qual as coisas estariam organizadas se tudo estivesse em ordem,elaboramos hipóteses sobre o problema, ou seja, simulações ideaisdas possíveis causas do problema, e finalmente testamos nossashipóteses. E não é preciso ser nenhum cientista para fazer isso, oque é mostrado em vários exemplos utilizados pelo autor,principalmente o do carro
(pág. 15, parag. 1 e 2; págs. 22-25).
O que é preciso? Simplesmente, termos a consciência dopressuposto de que tudo deve estar em ordem para funcionarcorretamente, além da consciência do que buscamos.A questão da ordem é importante, pois se trata de mais umgrande aspecto comum ao senso comum e à ciência: ambasbuscam essa ordem. Pressupôs-se que para o universo funcionarcorretamente, tudo deve estar em uma ordem.A diferença é que a ciência busca a explicação dessa ordemnas coisas invisíveis, nas coisas que estão escondidas, não seagarrando, assim, à aparência efêmera das coisas como o sensocomum. Ou seja, a ciência vai mais além, buscando a essência dascoisas.A ciência, também, procura se afastar dos mitos, do mágico edo subjetivo. O senso comum crê na magia, na religião, nascrenças em si. A ciência os nega.A ciência, entretanto, é tão incerta quanto o senso comum.Para o autor, ela não tem a resposta definitiva para todos osproblemas. As respostas que a ciência nos dá muda com o tempo.Isso se deve ao fato de a ciência trabalhar com modelos, cópiashipotéticas da realidade, que tentam se aproximar do real, masnunca são o real. Por isso, trabalha-se na ciência de uma formadedutiva: acredita-se que as coisas permanecerão do jeito queestão no futuro, e que em todos os lugares as coisas sejam iguais.Até na ciência há fé.E graças a isso é que se dão as revoluções da ciência. Comoos modelos são cópias provisórias, quando eles não explicamalguma coisa, é possível reorganizar os materiais velhos, sob umaforma nova. Isso faz com que teorias sejam refutadas (teorias quenão estão mais servindo) e que novas sejam criadas. Isso é bom enecessário. Rubem Alves ressalta: o sim da ciência é sempre umtalvez. Não podemos ter certeza de que algo é quando os fatos oconfirmam, porém a partir do momento em que exista algo quenegue essa coisa, ela imediatamente deixa de ser. A ciência, assim
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