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Capítulo 1
“Seja bem-vindo à Mansão do General”
Avvena é um lugar inapropriado para quem gosta desol e calor. Não há um único dia no ano de tempo totalmenteestável e sem chuva. É úmida, cinzenta, encardida. Nas ruas,perambulam pessoas cabisbaixas e tristonhas. São raros osdias festivos, e ainda assim, preenchidos de solenidades. Du-rante séculos, Avvena foi um quartel gigantesco, e a maior parte da população era de soldados; os que não eram militarestrabalhavam para eles, e se lhes impunha um regime de ordeme obediência, o que acabava, enfim, sendo a mesma coisa:todos seguiam um regime militar. Depois que as conquistas aoterritório minguaram e o exército foi incumbido de proteger asfronteiras, muito distantes do Mar, Avvena tornou-se um póloindustrial, porque tinha algo difícil de encontrar em outras pro-víncias: uma massa de trabalhadores obedientes, histórica eculturalmente incapaz de exigir melhores condições de traba-lho. Assim, Avvena passou a ser um atrativo, primeiro para asnascentes indústrias, depois, para pessoas que viviam em situ-ação de pobreza e miséria nas áreas rurais desta mesma pro-víncia, que vinham em busca de trabalho – ou, pelo menos, deum meio de sustento - e por último, para moradores de outrasgrandes cidades e do interior de outras províncias ao redor doMar. Avvena inchou, alastrou-se pelo vale que ocupava, tomoua região acidentada que circundava a cidade-quartel, subiu a
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