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09/06/2013

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A gênese do conceito freudiano de inconsciente
Gilberto Gomes
Universidade Estadual do Norte Fluminense
Resumo
Durante toda sua obra, Freud concebe os processos psíquicos como derivados da atividade do cérebro.Aqui é proposta uma reconstituição dos passos inferenciais (constituindo uma seqüência lógica e não cro-
QROyJLFDSRVVLELOLWDGRVSRUHVVDFRQFHSomRSVLFRQHXUDOTXHOHYDUDPVREDLQÀXrQFLDGRVIDWRVFOtQLFRVDRFRQFHLWRSVLFDQDOtWLFRGHLQFRQVFLHQWH2VSURFHVVRVQHXUR¿VLROyJLFRVVXEMDFHQWHVDRSVtTXLFRGHYHP SRVVXLUFRPSOH[LGDGHVX¿FLHQWHSDUDMXVWL¿FDUDVSURSULHGDGHVSVtTXLFDVFRQKHFLGDVSHODFRQVFLrQFLD3DUD
Freud, a consciência é uma espécie de percepção interna de processos psíquicos. Como a consciência não éinerente a esses processos, torna-se natural imaginar que eles possam também ocorrer sem serem percebidos(processos pré-conscientes). O conceito de inconsciente propriamente dito também se mostra tributário desua concepção psiconeural.
3DODYUDVFKDYHIUHXGPHWDSVLFRORJLDSUREOHPDPHQWHFpUHEURGXDOLVPRPRQLVPRLQFRQVFLHQWH
Abstract
The genesis of the Freudian concept of the unconscious.
$ORQJDOOKLVZRUNV)UHXGFRQFHLYHVRISV\FKLFDO SURFHVVHVDVGHULYHGIURPWKHDFWLYLW\RIWKHEUDLQ:HRIIHUKHUHDUHFRQVWUXFWLRQRIWKHLQIHUHQWLDOVWHSVPDNLQJXSDORJLFDODQGQRWDFKURQRORJLFDOVHTXHQFHPDGHSRVVLEOHE\WKLVSV\FKRQHXUDOFRQFHSWLRQWKDWKDYHOHGXQGHUWKHLQÀXHQFHRIFOLQLFDOIDFWVWRWKHSV\FKRDQDO\WLFDOFRQFHSWRIWKHXQFRQVFLRXV1HXUR
-
 SK\VLRORJLFDOSURFHVVHVXQGHUO\LQJSV\FKLFDOUHDOLW\PXVWSRVVHVVHQRXJKFRPSOH[LW\WRMXVWLI\WKHSV\FKLFDO SURSHUWLHVNQRZQE\FRQVFLRXVQHVV$FFRUGLQJWR)UHXGFRQVFLRXVQHVVLVDVRUWRILQWHUQDOSHUFHSWLRQRI SV\FKLFDOSURFHVVHV$VFRQVFLRXVQHVVLVQRWLQKHUHQWWRWKHVHSURFHVVHVLWLVQDWXUDOWRLPDJLQHWKDWWKH\PD\DOVRRFFXUZLWKRXWEHLQJSHUFHLYHGSUHFRQVFLRXVSURFHVVHV7KHFRQFHSWRIWKHXQFRQVFLRXVSURSHUO\VDLGDOVRDSSHDUVDVGHSHQGHQWRQWKLVSV\FKRQHXUDOFRQFHSWLRQ
.H\ZRUGVIUHXGPHWDSV\FKRORJ\PLQGEUDLQSUREOHPGXDOLVPPRQLVPXQFRQVFLRXV
E
PWUDEDOKRDQWHULRUPRVWUDPRVTXHDRFRQWUiULRGRTXH
muitas vezes se pensa, Freud sempre manteve a concep-ção de que os processos psíquicos dependem do funcio-namento do cérebro (Gomes, 2005). Citações cobrindo toda sua
REUD)UHXGDDDEEFEPRVWUDPTXH
Freud sempre considerou a atividade psíquica como tendo fun-
GDPHQWRQRVSURFHVVRVQHXUR¿VLROyJLFRVGRFpUHEUR
Discutimos também as conseqüências desta concepção do
 SVtTXLFRFRPRIXQGDPHQWDGRQXPVXEVWUDWRQHXUR¿VLROyJLFR
Em primeiro lugar, destacamos a adesão ao pensamento causalem que esta posição implica. Inegavelmente, a pressuposiçãodo determinismo psíquico é um dos componentes essenciaisda teoria freudiana. Em segundo lugar, lembramos o aspectoquantitativo presente em todos os aspectos de sua teoria, e quedecorre diretamente da suposição de um fundamento materialdos processos mentais. Finalmente, a suposição de que o sistemanervoso é responsável pela atividade anímica leva naturalmente
jFRQFHSomRGHXPDSDUHOKRSVtTXLFRFRPH[WHQVmRHVSDFLDO
originando o ponto de vista
tópico
da teoria psicanalítica (Go-mes, 2005).
