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Darcy Ribeiro - O Povo Brasileiro _resumo

Darcy Ribeiro - O Povo Brasileiro _resumo

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11/09/2013

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DARCY RIBEIROO POVO BRASILEIROMISTURA DE RAÇAS:Para explicar a mistura de raças do povo brasileiro, Darcy Ribeiro mostra que elafoi sustentada por quatro pilares, são eles: as matrizes que compuseram o nosso povo, asproporções que essa mistura tomou em nosso país, as condições ambientais em que elaocorreu, e os objetivos de vida e produção assumidos por cada uma dessas matrizes. Aesses pilares se somam três forças: a ecologia, a economia e a imigração. Ele sustenta quesomos muito mais marcados hoje pelas nossas semelhanças do que pelas diferenças.Surgia assim no Brasil uma estrutura social totalmente inédita, cuja economia era baseadano escravismo e no mercantilismo, que se constituiu pela supressão de qualqueridentidade étnica discrepante da do conquistador através do etnocídio e do genocídio,cuja ideologia era sustentada pela igreja.CONFLITOS INICIAIS:Não se deu, contudo, sem percalços. Houve vários conflitos principalmente entrecolonos e índios e entre colonos e jesuítas. O primeiro tipo se deu pelo choque dementalidade entre os recém-chegados e os locais. Os índios eram consideradosimprodutivos e fúteis, cuja vida era levada dia a dia sem acúmulo de qualquer riqueza. Jáos colonos eram considerados afoitos – os índios não conseguiam entender todo aqueledesespero para juntar tantas coisas se ele tinha apenas uma vida para consumi-las. Houvemuita resistência indígena principalmente pelo fato de eles serem politicamentedescentralizados e atrasados. Isso fez com que cada tribo tivesse de ser dominada de cadavez.Já os jesuítas estabeleceram inúmeras missões auto-sustentáveis em que tentavamrecriar o modo de vida do índio, o que lhes foi extremamente prejudicial, dizimando suapopulação através das doenças trazidas pelo homem branco. Pelo fato de reunirem váriosíndios nessas missões, entraram e vários conflitos com os colonos, que queriam seapossar dos índios para realizarem seus trabalhos de extração. Assim, invadiram muitasdessas missões e mataram índios e saquearam os jesuítas. Por esse conflito de interesses edo caráter mercantil da nova colônia a Coroa ficou do lado dos colonos, o que culminouna expulsão dos jesuítas do Brasil.AS GRANDES NAVEGAÇÕES:Portugal lançou-se nessa aventura pelos mares principalmente por três fatores: atecnologia de navegação e experiência comercial que possuíam; o caráter centralizado deseu Estado; por estarem agora livres do domínio mouro. Eram assim um impériomercantil salvacionista, que buscava riqueza, e partiam como neocruzados cujas ações e amentalidade eram sustentados pela igreja, assumindo até o Estado português funções dedistribuir cargos sacerdotais com o padroado papal. Assim, o iberos foram, ao lado dosbritânicos e dos eslavos, as nações germinais do mundo de hoje.Os ingleses mostraram-se na época como granjeiros puritanos e burguesesindustriais. Ignoravam as razões da igreja na colonização, queriam apenas transplantar aspaisagens inglesas para as suas colônias. Na nossa costa, atuaram principalmente comopiratas.
 
Já os russos eram uma sociedade arcaica e estratificada, cujos membros queriamapenas viver suas vidas de camponeses e ao entrar em contato com povos de etnia distintanão queriam mudá-los, como aconteceu aqui, mas estabeleciam um apartheid, tendotambém o povo dominado uma certa liberdade. Esse estilo de colonização foi chamado degótico.O estilo de colonização dos ibéricos foi chamado de barroco. Ele se baseava nolucro e na riqueza, na opressão e na mistura com o povo local, na supressão das etniaslocais discrepantes com o seu modo de ser e da implantação na colônia do seu modo devida. Tudo sustentado pela força da igreja.Esse estilo de colonização fomentou a estruturação econômica e social do nossopovo em três planos: associativo: pela escravatura, pela estrutura sócio-política;adaptativo: pela tecnologia que se implantava, pelo engenho, pela introdução dapastagem de gado; ideológico: pela igreja, pela língua nova que era trazida ao Brasil.Constituímos uma sociedade bipartida em rural e urbana, plasmada pela atualizaçãohistórica, que é o processo de interrupção do desenvolvimento natural de um povo poroutro, ditando um novo rumo nesse processo. Tornamo-nos uma extensão da Europaibérica. As dificuldades que encontramos foram principalmente a oposição indígena aotrabalho compulsório e mais adiante manter o controle sobre os neobrasileiros quenasciam.A OCUPAÇÃO DO BRASIL:A ocupação do Brasil só foi possível através do cunhadismo. Para o colono eraextremamente conveniente formar vínculos familiares com os indígenas, pois esses lheserviriam na extração de pau-brasil e outros produtos tropicais. Foi nessa época em queaconteceu o escambo, com o Português trocando o pau-brasil por bugigangas.Esse cunhadismo foi marcante em algumas colônias, como Bahia e São Vicente.Na primeira, destaca-se a figura de Diogo Álvares, que conseguiu estabelecer-se comtranqüilidade na colônia, atingindo um equilíbrio com os índios, com os portugueses ecom os jesuítas, a quem deixou inclusive bens em testamento. Para a Coroa era interesseter índios recrutáveis, por isso apoiou a instalação de missões na Bahia. Com isso,nasceram os engenhos e o número de negros cresceu marcadamente mais na frente.Em São Vicente, houve João Ramalho e Antônio Rodrigues. O primeiro, eramuito temido pelos jesuítas, pois conseguiria levantar um número de até cinco mil índiosde guerra se necessário. Ele mais na frente ajudou ou missionários a expulsar os francesese a lutar contra os Tamoio na baía da Guanabara. São Vicente, antes das bandeiras,dedicaram-se principalmente ao aprisionamento indígena para realizar suas tarefas dodia-a-dia e depois à venda de índios cativos ao nordeste açucareiro.No Rio a presença francesa foi forte inicialmente, apoiados pelos Tamoio. Forampor fim expulsos e se instalaram no Rio missões jesuíticas em relativa paz com os índiosTupinambá.Com medo do cunhadismo desenfreado, a Coroa estabeleceu as colôniashereditárias, cujo objetivo era explorar e povoar a nova terra. Foi nessa época que já nãoera tão fácil aliciar os índios, então se intensificou sua escravização. A maior dificuldadepara essa prosperidade mercantil foi a resistência indígena, principalmente onde estavamconfederados com os franceses. Com a instauração do Governo Geral, o índio semostrava muito rebelde ao trabalho escravo, principalmente com Mem de Sá. Suapopulação foi consideravelmente reduzida pela guerra, pela escravidão e principalmente
 
