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2012.AprendizagemProfissionalSurf.UEM.pdf

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03/17/2014

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DOI: 10.4025/reveducfis.v23i3.15320
 
Rev. Educ. Fis/UEM, v. 23, n. 3, p. 431-442, 3. trim. 2012
A APRENDIZAGEM PROFISSIONAL NA PERCEPÇÃO DE TREINADORES DEJOVENS SURFISTAS
PROFESSIONAL DEVELOPMENT PERCEIVED BY COACHES OF YOUNG SURFERS.
Valmor Ramos
 Vinicius Zeilmann Brasil
∗∗
 Ciro Goda
***
 
RESUMO
O objetivo do estudo foi descrever a percepção dos treinadores sobre sua aprendizagem profissional no
surf 
e interpretá-lasem conformidade com a literatura especializada. Foi realizada uma pesquisa qualitativa, com estudos de caso múltiplos,envolvendo 11 treinadores com reconhecida competência na formação de jovens em Florianópolis, Brasil. Os dados foramcoletados a partir de entrevistas estruturada e semi-estruturada. Para a análise dos dados utilizou-se a técnica de análise deconteúdo. Os resultados mostram que os treinadores valorizam várias fontes informais de conhecimento. O compartilhamentode conhecimentos, a solução de problemas e a observação de outros profissionais foram essenciais para a construção doconhecimento profissional. Conclui-se que os profissionais aprendem a partir do engajamento espontâneo no domínioespecífico da prática do
surf 
e de um processo de socialização dentro de um contexto sociocultural deste esporte.
Palavras-chave
: Educação física e Esporte. Formação do treinador.
Surf 
.
 
Doutor. Professor do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte da Universidade do Estado de Santa Catarina,Florianópolis-SC, Brasil.
∗∗
Livre Docente. Professor do Centro de Ciências da Saúde e do Esporte da Universidade do Estado de Santa Catarina,Florianópolis-SC, Brasil.
∗∗∗
Mestre. Centro de Ciências da Saúde e do Esporte da Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis-SC,Brasil.
INTRODUÇÃO
A aprovação das Diretrizes CurricularesNacionais (Resolução Nº 01/CNE/2002 eResolução Nº 07/CNE/2004) definiu asorientações gerais para a formação de futurosprofissionais de Educação Física, possibilitandoàs instituições de ensino superior do país acriação de cursos distintos para formarprofissionais com Licenciatura ou Bacharelado.Relativamente ao primeiro, a perspectiva éformar professores para intervir exclusivamenteno âmbito da Educação Física escolar, enquantoo segundo é o de habilitar profissionais paraatuar em diferentes formas de manifestação domovimento humano ou atividade física, fora docontexto escolar (jogos, danças, ginásticas, lutase esportes) (BENITES; SOUZA NETO;HUNGER, 2008; BETTI, 2005; BRASIL, 2004;HUNGER et al., 2006; PEREIRA; MOREIRA,2008)Nesse sentido, os cursos de formação debacharéis passam a assumir algumasresponsabilidades na formação de profissionais,para atender demandas de intervenção de ummercado de trabalho abrangente, vinculado aotreinamento esportivo, preparação física,avaliação física, recreação, orientação deatividade física e gestão na Educação Física eesportes, conforme Resolução CONFEF nº046/2002.Particularmente no âmbito do treinoesportivo, Gilbert e Trudel (2004) destacam asdiferenças entre a formação de professores paraas escolas, em contraste com o processo atual deformação profissional para treinadores.Enquanto os professores possuem um sistema deformação de nível superior, com vários anos depreparação e com estruturas claramentedefinidas, a qualificação profissional dotreinador tem dependido muito mais dadisposição e responsabilidade pessoal do que de
 
