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Revoluções Cotidianas:Práticas e Instituições para Viver Além do Capitalismo na Vida Cotidiana
Por Adam WeissmanDerrubar o capitalismo? Esmagar o estado? Estas frases podem inspirar osverdadeiros adeptos, mas para praticamente todas as outras pessoas, elas soam comotolas, sinistras ou até mesmo insanas. A maioria das pessoas que vivem em paísesindustrializados vê a civilização industrial capitalista como uma realidade básica da vidae como algo absolutamente necessário para a sua sobrevivência. Se os revolucionáriostêm a esperança de expandir nossa resistência além de uma minúscula fração, então nósdevemos fazer mais do que protestar contra governos e empresas socialmenteirresponsáveis enquanto recitamos discursos revolucionários. Nós devemos mostrar quenossas vidas não dependem em jogar “pelas regras” como trabalhadores e consumidoresobedientes e passivos, e para isso devemos demonstrar novas e melhores formas desobreviver e prosperar.Neste aspecto, nós temos uma vantagem real: por exemplo, muitas pessoas nos EUA(e também no Brasil e no resto do mundo) não estão muito felizes[1]. Em 2004, a taxade desemprego estava acima dos 8 milhões[2], praticamente a população da cidade deNova York.[3]. Famílias de trabalhadores de classe média estão afundando emdívidas[4], enquanto os 1% que são ricos ficam cada vez mais ricos[5], amparados peloauxílio desemprego empresarial[6], redução de impostos para os ricos[7], políticascomerciais favoráveis para as empresas[8], uniões trabalhistas fechadas com apoio dogoverno[9], e retrocessos de legislações ambientais vitais[10].Mesmo aqueles que conseguem manter-se empregados em uma sociedade ondetrabalhar é considerado necessário para a sobrevivência, trabalham constantementeapenas para conseguirem suprir suas necessidades básicas. Como resultado, eles ficamestressados e esgotados demais para aproveitarem seus tempos livres, e limitados notempo que eles têm para dedicarem as suas famílias e comunidades.Nem tampouco estamos saudáveis: um ambiente poluído[11], estresse causado pelotrabalho[12], estilos de vida sedentários[13] por usar TV[14] e vídeo games[15] comorecreação e empregos atrás de uma mesa ou em uma cadeira giratória, e uma dietavenenosa[16] empurrada por empresas[17] e seus associados no governo[18] quecomprometeram a saúde das nações. Custos com assistência médica estão saindo docontrole[19], sem qualquer esperança de uma reforma significativa em um futuropróximo no sistema de assistência médica[20].Em uma época onde conseguir um trabalho com um pagamento decente semeducação universitária está se tornando cada vez mais difícil[21], o acesso à educaçãoestá se tornando mais restrito.[22] Cortes nos fundos para universidades públicas[23] eprogramas de empréstimos universitários[24], e ataques em programas defortalecimento de minorias[25], têm forçado milhares de estudantes de baixa renda asaírem da universidade ou nem mesmo começar. Nos EUA, isso tem permitido que asforças armadas, que continuam absorvendo praticamente 50% dos impostos federaisenquanto programas sociais são cortados, instituam um “recrutamento econômico” aoatrair a imagem de treinamento para um emprego e assistência de aprendizado nos jovens que praticamente não possuem outras opções[26].
 
 Mesmo aqueles que conseguem alcançar algum sucesso econômico frequentementedescobrem que isso não trás uma felicidade real[27]. Em uma sociedade onde nossosenso de comunidade foi severamente desgastado[28], e onde estamos profundamentedesconectados do mundo não-humano, uma multidão de pessoas que até mesmopossuem conforto material vivem em alienação e numa solidão profunda[29]. Asempresas oferecem uma espécie de “reparo” consumista para isso vendendo a idéia deque as pessoas podem encontrar felicidade e realização em compras, posse, e consumo-uma casa no subúrbio, um tênis na moda, um casaco de pele, o computador mais rápido,ou um carro esportivo. Televisão, drogas, dogma religioso, e noções nacionalistas epatrióticas poluem as mentes dos que procuram conteúdo em uma cultura vazia.Mas e se nós pudéssemos construir uma cultura alternativa que nos permitisseabraçar valores que importam para a maioria de nós em todos os aspectos de nossasvidas diárias, uma que promovesse auxílio mútuo ao invés de competição, aventura emvez de monotonia, conservação em vez de excesso destrutivo, compartilhamento em vezde propriedades particulares, prazer em vez de trabalho duro, igualdade em vez dehierarquia, preocupação social em vez de egocentrismo, simplicidade e liberdade emvez de desejo por aquisição material, e auto-aceitação em vez de procurar um statussocial? E se nós pudéssemos ilustrar a falência espiritual da sociedade capitalista-industrialista criando uma contracultura que é prática, ética, que realmente se importacom as reais necessidades das pessoas, e oferece às pessoas a oportunidade de sentiremum verdadeiro senso de comunidade