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Porque Projectamos – A Sombra Em 10 Lições
Como criamos o Eu Falso
 Os pais utilizam variadas técnicas e tentativas nos seus objectivos de reprimirdeterminados pensamentos, sentimentos e comportamentos nos seus filhos. Por vezesavançam com pedidos muito directos: “os homens não choram!”, ou “mexer aí (
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 referindo-se aos genitais) é feio!”, ou ainda “não voltes a dizer essas coisas!”Podem ainda fazê-lo de maneira mais agressiva, como podemos observar numa lojaquando a mãe ralha com a criança, ou dá umas palmadas ou bofetadas porque acriança mexe onde não deve.Mas a maior parte das vezes os pais moldam a criança de maneiras subtis, numprocesso a que se chama
invalidação
– limitam-se simplesmente a não testemunharum comportamento ou a mostrar agrado por algo que a criança diz. Por exemplo, se ospais não dão qualquer valor ao desenvolvimento intelectual, oferecem aos seus filhosbrinquedos ou inscrevem-nos em actividades lúdicas, mas não lhes oferecem livrosnem estimulam a leitura. Se acreditam que as mulheres devem ser sossegadas efemininas e os homens fortes e assertivos, só mostram apreço por comportamentosrelacionados com o sexo da criança. Se o menino de 4 anos entra na sala com umenorme camião nos braços, podem afirmar algo como “que homem forte!”, mas se foruma menina a carregar o mesmo camião podem dizer “cuidado! Olha que podesmagoar-te e sujar o teu lindo vestido!”Contudo, a forma como os pais mais influenciam os seu filhos é através do exemplo.As crianças, instintivamente, observam as escolhas que os pais fazem, as liberdades eos prazeres que se permitem, os talentos que desenvolvem, as capacidades queignoram, e as regras e valores que seguem. Tudo isto tem um efeito profundo nascrianças. O que as crianças vêem é: “É assim que nós vivemos. É assim queconseguimos sobreviver.” Esta socialização inicial é importante, independentemente deas crianças aceitarem os modelos dos pais ou de se revoltarem contra os mesmos.A reacção de uma criança aos convencionalismos da sociedade segue um padrãobastante previsível. Inicialmente, a primeira resposta é esconder os comportamentosproibidos pelos pais. A criança tem pensamentos de raiva mas não os expressa.Prefere explorar o seu corpo na privacidade do seu quarto. Pode implicar com osirmãos mais novos quando os pais não estão presentes (ou abusar deles de muitasmaneiras). Com o decorrer do tempo, a criança chega à conclusão que alguns dospensamentos e sentimentos são tão inaceitáveis que deveriam ser simplesmenteeliminados. Assim, constrói um pai imaginário que policie os seus pensamentos eacções, criando aquilo que muitos psicólogos referem como o superego. A partir daqui,sempre que a criança tem um pensamento proibido ou tem um comportamentoinaceitável, irá experienciar uma dor causada pela ansiedade do superego. Estaexperiência pode ser tão desagradável que a criança decide meter dentro de um sacoalguns dos seus aspectos proibidos. Ou seja, reprime certos pensamentos e acções. Opreço que paga por fazê-lo é a perda do ser total ou completo que é.Para preencher o vazio criado, a criança cria um “Eu Falso”, uma estrutura psicológicaque serve dois objectivos: irá camuflar as partes de si reprimidas e também protegê-la
 
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de mais danos.Uma criança criada por uma mãe que reprime a sua sexualidade e é distante, porexemplo, poderá tornar-se no “homem duro”. A criança dirá a si mesmo: “Não querosaber se a minha mãe é distante e não me mostra afecto. Eu não preciso dessaslamechices. Eu desenrasco-me bem sem ajuda. E mais uma coisa: sexo é uma coisasuja!” Com o passar do tempo o menino irá aplicar esta resposta padrão a todas assituações. Independentemente de quem se queira aproximar dele, irá sempre criar amesma barreira. Mais tarde, quando por fim consegue ultrapassar a sua relutância emrelação aos relacionamentos humanos amorosos é muito provável que critique a suacompanheira devido ao desejo desta de querer intimidade e um contacto sexual.“Porque raio queres tu tantos carinhos e mimos? E porque és tão obcecada com osexo?! Isto não é normal!”No entanto outra criança pode reagir à mesma mãe, distante e sexualmente reprimida,de maneira oposta. Exagerando os seus problemas na esperança de alguém a ajudar.“Coitado de mim! Estou ferido, os outros magoam-me continuamente! Preciso quealguém cuide de mim!”Uma outra criança pode tornar-se gananciosa, tentando agarrar-se a cada pedaço deamor, comida e objecto que veja, na certeza que nunca haverá o suficiente.Independentemente da natureza do Eu Falso, o seu propósito é sempre o mesmo:minimizar a dor de perder uma parte da criança original. O seu ser completo e divino.Contudo, a determinada altura do desenvolvimento da criança, esta forma engenhosade auto protecção torna-se na causa de mais danos, à medida que a criança é criticadapor possuir estas características negativas. Os outros irão criticar o seu distanciamentoe frieza, ou a sua atitude de