432 Ramos et al.
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uma estrutura de conhecimento formalmenteinstitucionalizada.Por outro lado, a busca pela qualificaçãopara a intervenção no âmbito esportivo temgerado dois direcionamentos importantes e inter-relacionados: O primeiro se refere àreformulação e também à criação de programasformais de formação ou certificaçãoprofissional, por entidades governamentais,associações e federações esportivasespecializadas (NORDMANN; SANDER, 2009;TRUDEL; GILBERT, 2006; WRIGHT;TRUDEL; CULVER, 2007). O segundodirecionamento se refere à realização de estudosempíricos, para identificar as peculiaridades dosprocessos de aprendizagem dos profissionais eos conhecimentos construídos a partir dessesprocessos (ABRAHAM; COLLINS;MARTINDALE, 2006; CUSHION; ARMOUR;JONES, 2006; JONES; ARMOUR; POTRAC,2002).De modo geral, os estudos sobre oconhecimento dos treinadores têm sidorealizados pela combinação de métodosqualitativos, para determinar o que eles sabemsobre como ensinar e como construíram estesconhecimentos (DORGO, 2009; LEMYRE;TRUDEL; DURAND-BUSH, 2007). A intençãoé examinar a experiência e trajetória de vida detreinadores, descrevendo as crenças erepresentações contidas na memória individualdesses profissionais e, desse modo, reconstruirnovos direcionamentos e balizamentos para odesenvolvimento dos próprios treinadores(GARCIA; PORTUGAL, 2009; JONES
;
ARMOUR; POTRAC, 2004).Grande parte desses trabalhos tem sidofocada em treinadores de alto rendimento,nomeadamente os estudos de Abraham, Collinse Martindale (2006); Fleurance e Cotteuax(1999), Gould et al. (1990), Irwin, Hanton eKerwin (2004), Jones, Armour e Potrac (2003,2004), Salmela (1995), Schempp, Templemton eClark (1998), Schempp et al. (2007). Emboraesses estudos tenham sido realizados emcontextos ou países diferentes (Inglaterra, NovaZelândia, Austrália, EUA, França, Canadá), eem modalidades esportivas diversas, osresultados obtidos por meio de procedimentosqualitativos de pesquisa, mostraram que aspercepções dos treinadores quanto àcontribuição dos programas formais deaprendizagem profissional para a intervençãopedagógica são díspares e, que a experiência de jogador e a discussão com treinadores têm sidofontes importantes de aprendizagem.No âmbito do esporte para jovens, pode-secitar os estudos de Erickson et al. (2008);Gilbert e Trudel (2004), Lemyre, Trudel eDurand-Bush (2007), Ramos et al. (2011),Stephenson e Jowett (2009), Wright, Trudel eCulver (2007), cujos resultados têm evidenciadoque treinadores de jovens desenvolvem suacapacidade de intervenção a partir de umnúmero variado de fontes de conhecimento.De fato, as dificuldades com a formação deprofissionais para a intervenção no esporte têmse ampliado, também, em virtude do surgimentoe da institucionalização de novas práticas dacultura corporal. Há, neste contexto dinâmico,novas opções de intervenção para o bacharel emEducação Física que demandam, igualmente,conhecimentos pedagógicos específicos. A açãoque se impõe diante deste panorama é contribuircom as entidades formadoras, sejam elas,Universidades, Associações e Federaçõesesportivas, na criação de elementos que possamatender as expectativas de preparação ouqualificação para essas novas demandas.Neste contexto atual, portanto, é oportunodestacar as práticas denominadas esportes denatureza, e em especial o
surf 
, por suapopularização e também seu nível deorganização institucional alcançados nas últimasdécadas (DIAS, 2009). Alguns dados maisrecentes mostram que esta modalidade tem sidopraticada em mais de 70 países, poraproximadamente 17 milhões de pessoas. NoBrasil, são estimados cerca de 2,7 milhões depraticantes (BASE et al., 2007; CARLET;FAGUNDES; MILISTEDT, 2007; MOREIRA,2009), configurando-se, desse modo, em umcampo de intervenção importante para oprofissional de Educação Física.Algumas iniciativas de incluir o
surf 
comomatéria de ensino no contexto universitárioparecem reconhecer esta possibilidade deintervenção, fazendo surgir propostasestruturadas de formação em alguns países,nomeadamente, Austrália, Estados Unidos,Reino Unido, Portugal e Brasil (MOREIRA,2009). Por outro lado, Associações,
 
