A preocupação com a água é mais direta e mais profunda edecorre da conscientização de que, apesar de cobrir quase a totalidadeda Terra,
apenas 2,5% de seu volume é de água doce
, sendo que deste percentual
68,9% são geleiras e neves eternas
,
29,9% são de águas subterrâneas
,
0,9% estão na umidade do solo, nos pântanos e nas geadas
e apenas
0,3% estão em rios e lagos
e que, portanto, com oaumento da população mundial, a poluição provocada pelas atividadeshumanas, o consumo excessivo e o alto grau de desperdício, ela setornou um bem finito em curto prazo a preocupar toda vida existentena Terra.Essa conscientização, embora já venha de algum tempo emoutros países, chegou ao Brasil de forma tênue e com uma certadesimportância talvez pelo fato do País abrigar
13,8% das reservasmundiais de água doce para uma população de apenas 2,8% damundial
e aqui se encontrar
71% dos 1,2 milhões de quilômetrosquadrados (cerca de 840 mil quilômetros quadrados) do AqüíferoGuarani, o maior reservatório subterrâneo de água doce das Américas e um dos maiores do mundo,
envolvendo os estados deMinas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo,Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
.
2. DA NATUREZA JURÍDICA DA ÁGUAA primeira lei a tratar sobre a água no Brasil, o
Código de Águas,
de 1934, embora dispusesse sobre a possibilidade de outorga deuso pelo poder público, em verdade, tratava esse bem com ênfase dedomínio privado. No entanto, assimilando a evolução detransformação da água em bem essencial à vida na Terra, aConstituição Federal de 1988 introduziu esse importante avanço e aconsiderou como
bem do domínio público (art. 20, inciso III)
, tambémchamado de
bem de uso comum do povo
, situação reafirmada emtermos de competência federativa pelos Estados de existência decondominialidade com a União, como sustentada pela Constituição doEstado do Rio Grande do Sul (art. 7º, inciso III).
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