 1RSUHVHQWHWUDEDOKRGLVFXWLUHPRVRSDSHOHVSHFt¿FRGHVVD
concepção sobre a relação mente-cérebro no desenvolvimento
GRFRQFHLWRIUHXGLDQRGHLQFRQVFLHQWH1XPPRPHQWRGHJUDQGH
desenvolvimento das neurociências e de questionamento sobreas relações entre neurociências e psicanálise, evidencia-se arelevância da questão proposta.
2LQFRQVFLHQWHQDQHXUR¿VLRORJLDGRVpFXOR;,; 
A criação por Freud de uma teoria do inconsciente é muitasvezes vista como uma ruptura em relação às tentativas de suaépoca de explicar os fenômenos psíquicos pelo funcionamento
GRFpUHEUR0DUFHO*DXFKHWHPVHXOLYUR
 /¶LQFRQVFLHQWFpUp
-bral 
RSHUDXPDPRGL¿FDomRFRPSOHWDGHVVHTXDGUR(OHPRVWUDFRPRDQHXUR¿VLRORJLDGRVpFXOR;,;WLQKDGHIDWRDEHUWRRFDPLQKRSDUDRFRQFHLWRIUHXGLDQRGHLQFRQVFLHQWH,VVR
não quer dizer que este estivesse de alguma forma presente ou
 Estudos de Psicologia

 
32
RFXOWRQDVIRUPXODo}HVGRVQHXUR¿VLRORJLVWDVFRPRSRGHULDPID]HUSHQVDUDVSURSRVWDVPHQRVULJRURVDVGH/DQFHORW:K\WH
em seu livro
The unconscious before Freud 
(1960).Sem negar a originalidade de Freud, é preciso, entretanto,
UHFRORFDUDFULDomRGDSVLFDQiOLVHHPVHXFRQWH[WRKLVWyULFR1RFDVR*DXFKHWID]XPDDQiOLVHGHWDOKDGDGHWRGRXPVHWRUGHVVHFRQWH[WRKLVWyULFRKiPXLWRWHPSRHVTXHFLGRRXLJQRUDGRRGDVGLVFXVV}HVGRVQHXUR¿VLRORJLVWDVHQHXURORJLVWDVGDpSRFD
sobre o inconsciente, concebido ainda sob a perspectiva da teoria
GRVUHÀH[RVPDVWHQGRGHTXDOTXHUIRUPDRHIHLWRGHTXHEUDU
muito efetivamente a concepção tradicional do papel central da
FRQVFLrQFLDHGDYRQWDGHFRQVFLHQWH1mRHUDDLQGDRFRQFHLWR
freudiano que estava presente, mas sim toda uma problemáticaque estava claramente colocada, todo um novo campo do “pen-
ViYHO´TXHHVWDYDDEHUWRFRPRGL]*DXFKHW
Desse ponto de vista, podemos encontrar um sentido nofato de a psicanálise não ter sido criada por um psicólogo ou
XP¿OyVRIRPDVVLPSRUXPQHXURORJLVWD(YLGHQWHPHQWHHVVD SUREOHPiWLFDQHXUR¿VLROyJLFDGR³LQFRQVFLHQWHFHUHEUDO´QmRIRL
o único fator que propiciou a criação do conceito psicanalítico de
LQFRQVFLHQWH$TXHVWmRFOtQLFDGDVQHXURVHVMiEHPGLVWLQJXL
-das dos outros quadros clínicos de que os neurologistas deviam
FXLGDURVSUREOHPDVGRKLSQRWLVPRDWHRULDGDHYROXomRQD ELRORJLDWRGRVHVVHVIDWRUHVFRPRPRVWUD*DXFKHWIRUDPYH
-
WRUHVFXMDFRQYHUJrQFLDFRQVWLWXLXXPD³HQFUX]LOKDGD´P~OWLSODQRXQLYHUVRFXOWXUDOGDVHJXQGDPHWDGHGRVpFXOR;,;FULDQGR
as condições de emergência do conceito freudiano.