enraizado em um comprometimento em construirum mundo melhor para todos?Recuperando o que é DesperdiçadoConhecido como mergulho em lixeiras (em inglês, dumpster diving)[30], pesca delixo[31], colheita urbana[32] , ou simplesmente catar lixo[33], os praticantes da arte derecuperar recursos utilizáveis do desperdício de uma sociedade hiperconsumistaconseguem diminuir dramaticamente ou até mesmo eliminar suas necessidades decomprar mercadorias[34]. Entre encontrar poltronas na calçada[35], recuperandocomida limpa e fresca do descarte de lojas[36], construindo livrarias de livrosdescartados[37], abastecendo cozinhas com utensílios[38], pratos e talheres[39],montando vestuários de roupas descartadas[40], ou recuperando equipamentos decomputadores[41], os coletores acabam descobrindo que eles raramente precisamutilizar dinheiro para conseguir os itens de que eles necessitam[42]. Eles tambémreduzem seus desperdícios, limitando seus impactos ambientais pessoais[43], reduzindosuas cumplicidades econômicas com as empresas multinacionais que são socialmente eecologicamente destrutivas e que criam a maior parte dos produtos[44], aliviam-se dapressão de ter que trabalhar em dois ou até três empregos para apenas suprirem suasnecessidades básicas[45], e limitam contribuir um governo corrupto ao limitarem suascontribuições em vendas e impostos de renda. Em áreas rurais, coletores colhem frutas evegetais que ficam para trás em razão de práticas agrícolas industriais ineficientes.[46]A colheita urbana não é um estilo de vida puritano, individualista e moralmentesuperior—é um componente chave na renovação do sentido de comunidade em torno doprincípio de apoio mútuo[47].
 
Muitos coletores urbanos recuperam produtos em grupos. Alguns utilizam o comidarecuperada em refeições públicas[48], algumas vezes em espaços de convivênciacomunitária. Os coletores frequentemente indicam uns aos outros bons locais pararecuperar produtos. A página de internet http://freegan.info oferece uma lista online delugares favoritos dos coletores em áreas diferentes e guias similares são impressos edistribuídos. Os criadores do site Freegan.info fazem turnês onde grupos sãointroduzidos a locais confiáveis para coletar lixo. Os criadores da lista e osorganizadores das turnês esperam que seus leitores e participantes irão então se inspirarem procurar outros lugares promissores por conta própria, os quais poderão seradicionados para turnês e listas futuras.“Food Not Bombs” (Comida, e Não Bombas)O Food Not Bombs é um movimento global de base fundado para desafiar odesperdiço dos gastos massivos nas forças armadas em um mundo onde milhões vivemsem as necessidades básicas de alimento.[49] Mais de 200 capítulos do Food NotBombs existentes em cidades nos seis continentes recuperam alimento que de outraforma iriam para o lixo- tanto pela colheita urbana ou doada por lojas que iriamdescartar o alimento- e preparam refeições vegetarianas quentes e saudáveis paracompartilhar nas ruas e nos parques. Ao invés de “servir os pobres”, o movimentocompartilha alimento com QUALQUER UM que desejar comer, removendo a noçãopaternalista de caridade para os infortunados, e ao invés disso promovem a idéia de quenós podemos compartilhar e ajudar uns aos outros como iguais sem um incentivolucrativo. Enquanto em nossa sociedade em sua maior parte aceita que doar aosdesafortunados e desesperados é admirável, desafiar a suposição de que nós devemosesperar que os que podem pagar paguem pelo que nós damos a eles não é nada mais doque atraente. Visite o site do Food Not Bombs em http://foodnotbombs.net/ Colheita SelvagemOs seres humanos começaram como uma espécie coletora de plantas. Em termosantropológicos, apenas recentemente que nós adotamos a caça e a agricultura comoformas de obter alimento[50]. Procurando recapturar esta forma antiga e sustentável desubsistência, alguns estão redescobrindo alimentos selvagens tradicionais e ervasmedicinais. Na área da cidade de Nova Iorque por exemplo, o naturalista Steve Brill fazturnês em parques locais introduzindo os cidadãos a plantas selvagens comestíveis emedicinais, e a cogumelos[51]. Livros como o The Wild Vegetarian Cookbook (OLivro de Receitas Vegetariano Selvagem) do próprio Brill, e sua série de vídeos“Foraging with the ‘Wildman’," video series[52] (Colhendo com o ‘Wildman’), e zinescomo o Wildroots’ Feral Forager: A Guide to Living off of Nature's Bounty[53] (AsRaízes Selvagens do Coletor Feral: Um Guia Sobre Como Viver da Dádiva daNatureza) estão contribuindo para disseminar amplamente esta informação, germinandouma nova cultura de colheita selvagem, mesmo em áreas muito urbanizadas. Paramaiores informações neste tipo de colheita, visite o sitehttp://www.wildmanstevebrill.comRetorno ao NaturalEnquanto alguns praticam a colheita selvagem no contexto de vidas razoavelmenteurbanizadas, outros vão além, adotando uma existência primordial, baseada no
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