pelas doenças. A isso, somara-se as guerras autorizadas, a perda de terras, as catequese eo fato de não encontrarem um papel na nova sociedade que se formava.A França ocupava o Rio de Janeiro com o apoio do Tamoio. Assim, estimulou acriação das missões jesuíticas. Porém, decretava e revogava leis de captura de índios, oque tornou bastante irregular a vida indígena nas missões, que eram atacadas peloscolonos com o apoio da lei ou sem ele. Com a expulsão dos jesuítas os colonos seapossaram dos indígenas e passaram a arrendá-los, o que os consumia muito mais rápidae intensamente.NEOBRASILEIROS E ÍNDIOS:Surgiram então os neobrasileiros, que eram muito semelhantes aos índios, viviamem comunidades auto-suficientes e produziam para o mercado externo. Falavam tupi enhengatu. Porém, constituíram uma macroetnia graças ao modo de vida comum quetinham. A vida no Brasil, como já foi dito, foi bipartida em grupos rurais e urbanos. Osprimeiros viviam em fazendas e viviam das plantações. Eram patriarcados monocultores.Já o componente urbano servia para administrar a colônia. Esses novos brasileirossofreram uma forte rejeição, pois já não eram mais índios nem portugueses, e nessa buscade identidade, só nasceu o sentimento de nativismo com a indiferenciação da cor entreeles. Os índios, por mais contato que sua tribo tivesse com o homem branco, nunca perdiaseus traços culturais e sua identidade. Quando havia uma perseguição ao índio eles sefechavam ainda mais em si. Houve sempre uma tendência histórica de atenuar o impactogenocida da conquista do Brasil pela minimização quantitativa do número de índiosexistentes aqui na época da colonização. Vale lembrar também o papel de CândidoRondon, que defendeu o direito à diferença para o índio, que lhe queria garantir o direitode ser ele próprio, sem ter seu modo de vida alterado e influenciado pelo branco.O NEGRO ESCRAVO:Os negros inicialmente foram passivos na formação cultural do nosso povo pelofato de serem desgarrados de suas tribos e serem até hostis uns com os outros e deraramente falarem a mesma língua uns dos outros. Por isso mesmo, raramente índios damesma tribo eram colocados juntos, para se evitarem os motins. Por isso foram osprincipais disseminadores da língua portuguesa, que aprenderam com o capataz. Elesviviam nos engenhos açucareiros, de algodão e nas áreas de mineração. Seu papel foiimportante na inserção dos recém-chegados de outras tribos no modo de vida vigente, oque transformava a cultura desses e os unificava. Os mulatos que nasciam desses índioseram três: os banda-forra (negro com branco), os salta-atrás (negro com índio) e oterceirão (negro com banda-forra).A MISTURA DA RAÇAS:A mistura dessas três raças foi mais intensa na época da mineração aurífera.Surgiram novas atividades para dar sustento à maquina mineradora, que permitiu ainclusão de diferentes etnias, além de permitir a expansão para o interior do país. Amineração atraiu levas de gente de todos os cantos, e essas foram forçadas a conviver.Podemos dizer que a mineração articulou os núcleos coloniais com a criação de uma redede intercâmbio comercial que proporcionou a riqueza de algumas cidades e a construçãode prédios suntuosos. Aí surgiu também a arte de Aleijadinho, de Gonzaga e de CláudioManuel da Costa. Com o esgotamento das jazidas auríferas houve a diáspora e a

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Igor Siqueira Dos Santos added this note|
é maneiro ppelo menos eu to confiando nessa parada kkkkkkkkkkkkkkkkkk se eu leva 0 eu ti mato u.u s2s2ss2s22 adoro
Igor Siqueira Dos Santos added this note|
uhul
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