passou, ainda, por mais dois outrês episódios semelhantes: entrou em quadrode emergência, foi parar no pronto-socorro eficou internada. O cigarro foi, então,considerado um veneno. O vilão da história.Depois de alguns meses, as crisesdesapareceram e, conforme ela ficava boa, aautoconfiança foi sendo restabelecida. Háalguns meses, porém, senti cheiro de cigarrona área de serviço. Não tive dúvidas. Fui procurá-la:- Não vai me dizer que voltou a fumar? – disse, espantado.Ela me olhou, parada, sem pestanejar, e disse:
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Não, Dr. Roberto, eu não seria louca defazer isso. Só eu sei o medo que senti.Fiquei aliviado com a resposta dela. Mas otempo foi passando e era cada vez maisfreqüente aquele cheiro de fumaça na área deserviço. Um dia já muito cismado falei:
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Terezinha, você voltou a fumar?Ela um pouco dissimulada, revelou:- Ah, Dr. Roberto, foi só um...Eu olhei bem em seus olhos, tentandoentender aquela compulsão, e disse:- Eu torço para que você fique nesse um, porque é muito raro alguém voltar a fumar um cigarro só.Acho que o susto foi tão grande que ela, pelomenos, não voltará a fumar como antes. Noteque a atitude de Terezinha é bastante comum:a maioria das pessoas espera a chegada deuma crise para mudar posturas que há temposdeveriam ter sido revistas. Ou seja, só nosmomentos mais difíceis enfrentam os problemas. O grande dilema é que, logo queacaba a tempestade, a tendência é relaxar.Acreditam que não acontecerá novamente,mas, como é de praxe, as crises voltam asurgir, de uma forma ainda mais dramática doque da primeira vez.Temos um exemplo conhecidonacionalmente. Quando mergulhamos emuma crise econômica, políticos, empresários,executivos e colaboradores tomam um susto ecomeçam a fazer a tão adiada lição de casa.De uma hora para outra, a turma “pára defumar” e inicia as correções necessárias paraque a gente possa viver uma realidade maistranqüila, longe do mundo do faz de conta.Quando estamos entrando na UTI, aconsciência opera milagres... Com mérito próprio, sobrevivemos e superamos as piorescrises de nossa história.À medida que a gente recebe boas notícias e omundo começa a nos elogiar, os investidoresinternacionais voltam a apostar no Brasil.Criamos um grau de confiança que ofusca a prescrição inicial do médico: deixamos delado os projetos que poderiam nos fazer crescer com fundamento, solidez econsciência. Na verdade, não estamostomando os remédios como deveríamos. Maisuma vez, iniciamos o tratamento e ointerrompemos no meio.As empresas, então, voltam a crescer semterem feito os investimentos previstos emtecnologia, projetos de marketing, análise de produtos e aprimoramento do processo de produção. Não houve aplicação de verbasuficiente em treinamento de pessoal nem em pesquisas no mercado internacional comvistas a criar marcas fortes. Não houve oaperfeiçoamento necessário das equipes devendas, e as empresas voltam, de novo, arelaxar com os gastos. A maioria delasmelhora os resultados apenas porque oconsumo cresce, e não porque estão maiscompetitivas.Os políticos, por sua vez, já começam a pressionar o governo a gastar, deixando delado os imprescindíveis projetos de reformanas áreas tributárias, fiscal, etc. Entramos emmais uma era de CPIs, em que somosobrigados a engolir o show dos políticos posando de santinhos e fazendo caretas paraas câmeras de TV. E trabalho que é bomnada!
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