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Foucault - História da loucura - Artigo

Foucault - História da loucura - Artigo

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Published by Helena
Esse artigo trata de duas críticas específicas presentes em "A História da
Loucura" de Michel Foucault: a contestação do internamento como a única solução encontrada para lidar com a loucura e o domínio exercido pelas concepções médicas em seu tratamento. Estas problematizações serão trabalhadas através das concepções de história e de discurso defendidas por Foucault.

Artigo disponível no Scielo.
Esse artigo trata de duas críticas específicas presentes em "A História da
Loucura" de Michel Foucault: a contestação do internamento como a única solução encontrada para lidar com a loucura e o domínio exercido pelas concepções médicas em seu tratamento. Estas problematizações serão trabalhadas através das concepções de história e de discurso defendidas por Foucault.

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ISSN 1981-1225Dossiê FoucaultN. 3 – dezembro 2006/março 2007Organização: Margareth Rago & Adilton Luís Martins
 
1
Reflexões sobre
A História da Loucura 
de MichelFoucaultReflection about
Madness and Civilization – AHistory of Insanity in the Age of the Reaso
byMichel Foucault
Priscila Piazentini Vieira
Mestranda em História Cultural – IFCH/UNICAMPCorreio eletrônico:priscilav@gmail.com 
Resumo:
Esse artigo trata de duas críticas específicas presentes em
A História daLoucura
de Michel Foucault: a contestação do internamento como a única soluçãoencontrada para lidar com a loucura e o domínio exercido pelas concepções médicasem seu tratamento. Estas problematizações serão trabalhadas através das concepçõesde história e de discurso defendidas por Foucault.
 Palavras-chave:
Foucault –
 
História da Loucura –
história – discurso.
 Abstract:
This article deals with two critical specific gifts in the
History of Madness
of Michel Foucault: the plea of the internment as the only found solution to deal withmadness and the domain exerted for the medical conceptions in its treatment. Thesequestions will be worked through the conceptions of history and discourse defended byFoucault.
Key words:
Foucault –
History of Madness –
history – discourse.
 
 
Priscila Piazentini VieiraReflexões sobre “A História da Loucura” de Michel Foucault
2
Ao assistir a filmes produzidos no final do século XX e no começo doséculo XXI, como
Garota Interrompida
(
Girl Interrupted
),
Uma MenteBrilhante
(
Beautiful Mind
)
 
e
Em Nome de Deus
(
The MagdaleneSisters
)
1
, percebo uma crítica muito forte à forma como a sociedadeocidental do século XIX até meados do século XX se relacionou com osdesvios e os descontroles – comumente homogeneizados e enquadradospela expressão loucura. Dentro dessa crítica, estabelecida de maneirasdiversas por cada um dos filmes, destaco duas que os unem: acontestação do internamento como a única solução encontrada paralidar com a loucura e, ainda, o domínio exercido pelas concepçõesmédicas em seu tratamento.Acredito que o livro
A História da Loucura na Idade Clássica
 (Foucault, 1997),
 
escrito por Michel Foucault na segunda metade doséculo XX, trata profundamente dessas duas críticas que destaqueianteriormente. Procurarei trabalhar essas problematizações atentandopara duas discussões: as concepções de história e de discurso presentesnos estudos de Foucault.Penso que a primeira crítica, que contesta a relação necessáriaentre loucura e internamento, começa a ser trabalhada na primeiraparte do livro. Para iniciar essa discussão, Foucault aponta umasituação: ao final da Idade Média, por volta do século XV, o problema dalepra desaparece e, com isso, um vazio aparece no espaço doconfinamento. Se toda a preocupação do poder real em torno docontrole dos leprosários desapareceu, Foucault afirma que esseacontecimento não representa o efeito da cura exercido pelas práticas
1
 
Conferir: Mangold, James,
Garota Interrompida
(
Girl Interrupted
), Estados Unidos, 1999; Howard, Ron,
Uma Mente Brilhante
(
Beautiful Mind
),
 
Estados Unidos, 2001 e Mullan, Peter,
Em Nome de Deus
(
TheMagdalene Sisters
), Inglaterra, 2002.
 
 
ISSN 1981-1225Dossiê FoucaultN. 3 – dezembro 2006/março 2007Organização: Margareth Rago & Adilton Luís Martins
 
3
médicas, mas uma ruptura que ocorreu no modo de entender e de serelacionar com a lepra e com o confinamento
2
.Além disso, essa ruptura não faz desaparecer duas noçõesimportantes: os valores e as imagens atribuídas ao personagem doleproso e o sentido produzido pela exclusão desse personagem do seugrupo social. Essas duas questões são relevantes, pois elas serãoretomadas num sentido inteiramente novo para caracterizar outrofenômeno: a loucura. No entanto, para que reações de divisão, exclusãoe purificação dominassem a loucura foram necessários quase doisséculos, pois as experiências e as formas de se relacionar com a loucuraproduzidas na Renascença tinham um sentido completamente diverso eFoucault procurará compreendê-lo.Na paisagem imaginária da Renascença, a Nau dos Loucos ocupavaum espaço fundamental. Ela transportava tipos sociais que embarcavamem uma grande viagem simbólica em busca de fortuna e da revelaçãodos seus destinos e de suas verdades. Esses barcos faziam parte docotidiano dos loucos, que eram expulsos das cidades e transportadospara territórios distantes. Foucault vê nessa circulação dos loucos maisdo que uma simples utilidade social, visando a segurança dos cidadãos eevitando que os loucos ficassem vagando dentro da cidade. Todo essedesejo de embarcar os loucos em um navio simbolizava uma inquietudeem relação à loucura no final da Idade Média. A partir do século XV, elapassa a assombrar a imaginação do homem ocidental e a exerceratração e fascínio sobre ele.
2
Essa afirmação já demonstra a concepção de história utilizada por Foucault e o tratamento reservado porele à segunda crítica que ressaltei no início desse trabalho, a relação entre loucura e medicina. Essasquestões serão tratadas detalhadamente ao longo das minhas reflexões.

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