Pós-Modernidade em 1/4
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o viemos plantar sementes,viemos colher os frutos.A marreta é uma extensão denosso corpo, é nossa mão direita, aesquerda é uma picareta!Nós, os apologistas do contrário,somos tudo que há, sem ser nada - etemos consciência disso!Nada deixaremos para as próximasgerações a não ser o cheiro nostálgico denossa fluidez, o ranço cansado de nossogozo demorado e o desprezo displicentede nossas vidas que não valem e jamaisvalerão nada: um fragmento de nada!Sim, éramos fortes demais para ocasulo, quebramos a casca e noslibertamos, porém o mundo não ganhounovas borboletas! A nossa fome é deagora, e engolimos com pressa. E nossaexistência é um eterno engolirininterrupto e convulsivo! Nossosestômagos são pequenos demais, nós osexplodiremos e riremos disso.Não somos bons, nem maus, nemrancorosos, nem simples, nem felizes, nemtristonhos - essas palavrinhas não dizemnada! Simplesmente não somos e gozamosmuito em não ser!Aquilo que te custou mais caro, teusonho mais íntimo, tua meta mais preciosa,teu principal objetivo, joga-o fora eentenderás um milésimo do nossodesprezo...Quando raiou o mais lindo dia, etoda a natureza espreguiçou-se orgulhosae contente: os pássaros cantaram seusmais predestinados cantos, as planícies ecolinas e montanhas e florestas seincendiaram com a luminosidade de todasas cores numa dança caleidoscópica eradiante, e quando os ventos mais suaves egentis roçaram a face das águas e noscampos levantaram as florzinhas maisleves e delicadas provocando em todo ouniverso uma sensação também deleveza... E quando todos saíram de suascasas para -reunidos - contemplarem talmanifestação divina e foramtranspassados (todos) por um sentimentode renascimento e mudança e compaixãoe sensibilidade, ... nós, acordamos tarde,cansados e ressaquiados, e quando noscontaram os últimos acontecimentos...Rimos, nos viramos pro lado e voltamos adormir! ___________________Jean Michel F. Santos é licenciado emhistória pela Universidade do Estado daBahia UNEB Campus V, Mestrando emCultura, Memória e DesenvolvimentoRegional também pela UNEB Campus V eGraduando do curso de direito da UNEBCampus XV. Atualmente reside entre
Por Jean Michel F. Santos
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uando ele finalmente retornou sabe-se lá de ondeestava, ela continuava em sua frente, ainda a reclamar, e foi bemno momento em que pronunciava a última frase de seu longodiscurso:“Não vou guardar mágoa por isso, mas entenda que vocême deixou chateada.”Chateada, ele a havia deixado chateada. Naquele mesmoinstante novamente a companheira e deu início a uma novaviagem. Pouco importava o que ele havia feito ou deixado defazer, o fato era que havia provocado nela uma reação ímpar: elaestava chateada!Dentro do seu universo, esta conseqüência despertou umaadmirada incompreensão ao defrontá-lo com a forma femininado particípio do verbo chatear. De repente achou tão lindo o fatode as mulheres terem uma forma só delas de expressar seuaborrecimento, algo tão diferente, tão somente conjeturável àpercepção masculina, e tal constatação o guiou por uma estradade devaneios onde o ecoar daquela palavra, dita por voz tãosuave, ganhava nova significação, adquirindo ares extremamentesedutores.Poderia passar horas ouvindo-a dizer que estava chateada,sem por sua vez se chatear com isso. Foi quando sua viagempassou então a buscar concentração naquelas formas delicadas,naquele olhar sério, lábios cerrados, ouvidos atentos, prostradosem sua frente, aguardando a confissão da culpa. Estava tão linda,séria, fragilizada, sensibilizada, ornada por uma multidão deadjetivos terminados com a letra “a”. Estava diante de umamulher, e não havia o que pudesse ser feito, jamais alcançaria aplena compreensão de como pensava aquele ser.Para encerrar, concluiu que ambos eram metadescondenadas a buscar eternamente seus encerramentos um nooutro, custasse o que custasse.Acordou do transe e um pouco envergonhado percebeuque ela havia notado que ele estivera longe.Meio sem graça, mas com o peito dilacerado pelaadmiração, não esboçou outro tipo de reação a não serostentar um leve e cândido sorriso, talvez o mais sincero desdea sua remota infância, sorriso este que, incompreendido pelaalma feminina, que tal qual a masculina, lança uma projeção desi mesma para tentar entender o outro, aborreceu a jovemainda mais.“Do que está rindo? Poxa, você nem presta atenção aoque eu digo.”“Meu bem, eu te amo!” Disse com a feição mais sincera,decodificada como sendo a expressão da cara mais deslavada.“Ainda por cima é cínico. Olha, eu vou embora. Nem seio que vim fazer aqui hoje.”“Ta bom meu anjo, pode ir... mas estou falando sério, tabom?”Ela resmungou e saiu. Talvez no fundo soubesse que elerealmente a amava.Ele sorriu mais um pouco e ali ficou, inundado por ummar de tranqüilidade, envolvido nas suaves ondas da certeza deque outros momentos como aquele fariam parte do por vir,feliz por saber que nem sempre reagiria da melhor forma paraos dois, se é que tal reação pudesse existir.
Chateada
Por Manoel Neves
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