3podemos gerir as emoções: «
Aquilo a que se chama “razão” são as paixões esclarecidas,“iluminadas” pela reflexão e apoiadas pela deliberação perspicaz que as emoções na suaurgência normalmente excluem.
». As emoções são rápidas, às vezes trapalhonas, mas não sãopara menosprezar; a razão tem de reflectir e decidir sobre elas.Nietzsche (1844-1900) volta a alertar-nos para a necessidade de equilibrar o domínio dasemoções pois algumas podem-nos fazer cometer erros, alguns deles, muito caros: «
Umamoralidade bem sucedida é a que restringe apenas as paixões
estupidificantes, que podemser fatais, na medida em que arrastam a vítima com o peso da sua estupidez.
». Apesar dorisco, Nietzsche não sugere que se anulem as emoções ou que a razão se livre dosconstrangimentos das emoções. Em “O Crepúsculo dos Deuses”, afirma ainda que «
A funçãoda razão é permitir a expressão de certas paixões a expensas de outras. A moralidade é umconjunto de princípios que restringe as paixões.
».Se esta reflexão toda sobre as emoções já se faz desde o pensamento grego e as ideiasaté convergem, porque agora se tornou tão importante falar de emoções?
•
Porque a metodologia científica começou a dar o seu aval à sabedoria humana
e,no mundo de hoje, o saber científico domina e ofusca o saber puramente fruto dareflexão
•
Porque a sociedade do último século permitiu o desenvolvimento humano decapacidades muito importantes, mas outras foram “esquecidas”
- por exemplo, dehá 10-20-30 anos, as crianças parecem cada vez mais precoces em certas destrezas,como as relacionadas com o saber tecnológico, mas na área socio-afectiva estão cadavez menos empáticas e menos ágeis no controlo da impulsividade (Knorring, 2001)
•
Porque o sucesso na vida depende de um certo grau de inteligência racional eoutro tanto de inteligência emocional
- A nível académico, o QI (Quociente deInteligência) poderá ser o melhor preditor de sucesso (não é preditor nem sequer umbom preditor mas sim poderá ser o melhor preditor). Mas, para o sucesso na vida(profissional, familiar, social, etc), o QE (Quociente de Inteligência Emocional*) serámelhor preditor. (e.g. Felsman e Vaillant, 1987)
•
Porque o aproveitamento das nossas capacidades requer um óptimo de tónusemocional
- É bastante conhecido, fruto de várias investigações, experiência pessoalou reflexão, o facto de, quando temos demasiada ansiedade perante uma tarefa (um
* Esta medida de QE é relativa, quer porque a Inteligência Emocional se pode ir desenvolvendo ao longo davida, quer pela natureza das capacidades envolvidas que as torna difíceis de operacionalizar em “testes”.
Leave a Comment