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Consumismo

Consumismo

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Ensaio sobre o consumismo
Ensaio sobre o consumismo

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03/15/2014

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Consumismo
Você é um consumidor consciente ou um consumista? Antes de começarmos a falar sobre o tema, temos quediferenciar consumo e consumismo. O consumo é necessário para sobrevivermos, pois você não vive sem sealimentar, sem se vestir, sem se deslocar. Consumismo está associado a exagero, a supérfluo, ao perdulário.Podemos ter como exemplo de consumismo o padrão de vida ocidental representado pelo estilo de vidaestadunidense (
american way of life
), ou seja, vamos comprar mesmo sem precisar de nada. Consumismo é oato de comprar produtos e/ou serviços sem necessidade e consciência. É compulsivo, descontrolado e que sedeixa influenciar pelo marketing das empresas que comercializam tais produtos e serviços. É também umacaracterística do capitalismo e da sociedade moderna rotulada como - a sociedade de consumo -. O conceitode consumismo diferencia-se em grande escala do consumidor, pois este compra produtos e serviçosnecessários para sua vida enquanto o consumista compra muito além daquilo de que precisa.
 
O consumismo tem origens emocionais, sociais, financeiras e psicológicas onde juntas levam as pessoas agastarem o que podem e o que não podem com a necessidade de suprir à indiferença social, a falta de recursosfinanceiros, a baixa autoestima, a perturbação emocional e outros.
 
Consumo
Além de consequências ruins ao consumista que são processos de alienação, exploração no trabalho, amultiplicação de supérfluos (que contribuem para o processo de degradação das relações sociais e entresociedades) e a oneomania (que é um distúrbio caracterizado pela compulsão de gastar dinheiro que é maiscomum nas mulheres tomando uma proporção de quatro por um), o meio ambiente também sofre com este maldo século, pois o aumento desenfreado do consumo incentiva o desperdício e a grande quantidade de lixo.
 
 Nas últimas décadas o planeta vem sofrendo cada vez mais com as moléstias do consumismo, das comprasimpensadas e não sustentáveis. Isso vem exaurindo os recursos naturais, em especial as matérias-primas e a energia.Estamos caminhando para um colapso ambiental. É necessário repensar o ato de consumir. O planeta não conseguirásuprir toda a demanda que cada vez é maior por matéria-prima e energia da sociedade de consumo.
 
Hoje, com a chamada globalização, difunde-se a ideia de que é necessário consumir pra alcançar a felicidade.Parte da sociedade adquire muitos objetos supérfluos enquanto outra parte passa fome ou sofre com doençasdo início do século passado como a tuberculose. Há um consumo impensado desenfreado e isso vem atingindoa geração presente e, certamente, atingirá as futuras.
 
O consumismo não nos dá boas perspectivas sociais e ambientais. Estamos presenciando os altos níveis deobesidade, as dívidas pessoais crescentes, a infelicidade crescente, o menor tempo livre para o lazer, o meioambiente maltratado e por fim, o aumento da violência para sustentar o consumismo de quem não tem um bomnível de renda ou então de pessoas gananciosas que sempre querem mais. A sociedade contemporânea estádoente. Homens e mulheres, descontroladamente, são levados a comprar, sem necessidade. Fazem do consumouma opção de lazer e uma forma de libertação. Os shopping centers se tornaram os templos dessa sociedade -doente - de consumo . Reivindicam o espaço público, mas não passam de comunidades fechadas e restritas,onde se mantém a dominação do rico sobre o pobre. O shopping center vem criando um novo tipo desociabilidade, mas uma sociabilidade destrutiva. Tanto para o ambiente, quanto para o cidadão. É amanifestação de uma sociedade doente, cuja cura só se dá sob uma transformação radical.
 
O cinema foi e ainda é o principal veículo paradisseminar esse conceito, acompanhado do shoppingcenter, do fast food e do automóvel. Sem se dar conta, as pessoas vão assimilando a "cultura" estadunidense e anecessidade de integrar a chamada sociedade deconsumo. O shopping center ganhou espaço nassociedades capitalistas porque passou a significar umanova cidade, mais limpa, segura, moderna, organizada emais seletiva que a cidade real, aquela realidadedenominada de "mundo de fora".
 