2
7DPEpPGHHVSHFLDOLQWHUHVVHSDUDFRPSUHHQGHUDLPSRUWkQ
-
FLDGRSHQVDPHQWRQHXUROyJLFRHQHXUR¿VLROyJLFRQDIRUPDomRGH)UHXGpRSRXFRGLYXOJDGROLYURGH3HWHU$PDFKHU
 Freud’s
QHXURORJLFDOHGXFDWLRQDQGLWVLQÀXHQFHRQSV\FKRDQDO\WLFWKHRU\
1HOHSRGHPRVYHUFODUDPHQWHFRPRDXWRUHVFRPR%UFNH0H\QHUWH([QHUTXHIRUDPSURIHVVRUHVGH
Freud, pensavam questões muito próximas às que moldaram o pensamento desse último.
Conseqüências da concepção psiconeural 
A busca de entender os fenômenos psíquicos como derivadosda atividade cerebral, entretanto, pode levar a diferentes tipos deconseqüências na elaboração de uma teoria explicativa. O notável
HP)UHXGpTXHVXDFUHQoDQHVVDEDVH¿VLROyJLFDGRVIHQ{PHQRV SVtTXLFRVQmRRFRQGX]LXDDSOLFDUDHVWHVRVFRQFHLWRVGD¿
-
VLRORJLD±FRPRWRGRVDTXHOHVTXHQRVpFXOR;,;FRQVWUXtUDPVXDVWHRULDVGR³LQFRQVFLHQWHFHUHEUDO´VREUHRPRGHORGRUHÀH[R*DXFKHW0XLWRDRFRQWUiULRpVXD³QHXUR¿VLRORJLD´TXH
vai incorporar os conceitos do psíquico, como representação,
GHVHMRDIHWRSUD]HUDQJ~VWLDSHQVDPHQWRHWF,VWRMiDSDUHFH
muito claramente no
 Projeto
, de 1895. Mais tarde, ele abandonou
DVKLSyWHVHVHVSHFt¿FDVVREUHRVPHFDQLVPRVQHXUDLV0DVRTXHHVWiSUHVHQWHGHVGHRLQtFLRDWpR¿PpDLGpLDGHTXHRVSURFHVVRVQHXUDLVGHEDVHTXDLVTXHUTXHVHMDPGHYHPFRPSRUWDUWRGDD
riqueza dos processos psíquicos.
3DUDUHÀH[RORJLVWDVUHGXFLRQLVWDVFRPR0DXGVOH\RX6H
-
WFKrQRYDFRQFHSomRQHXUDOGRSVtTXLFROHYRXjHOLPLQDomRGD
vontade consciente e à substituição dos princípios explicativosderivados da consciência de si e dos outros pelos princípios
H[SOLFDWLYRVGD¿VLRORJLDUHÀH[RH[FLWDomRLQLELomRHWF3DUDRXWURVFRPR3ÀJHURX/HZHVDXQLGDGHSVLFRQHXUDOWHUi
como conseqüência uma extensão das qualidades da consciência
VHQVLELOLGDGHHYRQWDGHDRVSUySULRVUHÀH[RV*DXFKHW3DUD)UHXGHODOHYRXjSRVVLELOLGDGHGHSHQVDUXPDYRQWDGHLQ
-
FRQVFLHQWHUHSUHVHQWDo}HVLQFRQVFLHQWHVSHQVDPHQWRVGHVHMRVHFRQÀLWRVLQFRQVFLHQWHV
 Passos inferenciais para a elaboração do conceito freudiano de inconsciente
Confrontando a teoria freudiana do inconsciente com suaconcepção sobre a relação mente-cérebro, podemos reconstituir os seguintes passos inferenciais como etapas lógicas que levaram – em colaboração com outros fatores, sem dúvida – ao conceito
IUHXGLDQRGHLQFRQVFLHQWH
 Primeiro passo
. Se os fenômenos psíquicos conscientes têmum substrato neural, os processos neurais que constituem essesubstrato devem ter as características dos fenômenos psíquicos
LVWRpFDUDFWHUtVWLFDVTXHOKHVSHUPLWDPVHUFRQVLGHUDGRVFRPRUHSUHVHQWDo}HVGHVHMRVDIHWRVSHQVDPHQWRVHWF
Segundo passo
. Se existem processos neurais que funcio-nam como os processos psíquicos de que temos consciência,
 SRGHHQWmRKDYHUSURFHVVRVQHXUDLVTXHIXQFLRQDPGDPHVPDPDQHLUDPDVVHPFRQVFLrQFLDSHQVDPHQWRVGHVHMRVHWFSUp
conscientes).
