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Murray Rothbard – Direita e Esquerda – Perspectivas Para a Liberdade Tradutores: Rafael Hotz e Luiz Eduardo do Ó Observação: 
 
Eu (Rafael) resolvi traduzir o texto, e resolvi ver se alguém antes já haviase habilitado... Encontrei a tradução semi-pronta (9/20 páginas do original) noblog (abandonado eu acho) do Luiz, a completei, revisei e organizei. O originalpode ser encontrado emwww.mises.org.
Sobre o Texto: 
Nesse texto Rothbard dá a aula de história que os professores de colégio euniversidades brasileiras não lhe conferirão o privilégio de assistir!Rothbard explica claramente como o pensamento libertário (o termo emconotação norte-americana, utilizado por Rothbard, significaria no Brasil algocomo um liberal radical ou anarco-liberal) sempre foi parte da “esquerda”, ouseja, contrário ao
status quo 
vigente, e anti-estatal.Procede mostrando como períodos onde houve um crescimento daintromissão governamental em nossas vidas, mesmo esta mascarada como“em defesa da opinião popular” e “defensora da igualdade”, foram na verdadeperíodos de consolidação do poder de uma minoria, se utilizando do aparato eideologia estatista.Noutro momento importante, identifica as razões pela qual a tradição libertáriase tornou conservadora: a defesa do utilitarismo e a aliança com osconservadores contra o Socialismo de Estado, abandonando a fórmula depessimismo à curto prazo e otimismo à longo prazo pelo oposto, otimismo àcurto prazo, focando mais ações políticas, quase sempre ineficazes, e
 
pessimismo à longo, fazendo com que o pensamento perdesse seuradicalismo.Rothbard escreveu numa época (1965) onde via possibilidade na junção de“esquerda” e “direita” para a defesa da liberdade. Para Roderick Long (2005),em seu ensaio sobre esse mesmo texto (http://mises.org/story/2099), omomento é análogo. A ascensão da “direita neo-conservadora” nos EUA e dasocial-democracia populista na América Latina é um sinal claro de que a uniãoem prol da liberdade é necessária.
*****
O Conservador tem sido marcado há muito tempo, conscientemente ou não,por um pessimismo em relação ao futuro distante: pela crença de que atendência em longo prazo, e portanto o próprio Tempo, está contra ele. Estatendência é a inevitável caminhada em direção ao estatismo esquerdista nopaís e ao Comunismo no exterior. É o desespero em longo prazo que pesa nobizarro otimismo em curto prazo do Conservador; uma vez que o futuro é dadocomo desesperador, ele sente que a única chance de sucesso reside nomomento atual. Nos assuntos externos, este ponto de vista leva o Conservadora clamar por desesperadas demonstrações de força
 
contra o comunismo, jáque para ele quanto maior o tempo de espera, pior se tornará a situação. Nosassuntos domésticos, este pessimismo o leva a uma total concentração napróxima eleição, onde ele sempre está confiante da vitória sem que ela nuncachegue. A quintessência do homem prático, e cercado pelo desespero emlongo prazo, o Conservador se recusa a pensar ou planejar em algo além dapróxima eleição.Pessimismo, entretanto, é o diagnóstico preciso que merece oconservadorismo, tanto em curto como longo prazo. Uma vez que oconservadorismo é um remanescente do
ancien régime 
da era pré-industrial e,como tal, não tem nenhum futuro. Na atual forma americana, o recente
revival 
conservador engloba os espasmos finais dos Estados Unidos Anglo-Saxão,branco, provinciano, rural, fundamentalista e inevitavelmente moribundo. E oque dizer das perspectivas para liberdade? Muitos libertários ligam
 
erroneamente o prognóstico da liberdade com o movimento conservador, queaparenta ser mais forte e é um suposto aliado; esta conexão torna possívelentender o pessimismo em longo prazo do Libertarianismo moderno. Mas estecapítulo se ocupa de mostrar que, enquanto as perspectivas de liberdade numfuturo próximo parecem vagas tanto dentro quanto fora do país, a atitudeapropriada do Libertário deve ser de um otimismo em longo prazo insaciável.A justificativa para esta afirmação se baseia numa visão histórica a qualsustenta que antes do século XVIII na Europa Ocidental existia (como aindaexiste fora do Ocidente) uma Velha Ordem identificável. A Velha Ordem, sejana forma de feudalismo ou de despotismo Oriental, era marcada pela tirania,exploração, estagnação, sistema de castas, desesperança e fome para asmassas. Em suma, a vida era "repugnante, cruel e curta" [*1]; era a "sociedadede status" de Maine e a "sociedade militar" de Spencer. As classes dominantes,ou castas, governavam por conquista e por convencerem as massas com aalegação de imprimátur divino do seu poder.A Velha Ordem era, e continua sendo, o grande e poderoso inimigo daliberdade; no passado, era particularmente poderosa porque não havia acrença na inevitabilidade de vitória sobre ela. Quando consideramos que aVelha Ordem existiu basicamente desde o apogeu da história, em todas ascivilizações, nós podemos apreciar ainda mais a glória e magnitude do triunfoda revolução liberal do século XVIII.Parte da grandiosidade dessa batalha tem sido obscurecida pelo mitoimplantado por historiadores antiliberais Alemães do fim do século XIX. O mitosustentava que o crescimento das monarquias absolutas e do mercantilismo noinício da era moderna foi necessário para o desenvolvimento do capitalismo,desde que estes serviram pra livrar os mercadores e o povo das restriçõeslocais do feudalismo. Isto não é de forma alguma a verdade, o rei e seuEstado-Nação serviram sim como um Senhor super-feudal, re-impondo e re-enforçando o feudalismo, o qual estava sendo desfeito através do pacíficocrescimento da economia de mercado. O rei superimpunha suas própriasrestrições e privilégios monopolísticos sobre aqueles do regime feudal. Osmonarcas absolutos personificavam a Velha Ordem de forma mais evidente e
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