Mesmo aqueles que conseguem alcançar algum sucesso econômico frequentementedescobrem que isso não trás uma felicidade real[27]. Em uma sociedade onde nossosenso de comunidade foi severamente desgastado[28], e onde estamos profundamentedesconectados do mundo não-humano, uma multidão de pessoas que até mesmopossuem conforto material vivem em alienação e numa solidão profunda[29]. Asempresas oferecem uma espécie de “reparo” consumista para isso vendendo a idéia deque as pessoas podem encontrar felicidade e realização em compras, posse, e consumo-uma casa no subúrbio, um tênis na moda, um casaco de pele, o computador mais rápido,ou um carro esportivo. Televisão, drogas, dogma religioso, e noções nacionalistas epatrióticas poluem as mentes dos que procuram conteúdo em uma cultura vazia.Mas e se nós pudéssemos construir uma cultura alternativa que nos permitisseabraçar valores que importam para a maioria de nós em todos os aspectos de nossasvidas diárias, uma que promovesse auxílio mútuo ao invés de competição, aventura emvez de monotonia, conservação em vez de excesso destrutivo, compartilhamento em vezde propriedades particulares, prazer em vez de trabalho duro, igualdade em vez dehierarquia, preocupação social em vez de egocentrismo, simplicidade e liberdade emvez de desejo por aquisição material, e auto-aceitação em vez de procurar um statussocial? E se nós pudéssemos ilustrar a falência espiritual da sociedade capitalista-industrialista criando uma contracultura que é prática, ética, que realmente se importacom as reais necessidades das pessoas, e oferece às pessoas a oportunidade de sentiremum verdadeiro senso de comunidade enraizado em um comprometimento em construirum mundo melhor para todos?Recuperando o que é DesperdiçadoConhecido como mergulho em lixeiras (em inglês, dumpster diving)[30], pesca delixo[31], colheita urbana[32] , ou simplesmente catar lixo[33], os praticantes da arte derecuperar recursos utilizáveis do desperdício de uma sociedade hiperconsumistaconseguem diminuir dramaticamente ou até mesmo eliminar suas necessidades decomprar mercadorias[34]. Entre encontrar poltronas na calçada[35], recuperandocomida limpa e fresca do descarte de lojas[36], construindo livrarias de livrosdescartados[37], abastecendo cozinhas com utensílios[38], pratos e talheres[39],montando vestuários de roupas descartadas[40], ou recuperando equipamentos decomputadores[41], os coletores acabam descobrindo que eles raramente precisamutilizar dinheiro para conseguir os itens de que eles necessitam[42]. Eles tambémreduzem seus desperdícios, limitando seus impactos ambientais pessoais[43], reduzindosuas cumplicidades econômicas com as empresas multinacionais que são socialmente eecologicamente destrutivas e que criam a maior parte dos produtos[44], aliviam-se dapressão de ter que trabalhar em dois ou até três empregos para apenas suprirem suasnecessidades básicas[45], e limitam contribuir um governo corrupto ao limitarem suascontribuições em vendas e impostos de renda. Em áreas rurais, coletores colhem frutas evegetais que ficam para trás em razão de práticas agrícolas industriais ineficientes.[46]A colheita urbana não é um estilo de vida puritano, individualista e moralmentesuperior—é um componente chave na renovação do sentido de comunidade em torno doprincípio de apoio mútuo[47].
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