Terceiro passo
. Se existem processos neurais com todasas características do psíquico consciente menos a consciência,
 SRGHHQWmRKDYHURXWURVSURFHVVRVQHXUDLVFRPDOJXPDVGHVVDV
características (as que permitem caracterizá-los como repre-
VHQWDo}HVGHVHMRVSHQVDPHQWRVOHPEUDQoDVHWFPDVVHP
algumas outras (negação lógica, contradição, temporalidade,consideração da realidade, etc.).
3
3URSRQKRHVVHVSDVVRVFRPRXPDVHTrQFLD
lógica
VXEMD
-cente ao desenvolvimento do conceito freudiano, e não comouma sucessão de formulações que o autor deveria ter enunciado
H[SOLFLWDPHQWHHFURQRORJLFDPHQWH1mRSUHWHQGRDOpPGLVVRTXHRFRQFHLWRSVLFDQDOtWLFRGHLQFRQVFLHQWHVHMDRVLPSOHVUHVXO
-tado de uma inferência lógica a partir de certos pressupostos. Éclaro que ele resultou também de questões clínicas e teóricas com
DVTXDLV)UHXGDFKDYDVHFRQIURQWDGR2TXHSUHWHQGRPRVWUDU
é como a resposta que deu a essas questões foi atingida por um
FDPLQKRTXHQHFHVVLWRXGHVVDVSUHVVXSRVLo}HV
 Processos neurais com características de processos psíquicos
Antes de tudo, o que importa constatar é que a suposição de processos neurais possuidores das características dos processos
 SVtTXLFRVIRLDFRQGLomRSDUDIRUPXODUDKLSyWHVHGHXPLQ
-consciente que é verdadeiramente
 psíquico
, e não simplesmente
UHÀH[R
FRPRRSURSRVWRSRURXWURVDXWRUHV3RURXWURODGR
como ele é concebido como constituído por processos naturais,isso permite considerá-lo como dependente de mecanismoscausais que podem ir além daquilo que se costumava atribuir 
DRVSURFHVVRVSVtTXLFRVDSDUWLUGRFRQKHFLPHQWRGHVWHVSHOD
consciência. Sem essa pressuposição de processos neuraiscom características psíquicas, o inconsciente se mostraria oudesprovido das características dos fenômenos psíquicos, ou tãodependente dessas que seria impossível concebê-lo como consti-
G.Gomes
 
33
tuído por processos naturais. Mais ainda, e principalmente, essadependência das características dos fenômenos psíquicos, taiscomo se mostram à nossa consciência, impediria a concepçãode processos inconscientes possuidores de algumas, mas não deoutras, dessas características, o que caracteriza, precisamente,os processos do sistema do inconsciente propostos, de formainovadora, pela teoria psicanalítica.Outros autores podiam, com maior facilidade, colocar umaseqüência inconsciente de
UHÀH[RV
no lugar de um
 pensamento
consciente, do que imaginar um pensamento (propriamente dito)como realidade neural. Ora, o substrato neural de um pensamento
FRQVFLHQWHSDUD)UHXGQmRpXPDVHTrQFLDGHUHÀH[RVPDV
sim, como podemos constatar com especial clareza no
 Projetode uma psicologia
, um verdadeiro
 pensamento neural 
(voltareia esse ponto na próxima seção).