 
Com o desenvolvimento da sociedade de consumo, os sujeitos políticos - aqueles que têm deveres, mas também têm direitos -foram praticamente engolidos pelos sujeitos consumidores -aqueles que vivem para produzir e gastar o salário, consumindomuito mais do que realmente precisariam para sobreviver. NoBrasil e nos países onde a desigualdade social é mais visível, aviolência urbana aparece como um complexo fenômeno queacentua a degradação do espaço público e empurra as camadas privilegiadas da população para lugares mais "protegidos",como o shopping centers ou para os mais endinheirados. Acidadania e a democracia partem do princípio de que todos têmos mesmos direitos na vida em sociedade. Mas, na prática, osque têm mais dinheiro acabam tendo mais direitos que outros. A cultura do consumo nasce e se estabelecesobre os ideais da liberdade individual de escolha, o que gera uma equação complicada do ponto de vista da política e da cidadania, uma vez que a liberdade de escolha é maior, no capitalismo, para quem tem maisdinheiro.
 
O consumismo também é um dos responsáveis pelo aumento dos índices de violência. Não há paz e felicidadena sociedade consumista, pois o capitalismo exclui grande parte da sociedade. Para garantir o consumismoesses excluídos partem para a violência. Se analisarmos a violência no Brasil há poucos casos que o indivíduorouba, assalta, furta, mata para suprir as suas necessidades básicas, como comer, vestir-se com roupas comunsou mesmo comprar remédios. Hoje a violência existe para garantir o tênis importado, a roupa de grife, o celular moderno, o aparelho de cd, o carro, a moto, os vícios e claro, as drogas. Em suma, o consumismo, a ganânciae a carência pelo supérfluo vêm tirando a paz da sociedade.
 
O marketing também tem culpa nesse processo, pois cria um apetite de consumo onde não há poder aquisitivo pra tanto e diante disso vem à frustração de não poder consumir e consequentemente surge a violência. NoBrasil já há canais e programas de televisão que ficam vendendo porcarias supérfluas e infelizmente há quemassiste, se interessa e adquire essas bugigangas inúteis. Também pudera estamos vivendo em um país que aqualidade da educação está decrescendo cada vez mais. Estamos criando consumistas e não cidadãos, já quehoje quem não tem o poder de compra é um excluído dessa sociedade. É o ato de medir as pessoas pelo quetêm e não pelo que são.
 
A sociedade ainda não se deu conta que o consumismo tem diminuído a qualidade de vida das pessoas. Temosque parar de olhar e ter os Estados Unidos da América como um padrão de comparação de forma positiva, poiso que vemos lá é uma sociedade doente, assassina, infeliz, exploradora e individualista, mas a mídia faz detudo pra mostrar que é o melhor país do mundo. Nunca se consumiu tanto em alimentação, energia, educação, transportes, comunicações, quanto em diversões,como neste momento. As pessoas têm uma maior longevidade e desfrutam de maior liberdade individual porque melhorou o acesso aos serviços de saúde e à educação em muitos países, aos recursos produtivos, aocrédito e à tecnologia.As consequências dos atuais padrões de consumo são altamente inaceitáveis, sob o ponto de vista humano. Asdesigualdades gritantes no que se refere às oportunidades de consumo conduziram à exclusão de bilhões de pessoas que não chegam sequer a satisfazer as suas necessidades básicas de consumo. Uma criança que nasçahoje em Nova Iorque, Paris ou Londres vai consumir, gastar e poluir mais durante a sua vida do que 50 criançasnum país em desenvolvimento e os que consomem menos são os que suportarão o grosso dos danos ambientais.Somente 20% da população mundial participam nos 86% dos gastos com o consumo individual. Dos 4,4 bilhões de pessoas que vivem em países em desenvolvimento, cerca de três quintos vivem em comunidadessem saneamento básico e um terço dessas pessoas carece de água potável; um quarto não tem habitaçãoadequada; para um quinto, o acesso a serviços de saúde modernos está fora do seu alcance; um quinto dascrianças não chega a concluir os estudos básicos e o número de crianças mal nutridas atinge percentagem igual.Para a maioria da população mundial em situação de grande pobreza, os deslocamentos relativos ás tarefasquotidianas, incluindo a obtenção de combustível e de água, são feitas a pé. É escandaloso que os pobres não possam consumir para satisfazer sequer as suas necessidades mais elementares.
 
