2 - DESENVOLVIMENTO2.1 - MODERNISMO
O termo modernismo, na história das artes, foi usado para designar doismovimentos: um na América espanhola e na Espanha, no fim do século XIX, predominantemente literário, e o outro no Brasil das décadas de 1920 e 1930, que abriuum prolongado processo renovador de literatura e das artes plásticas. Em Portugal, nasdécadas de 1910 e 1920, os grupos de renovação estética só empregaram a palavracasualmente, junto a outras como futurismo.
2.1.1 - MODERNISMO HISPÂNICO
Modernismo, na literatura de língua espanhola, é um movimento originário de países hispano-americanos e que se firmou por volta de 1880, principalmente sobinfluência do parnasianismo e simbolismo franceses. A renovação das técnicas literáriascaracterizou-se sobretudo pelo refinamento verbal e pela inovação de metros, ritmos eimagens. Impôs-se, também, uma espécie de nova sensibilidade, marcada pelo amor doraro, do requintado e exótico.Os primeiros poetas a destoarem da retórica romântica, prejudicada pelosentimentalismo e, em alguns, pelo caráter melodramático -- e que podem ser considerados precursores da corrente modernista -- foram os cubanos José Martí e Juliándel Casal, os mexicanos Díaz Mirón, Manuel Gutiérrez Nájera e Manuel Othón, e ocolombiano Asunción Silva. É com o nicaragüense Rubén Darío, contudo, que omovimento se delineia de maneira mais nítida: ampla liberdade de invenção nos temas,imagens e metros, gosto pelo raro e exótico, atitude aristocrática, valorização damusicalidade, vocabulário suntuoso e preciosismo. O livro Azul (1888), de Darío, é obradefinitiva, de sentido inovador e revolucionário.A partir de Darío e sob sua liderança, o movimento propagou-se rapidamente por todos os países da América espanhola. O argentino Leopoldo Lugones, já em seu primeirolivro de poemas, Las montañas del oro (1897; As montanhas do ouro), apresenta notávelversatilidade e orquestração verbal, domínio pleno das palavras, musicalidade que seenriquece com extraordinária riqueza de timbres.O mexicano Gutiérrez Nájera, capaz de muito requinte formal e cultor de umaarquitetura estilística haurida em Baudelaire e nos parnasianos franceses, foi o fundador da revista Azul, órgão divulgador do modernismo. No Uruguai, Julio Herrera y Reissig, por alguns considerado voz mais forte e genuína do que o próprio Darío, escreve poesiade intensos traços modernistas: satanismo, exotismo, metáforas arrojadas, sinestesias.
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