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DAS RAZÕES DAS EMOÇÕES
MARTA VIDAL PAULARetirado em 23 de Março de 2005 de http:// 
 
http://www.eselx.ipl.pt/actasonline/Dasrazesdasemocoes.htmRESUMO:
As nossas vidas reflexiva e emocional podem coexistir em equilíbrio sedesenvolvermos capacidades, hábitos e estratégias que permitam a nossa auto-regulação. A nossa vida e a dos outros podem também coexistir em equilíbrio secada um desenvolver a sua auto-regulação e outras capacidades, hábitos eestratégias relacionados com a vida social.Todo este desenvolvimento - da Inteligência Emocional, diríamos - baseia-se emcompreender a natureza humana (emocional e racional), reconhecê-la em nós,depois nos outros, para melhor gerirmos os nossos pensamentos e emoções (econsequentes comportamentos). Melhorariam as relações sociais, assim como, onosso desempenho nas tarefas do dia-a-dia, como seja, na aprendizagem.
ABSTRACT:
Our reflexive and emotional lives can coexist in balance if we develop skills, habitsand strategies that allow self-regulation. Our and others lives can also coexist inbalance if each one develops self-regulation and other skills, habits and strategiesrelated with social life.All this development - of Emotional Intelligence, we may say – is based on theunderstanding of human nature (both emotional and rational), it’s recognition onourselves, and on the others, for a better management of our thoughts and emotions(thus consequent behaviors). Social relations will improve, as well as, everydaytasks performance - for example, learning proficiency.
RESUME:
Nos vies de réflexion et émotionnelle peuvent coexister en équilibre si noustrouvons des capacités, habitudes et stratégies que permettront notre auto-régulation.Notre vie et celle des autres peuvent aussi coexister en équilibre si chacundéveloppe sa auto-régulation et d’autres capacités, habitudes et stratégies en rapportavec la vie sociale.Tout ce développement – de l’ Intelligence Emotionnelle, diront-on – se base dansla compréhension de la nature humaine (émotionnelle et rationnelle), la reconnaîtreen nous-même, puis dans les autres, pour mieux gérer nos pensées et nos émotions(et les comportements conséquents). Cela pourrait améliorer les relations sociales,ainsi que, nos performances à les taches du jour à jour, comme par exemple, àl’apprentissage.
 
 
2Que razões terão as emoções para serem objecto de intervenções numa conferênciacientífica? Alguns dirão que as emoções têm razões de peso... o que nos leva a dar a volta àpergunta: porque razão até hoje se tem falado tão pouco de emoções nos meios académicos,profissionais, científicos, etc?Afinal as emoções intervêm em situações cruciais da nossa vida, dando-lhe graça... edesgraça, mas imprescindíveis para:
 
reagir com rapidez perante acontecimentos inesperados
- por exemplo, quandoevitamos um acidente por termos uma reacção imediata, ainda antes de percebermos oque se passa, mas já sentindo o coração alvoraçado e o sangue a gelar
 
tomar decisões com prontidão e segurança
- estudos mostram que analisar umasituação, pensar em soluções e averiguar sobre as suas possíveis consequências, tudoisto é racional; mas escolher a que mais nos agrada e de forma definitiva temintervenção indispensável das emoções (A. Damásio, 1995)
 
persistir na prossecução de objectivos e relações humanas
– de forma puramenteracional, não podemos explicar porque persistimos tanto em certos objectivos ou emcertas relações pessoais
 
comunicar de forma não verbal com os outros e
 
connosco próprios
- o que lemosnas expressões emocionais dos outros pode confirmar ou desdizer as suas palavras;nós também nos conhecemos e gerimos melhor se aprendermos a escutar aquilo que onosso corpo nos transmite através de sentimentos e sensaçõesMas só emoções não chega! Não queremos ser emocionais; queremos seremocionalmente inteligentes.
 
Se pensarmos nas emoções e na razão como coisas distintas, isoláveis, há quem gostasse dese ver livre das emoções e procure ser “muito racional”; por outro lado, há quem se orgulhede só fazer aquilo que o coração lhe diz, de ser “muito intuitivo e sensível”. Nem tanto aomar, nem tanto à terra!Esta ideia de equilíbrio emoção-razão não é nova como podemos ver por esta afirmação deAristóteles (384/3 – 322 AC):
«Qualquer um pode zangar-se – isso é fácil. Mas zangar-secom a pessoa certa, na justa medida, no momento certo, pela razão certa e da maneira certa – isso não é fácil.»
. A expressão da emoção é fácil – o complicado é saber expressá-la de umaforma equilibrada. Aristóteles sugeria que geríssemos as nossas emoções.Um outro filósofo, Robert Solomon, agora da corrente contemporânea da fenomenologia, noseu livro de 1976 “The passions. The myth and nature of human emotion” explica-nos como
 
3podemos gerir as emoções: «
 Aquilo a que se chama “razão” são as paixões esclarecidas,“iluminadas” pela reflexão e apoiadas pela deliberação perspicaz que as emoções na suaurgência normalmente excluem.
». As emoções são rápidas, às vezes trapalhonas, mas não sãopara menosprezar; a razão tem de reflectir e decidir sobre elas.Nietzsche (1844-1900) volta a alertar-nos para a necessidade de equilibrar o domínio dasemoções pois algumas podem-nos fazer cometer erros, alguns deles, muito caros: «
Umamoralidade bem sucedida é a que restringe apenas as paixões
 
estupidificantes, que podemser fatais, na medida em que arrastam a vítima com o peso da sua estupidez.
». Apesar dorisco, Nietzsche não sugere que se anulem as emoções ou que a razão se livre dosconstrangimentos das emoções. Em “O Crepúsculo dos Deuses”, afirma ainda que «
 A funçãoda razão é permitir a expressão de certas paixões a expensas de outras. A moralidade é umconjunto de princípios que restringe as paixões.
».Se esta reflexão toda sobre as emoções já se faz desde o pensamento grego e as ideiasaté convergem, porque agora se tornou tão importante falar de emoções?
 
Porque a metodologia científica começou a dar o seu aval à sabedoria humana
e,no mundo de hoje, o saber científico domina e ofusca o saber puramente fruto dareflexão
 
Porque a sociedade do último século permitiu o desenvolvimento humano decapacidades muito importantes, mas outras foram “esquecidas”
- por exemplo, dehá 10-20-30 anos, as crianças parecem cada vez mais precoces em certas destrezas,como as relacionadas com o saber tecnológico, mas na área socio-afectiva estão cadavez menos empáticas e menos ágeis no controlo da impulsividade (Knorring, 2001)
 
Porque o sucesso na vida depende de um certo grau de inteligência racional eoutro tanto de inteligência emocional
- A nível académico, o QI (Quociente deInteligência) poderá ser o melhor preditor de sucesso (não é preditor nem sequer umbom preditor mas sim poderá ser o melhor preditor). Mas, para o sucesso na vida(profissional, familiar, social, etc), o QE (Quociente de Inteligência Emocional*) serámelhor preditor. (e.g. Felsman e Vaillant, 1987)
 
Porque o aproveitamento das nossas capacidades requer um óptimo de tónusemocional
- É bastante conhecido, fruto de várias investigações, experiência pessoalou reflexão, o facto de, quando temos demasiada ansiedade perante uma tarefa (um
* Esta medida de QE é relativa, quer porque a Inteligência Emocional se pode ir desenvolvendo ao longo davida, quer pela natureza das capacidades envolvidas que as torna difíceis de operacionalizar em “testes”.
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