Apesar das elevadas taxas de crescimento verificadas no consumo, os países em desenvolvimento não estãode modo algum perto de alcançar os níveis de consumo dos países mais ricos do mundo. Um quinto da população mundial (o que corresponde às pessoas mais ricas):
 
 
 
 
consome 45% da carne e do peixe, enquanto as mais pobres (também um quinto) consomem menosde 5%. A média do consumo de proteínas na França é de 115 gramas por dia. Em Moçambique, é de32 gramas;
 
 
consome 58% da energia total, enquanto as mais pobres consomem menos de 4%; os países de maior rendimento geram 65 % da eletricidade mundial;
 
 possui 74% do total de linhas telefônicas, enquanto as mais pobres só têm 1,5%. Na Suécia, na Suíçae nos Estados Unidos, existem mais de 600 linhas telefônicas por cada mil pessoas. No Afeganistão,no Camboja e no Chade, só existe um telefone por cada mil habitantes;
 
consome 84% do total de papel, enquanto as mais pobres consomem 1,1%. A média dos paísesindustrializados consome 78,2 toneladas de papel por cada mil pessoas, enquanto a média registradanos países mais pobres se situa nas 0,4 toneladas por cada mil habitantes;
 
 possui 87% dos veículos existentes em todo o mundo, enquanto os mais pobres têm menos de 1%. Os países industrializados registram uma média de 405 automóveis por cada mil habitantes. Nos paísesda África Subsaariana, a média corresponde a 11 veículos por cada mil e, na Ásia Meridional, o valor é de 5 veículos por cada mil habitantes.
 
A distribuição desigual da renda traduz-se em exclusão social quando o sistema de valores de uma sociedadeconfere demasiada importância ao que uma pessoa possui, desvalorizando o que uma pessoa pode fazer. Osgastos domésticos no consumo de supérfluos podem não deixar lugar ao consumo de bens essenciais como aalimentação, a educação, a saúde, os cuidados prestados às crianças e um plano de poupança que assegure ofuturo.
 
O crescimento desenfreado do consumo está exercendo uma pressão sem precedentes sobre o ambiente,ameaçando duplamente os que menos consomem. Também nos países em desenvolvimento se verifica a pressão que o aumento do consumo exerce sobre o meio ambiente, mas esses valores estão longe dos níveisregistrados nos países industrializados como dito anteriormente.Os pobres são os que se beneficiam menos e os que mais sofrem as consequências dolorosas de hábitos deconsumo insustentáveis. O peixe é a principal fonte de proteínas para quase um bilhão de habitantes de paísesem desenvolvimento, mas as práticas esbanjadoras dos países industrializados esgotaram muitas reservas de peixe e fizeram com que os preços atingissem níveis que os colocam fora do alcance dos pobres. A escassezde água potável obriga muitos milhões de pobres a dependerem de fontes impróprias, que constituem a principal causa de cerca de um bilhão de casos de diarreia por ano bem como o principal motivo da morte delactantes e de crianças muito pequenas. O elevado custo e a escassez de combustíveis modernos nascomunidades pobres obriga muitos milhões de pessoas, principalmente mulheres, a cozinhar os seus alimentosem fogo alimentado por lenha e esterco animal que conduzem à formação de fumaça. Quase dois terços dos2.7 milhões de mortes por ano, à escala mundial, estão relacionadas à contaminação do ar, provocada pelafumaça proveniente dos lares pobres.Os consumidores, a sociedade civil e os governos devem formar alianças em prol de novos padrões deconsumo. O mundo necessita de padrões de consumo que partilhem recursos e que não dividam as sociedades,que reforcem a capacidade das pessoas e que não as diminuam, que sejam socialmente responsáveis e que nãodestruam o bem-estar dos outros, que sejam sustentáveis e que não degradem a base de recursos naturais e omeio ambiente para as gerações atuais e futuras.

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