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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – UFSCCENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS – CCJINFORMÁTICA JURÍDICAOs Tempos Hipermodernos – ResenhaVictor CavalliniFlorianópolis – SC2009RESENHA DO LIVRO “OS TEMPOS HIPERMODERNOS”, DEGILLES LIPOVETSKY COM SÉBASTIEN CHARLES
 
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- Informações técnicas:LIPOVETSKY, Gilles e CHARLES, Sébastien.
Os TemposHipermodernos.
São Paulo: Barcarolla, 2004. 129 p.
1.
Prefácio
Por Pierre-Henri Tavoillot 
:Gilles Lipovetsky, desde seu primeiro livro (A era do vazio 1983),marcou profundamente a interpretação da modernidade, explorando as múltiplasfacetas do indivíduo contemporâneo. Ele, em sua obra, supera o antagonismotradicional entre os antigos e os modernos, bem como a concepção “de umaracionalidade para a qual existem não mais fins, e sim apenas meios” (p. 8).Lipovetsky apresenta uma vio paradoxal do nosso presente,demonstrando que não há apenas uma ascensão do materialismo e do cinismo, mastambém um reinvestimento em certos valores tradicionais, se opondo aos valoresindividualistas cada vez mais presentes e fortes.
Neste livro, escrito em colaboração com Sébastien Charles,Lipovetsky fala de sua trajetória intelectual e das diferentes etapas de seutrabalho; mas oferece também uma contribuição fundamental para suaprópria interpretação da "segunda revolução moderna", dedicando-se pelaprimeira vez a descrever os traços mais característicos daquilo que, paramelhor ou pior, a "hipermodernidade" nos reserva.” (p. 9)
2.
O individualismo paradoxal: Introdução ao pensamento de GillesLipovetsky –
Por Sebástien Charles
 Desde a antigüidade, a condenação do presente era a críticamais comum apresentada pelos escritores, poetas e filósofos. Seja pelaperspectiva da decadência, onde o passado era o lócus das virtudes e dafelicidade e o presente era a conseqüência de uma grave degeneraçãodaquele, presente na concepção de Platão e outros pensadores antigoscomo no mundo cristão, bem como na perspectiva moderna, onde nãomais o passado, e sim o futuro seria o lócus da felicidade vindoura –otimismo que caracteriza a filosofia das luzes – a ser atingida através dodesenvolvimento e conquistas da ciência, o presente era visto como algo aser superado.No entanto, em virtude das catástrofes presenciadas pelo séculoXX, tanto o passado quanto o futuro acabaram desacreditados, surgindo atendência de supervalorizar o presente, o hoje. No entanto Gilles mostraque as coisas o o assim o simples, porque a consagração dopresente não é tão evidente e porque as críticas feitas a essa consagraçãopassam por cima do essencial. Lipovetsky se preocupa em analisar 
 
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sempre os dois aspectos do real, possibilitando uma análise maisdetalhada dos fenômenos do mundo.2.1.Da modernidade à s-modernidade: o abandono do universodisciplinar A crítica mais feita à modernidade é a de que ela não conseguiuatingir a autonomia prometida pelas Luzes, dando lugar a uma verdadeirasubjugação, burocrática e disciplinar. Focault afirmava que essa disciplinaimposta produzia uma conduta normatizada e padronizada, submetendo osindiduos a uma rma idêntica. Lipovetsky, distanciando-se destaconcepção ao mesmo tempo em que Focault ainda fazia das disciplinas oprincípio de inteligibilidade do real, anuncia que havia se entrado numasociedade pós-disciplinar (pós-modernidade) e encarando-a pelo domínioda moda (que permite também uma análise fora da luta de classes).Essa lógica da moda tem origem nas rivalidades de classe, masestas não podem ser o princípio explicativo das variações incessantes damoda. As variações derivam de novas valorações sociais ligadas a umanova posição e representação do indivíduo frente à sociedade. É umavalorizão da renovão das formas, a valorizão do novo emdetrimento do passado. Essa lógica da moda estendida ao corpo socialque permitiu a emergência do mundo pós-moderno, onde a normatividadenão se impõe mais pela disciplina, mas pela escolha e pelaespetacularidade, que permitiu realizar os ideais das luzes; entretanto, deforma que os mecanismos de controle o aparecem, por estaremadaptados.Essa pós-modernidade se mostra paradoxal na medida em que édupla: valoriza a autonomia (maior tomada de responsabilidade) eaumenta a independência (maior desregramento). De um lado ocompromisso, autocontrolar-se, de outro, deixar-se levar.“(...) se a obra de Lipovetsky propõe uma visão da s-modernidade mais complexa e menos unívoca, (...) isso não se dá paraenaltecer nosso presente, mas para sublinhar os paradoxos essenciais eapontar a ação paralela e complementar do positivo e do negativo” (p. 22)
2.2.
Da pós- modernidade à hiper modernidade: do gozo à angústiaA pós-modernidade se caracterizava como o momento históricoem que os freios institucionais que se opunham à emancipação individual,dando lugar às manifestações de desejos individuais subjetivos, e o âmbitosocial passa a ser um prolongamento do privado. O que possibilitou apassagem da modernidade à s-modernidade foram o consumo demassa e os valores que ele veicula.A sociedade hipermoderna seria a sociedade da hipervalorizaçãodas sensões íntimas, do hipernarcisismo, onde os paradoxos da

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