9iULRVDXWRUHVMiKDYLDPSURSRVWRDLGpLDGHSURFHVVRV¿VLROyJLFRVSRVVXLGRUHVGHFDUDFWHUtVWLFDVGRSVtTXLFR(PDO
-
JXQVFRPR3ÀJHU/HZHV+HULQJFLWDGRVSRU*DXFKHW
ou Butler (1880/1920), a extensão de atributos psíquicos aos
UHÀH[RV¿VLROyJLFRVRXDWpPHVPRjPDWpULDLQDQLPDGDOHYDYDHQWUHWDQWRDXPDSHUGDGHHVSHFL¿FLGDGHGRSVtTXLFR'L]HUTXHRVUHÀH[RVPHGXODUHVWrPFDUDFWHUtVWLFDVDGDSWDWLYDVTXH
manifestam uma sensibilidade e uma vontade é, sem dúvida, propor um “psíquico” inconsciente, mas não concorre muitocom a concepção de um inconsciente verdadeiramente psíquico,
TXHUGL]HUGHXPGRPtQLRQRYRTXHHVWHMDDRPHVPRWHPSRIRUDGRFDPSRGRVUHÀH[RVHIRUDGRTXHPRVWUDDFRQVFLrQFLD2PHVPRVHDSOLFDDGL]HUFRP+HULQJH%XWOHUTXHDPHPyULDp
uma característica de toda a matéria.
$LQGDRXWURVDXWRUHVDGPLWLQGRDLGHQWL¿FDomRGRSVtTXLFR
à atividade cerebral, se voltaram para a psicologia associativa para dar conta desse psíquico, pois essa forma de psicologia era
FHUWDPHQWHDTXHPHOKRUVHDGDSWDYDDXPDLGHQWL¿FDomRFRPRVSURFHVVRVQHXUR¿VLROyJLFRVFRQKHFLGRVQDpSRFDLVWRpFRPRVUHÀH[RV$VVLP0H\QHUWTXHIRLSURIHVVRUGH)UHXGSRUH[HPSORHVFUHYLDHP
Imaginemos que o córtex é uma
tabula rasa
, e apresentemosa ele um fenômeno que (...) estimula duas áreas distintas docórtex (...) as duas imagens registradas se associam e, sempreque uma delas é re-excitada, a excitação vai se estender através
GDV¿EUDVDVVRFLDWLYDVSDUDDVRXWUDVFpOXODV0H\QHUWFLWDGRSRU$PDFKHUS
&RPRREVHUYD$PDFKHUSDSVLFRORJLDDVVR
-ciacionista tendia a eliminar as faculdades psicológicas, como arazão, a vontade, etc., reduzindo os processos psíquicos à com- binação de sensações.
3RGHVHFRQVWDWDUTXHRSUySULR)UHXGHPDOJXPDVSDVVDJHQVUHQGHKRPHQDJHPDRDVVRFLDFLRQLVPRPDVVHPMDPDLVOLPLWDURVSURFHVVRVSVtTXLFRVDDVVRFLDo}HV
entre sensações.Ao contrário desses autores, Freud supôs a existência de umcampo próprio de processos neurais possuindo plenamente ascaracterísticas do psíquico. Quando digo que Freud postulou a
H[LVWrQFLDGHSURFHVVRV¿VLROyJLFRVSRVVXLGRUHVGDVFDUDFWHUtVWLFDV
do psíquico, isso não implica necessariamente na suposição de um
LVRPRU¿VPR
HQWUHSURFHVVRV¿VLROyJLFRVHDDSDUrQFLDTXHWrPRVIHQ{PHQRVSVtTXLFRVSDUDDFRQVFLrQFLD3RGHPRVpYHUGDGHYHUXPDEXVFDGHWDOLVRPRU¿VPRQDWHQWDWLYDGHFRQVWUXomRWHyULFD
do
 Projeto
3RURXWURODGRHVVDSRVLomRMiKDYLDVLGRFULWLFDGD SHORSUySULRDXWRUHPVXDPRQRJUD¿DVREUHDVDIDVLDV³8PDWDOWUDQVSRVLomR>VHULD@pFODURWRWDOPHQWHLQMXVWL¿FDGD$VSURSULHGD
-
GHVGHVVDPRGL¿FDomR>¿VLROyJLFDSURGX]LGDSRUXPDH[FLWDomR@GHYHPVHUGH¿QLGDVSRUHODVPHVPDVHLQGHSHQGHQWHPHQWHGHVHX
correlato psicológico” (Freud, 1891/1983, pp. 105-106)..