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coitadinho
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, ou o ser gordo ou ganancioso. Os que atacamesta criança não conseguem ver as feridas que ela tenta proteger, e não ficam muitoentusiasmados pela maneira astuta com que o faz: tudo o que vêem é a sua naturezaneurótica. É considerada inferior, menos que completa.É aqui que a criança se sente numa encruzilhada. Por um lado tem que se agarrar aosaspectos de adaptação do seu carácter, porque servem um propósito útil, mas poroutro lado não quer ser rejeitada. O que pode esta criança fazer? A solução é negar ouatacar a atitude dos que a criticam. “Eu não sou frio e distante!”, poderá dizer em auto-defesa, “na verdade sou forte e independente!”. Ou “eu não sou um coitadinho frágil,sou simplesmente muito sensível.”. Ou ainda “eu não sou ganancioso e egoísta, soupoupado e prudente!”. Por outras palavras, “Não é de mim que estão a falar. Vocêsapenas estão a ver-me sob uma perspectiva negativa.”Até certo ponto a criança tem razão. Os seus aspectos negativos não fazem parte dasua natureza original. São criados a partir da dor e tornam-se parte de uma identidadeassumida, um “outro eu” que a ajuda a viver num mundo complexo e muitas vezeshostil. Isto não quer dizer, contudo, que ela não possui estes aspectos negativos.Haverá sempre um número de pessoas que afirmarão a sua existência. Mas parapoder manter uma imagem positiva de si mesma, e aumentar as probabilidades desobrevivência, ela terá que negar a sua existência.Estes aspectos negados irão tornar-se aquilo a que se chama de “Eu Deserdado”,aqueles aspectos do Eu Falso que são demasiado dolorosas para serem reconhecidos.
 
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Vamos parar aqui por alguns instantes e ver em pormenor esta proliferação de “Eus”.Até agora conseguimos criar com sucesso várias fracturas no Eu Verdadeiro e Original,a natureza de amor e ser completo com a qual todos nascemos, em três partesdistintas:1. O “Eu Perdido”, aquelas partes do nosso ser que reprimimos devido ás exigências dasociedade;2. O “Eu Falso”, a fachada que construímos para poder preencher o vazio criado por estarepressão e por uma falta de afecto;3. O “Eu Deserdado”, os aspectos negativos do Eu Falso que encontram reprovação nomeio que nos envolve e que, assim sendo, são negados.A única parte desta colagem complexa que mantemos consciente é aquela que fazparte da criança original e completa e que ainda se mantém intacta, assim como certosaspectos do Eu Falso. Estes aspectos juntos formam aquilo a que chamamos
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personalidade
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– a forma como nos descrevemos aos outros. o Eu Perdido encontra-sequase totalmente ausente da nossa consciência: cortamos quase na totalidade todasas ligações com estas partes reprimidas do nosso Eu. O Eu Deserdado (a Sombra), aspartes negativas do Eu Falso, fica alojado muito próximo da consciência e ameaçaconstantemente vir à superfície. Para o manter escondido, temos que o negaractivamente ou então projectá-lo em outros.“Eu não sou egoísta! Tu é que só pensas em ti!” diremos veementemente. Ou “Eu,preguiçoso?! Tu é que não tens nunca tempo para desfrutar da vida!”E dizemos isto com tanta energia quanta conseguimos utilizar.E assim, a pouco e pouco, a criança original, completa e divina, começa o processo deseparação e sofrimento. Eventualmente, por volta dos quarenta anos, começa aquestionar os seus relacionamentos, o seu trabalho, a sua família. Sem que seaperceba que tudo à sua volta são projecções de si mesmo.A única forma de, então, libertar-se de todo o sofrimento que sente e que tambémcausa a outros, é através de um abraço. Um abraço com amor por quem é e por quemtem negado em si. Um abraço sentido a partir do coração. Só aqui começa overdadeiro retorno a quem sempre foi.Agora que começamos a estar mais conscientes das razões porque a nossa vida écomo é, podemos fugir e continuar a fingir que a vida é complicada e difícil, oupodemos dar início a um processo de cura interior.
A solidão
 Vivemos num planeta com mais de sete mil milhões de habitantes e, todavia, sentimo-nos cada vez mais só.Os motivos que nos levam a sentirmo-nos cada vez mais solitários são vários, mas ascausas são sempre as mesmas. Sentimo-nos na solidão ou pelas coisas queaconteceram nas nossas vidas, e gostaríamos que voltassem a acontecer. Ou sentimo-
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