6HMDFRPRIRURLPSRUWDQWHpTXHQDHODERUDomRGR
 Proje-to
, o que Freud requer dos processos neurais responsáveis pelaatividade psíquica é um grau de complexidade, uma estrutura
HXPDGLUHFLRQDOLGDGHTXHVHMDPVX¿FLHQWHVSDUDGDUFRQWDGH SURFHVVRVFRPRRGHVHMRRSHQVDPHQWRDDWHQomRRVDIHWRV
etc., sem pretender reduzi-los a meros processos de associaçõesde sensações.
2GHVHMRHRSHQVDPHQWRQDQHXURSVLFRORJLDKLSRWpWLFDGR
3URMHWR
O primeiro passo inferencial descrito acima pode ser ilustra-
GRSHODVKLSyWHVHVVREUHRGHVHMRHVREUHRSHQVDPHQWRSUHVHQWHV
no
 Projeto
.
5
2GHVHMRVXS}HXPDDVVRFLDomRFRPSOH[DHQWUHHQFKLPHQWRGRVQHXU{QLRVGRQ~FOHRGRVLVWHPDSVLFROyJLFRD
 partir da fonte pulsional, e sua descarga por ocasião da vivência
GHVDWLVIDomRLQYHVWLPHQWRGRVQHXU{QLRVUHVSRQViYHLVSHOD SHUFHSomRHSHODOHPEUDQoDGRREMHWRSUHVHQWHQRPRPHQWRGHVVDYLYrQFLDLQYHVWLPHQWRGRVQHXU{QLRVUHVSRQViYHLVSHOD SHUFHSomRHSHODOHPEUDQoDGRPRYLPHQWRUHÀH[RTXHSHUPLWLXDVXVSHQVmRGRHVWtPXORHQGyJHQR)UHXGS8PQRYRHVWDGRGHWHQVmRSXOVLRQDOSURGX]LUiQmRVRPHQWHRLQYHVWLPHQWRGDUHSUHVHQWDomRGRREMHWRPDV
também um esforço para percebê-lo (pp. 332-333).
7HPRVDVVLPRVHTXLYDOHQWHV¿VLROyJLFRVGHWRGRVRVHOHPHQWRVH[LJLGRVSRUVXDFRQFHSomRSVLFROyJLFDGRGHVHMRDUHSUHVHQWDomRGRREMHWRGHVHMDGRDWHQGrQFLDDVHDSUR[LPDU
dele, a exigência de percebê-lo e a representação da atividade
TXHSRGHWUD]HURSUD]HUSUHYLVWR(OHQmR¿FDUHGX]LGRDXPD
simples associação de sensações.Freud também apresenta, no
 Projeto
, toda uma teoria
QHXUR¿VLROyJLFDGRSHQVDPHQWRTXHHYRFDUHPRVPXLWREUHYH
-
PHQWH2GHVHMRSURYRFDRLQYHVWLPHQWRGHXPDUHSUHVHQWDomRGHREMHWRPDVHVVHLQYHVWLPHQWRVHID]FRPXPDTXDQWLGDGHPHQRUTXHQmROHYDjDOXFLQDomR)UHXGSS(VVDUHGXomRTXDQWLWDWLYDpRUHVXOWDGRGHXPDLQLELomR
efetuada pelo
eu
(
 ,FK
), concebido como um grupo de neurônios
FRQVWDQWHPHQWHLQYHVWLGRS6HRLQYHVWLPHQWRGHGHVHMR
corresponde ao investimento dos neurônios
a+b
e o investimento perceptivo ao investimento dos neurônios
a+c
, o pensamento
VHUiRSURFHVVRTXHEXVFDUiXPFDPLQKRTXHOHYHGH
c
a
b
(p.
(VVHFDPLQKRVHUiGHWHUPLQDGRQmRVRPHQWHSHODVIDFL
-litações, mas também pela representação-alvo (
 Ziel 
S
O neurônio
b
, que corresponde a esse alvo, exerce uma atraçãosobre o deslocamento da quantidade.
3HUFHEHPRVTXHRDXWRULPDJLQDXPSURFHVVRQHXUDOTXHVHMDRHTXLYDOHQWHGRIDWRSVLFROyJLFRGHTXHQRVVRSHQVDPHQWR SUiWLFRpJXLDGRSRUXPDOYR1mRVHGLVSXQKDDLQGDGRFRQFHLWR
sistêmico de processos teleonômicos, mas vemos que a limitaçãode evitar a todo custo um pensamento teleológico em relaçãoaos fenômenos naturais não vale para Freud. Algumas vezes,
Conceito freudiano de inconsciente

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