 A aprendizagem profissional na percepção de treinadores de jovens surfistas
433
Rev. Educ. Fis/UEM, v. 23, n. 3, p. 431-442, 3. trim. 2012
Confederações e Federações específicas damodalidade tem elaborado seus própriosprogramas de formação profissional. No Brasil,estas iniciativas são protagonizadas peloInstituto Brasileiro de
Surf 
– Ibrasurf,Confederação Brasileira de
Surf 
– CBS eAssociações regionais da modalidade, citando,como exemplo, a Associação Catarinense deEscolas de
Surf 
– ACES.Levando em conta as alterações conceituaise estruturais no âmbito da formação deprofissionais de Educação Física e dos esportes,assim como as novas demandas para aintervenção nas diversas áreas da cultura domovimento humano (ANTUNES, 2007;HUNGER et al., 2006; NASCIMENTO, 2002;SOUZA; MARTINELLI, 2009), o estudo que seapresenta tem como objetivo examinar aspeculiaridades do processo de aprendizagem dosprofissionais que atuam no ensino do
surf 
, emescolas específicas para a iniciação esportivadesta modalidade. Especificamente, trata-se dedescrever e interpretar as percepções pessoaisdestes profissionais sobre a forma comoobtiveram seus conhecimentos para ensinar.Deve-se destacar que o profissional deensino do
surf 
 
recebe denominações poucoconsensuais, sendo designado como professor,instrutor, treinador ou orientador de
surf 
. Nesteestudo, adotou-se a denominação de treinadoresde
surf 
para designar os profissionais que atuamno ensino da modalidade. Esta é umadenominação que parece ser mais coerente comaquela encontrada na literatura internacional,sobre os estudos na formação dos profissionaispara o ensino dos esportes para jovens (
 youthsports coaches
).Os treinadores de esportes de jovens sãoreconhecidos por atuarem em contextosesportivos específicos que incluem o ensino de jovens para uma prática esportiva recreativa(
recreational sport coaching
) e, também, umaprática sistemática para o desenvolvimento ouformação de jovens esportistas para aparticipação em competições formais na faseadulta (
developmental sport coching
). Ambosenfatizam o lazer, a aprendizagem específica e aparticipação dos jovens no esporte, sobrepondo-se aos valores do rendimento desportivoencontrados no contexto do treinador de esportede elite (
elite sport coaching
) (LYLE, 2002;TRUDEL; GILBERT, 2006).
MÉTODOS
Neste estudo adotou-se um delineamento depesquisa qualitativo, uma denominação maisabrangente que engloba uma diversidade deprocedimentos na qual o investigador recolhe asinformações de forma direta, e as descreve apartir de uma análise indutiva dos dados(DENZIN; LINCOLN, 1994). Utilizaram-setambém procedimentos de pesquisadenominados estudo de casos múltiplos, decaráter descritivo interpretativo, conformeThomas e Nelson (1990) e Yin (2001).Para a inclusão dos sujeitos, utilizaram-se osseguintes critérios: a) possuir o mínimo de cincoanos de experiência no ensino do
surf 
em escolaespecializada; b) expressar motivação edisponibilidade para participar do estudo; c)estar atuando durante o período da pesquisa; d)dedicar-se integralmente ou prioritariamente aatividade de ensino do
surf 
; e) estar cadastradona Associação Catarinense das Escolas de
Surf 
-ACES f) possuir reconhecimento profissionaldiante dos seus pares, verificado por meio deconsulta direta aos dirigentes da ACES,treinadores formadores da ACES e a cada umdos treinadores que participaram do estudo, àmedida que se enquadraram nos itens a), c), d),e). O objetivo foi identificar quem elesreconheciam como bom profissional ou quetivesse demonstrado ao longo do tempo,qualidade no ensino do
surf 
. Basicamente, elesforam indagados sobre quem era um bomprofissional e por quê? Estes critérios foramadotados a partir dos estudos de Gilbert e Trudel(2004) e Berlinder (2000). Foram investigados11 treinadores de
surf 
para jovens, sendo dez dosexo masculino e um do sexo feminino, comidade entre 28 e 52 anos.Relativo à formação acadêmica, três sãograduados em Educação Física e os demais emDireito (1), Filosofia (1), História (1), Turismo(1), Engenharia (2). Dois treinadores possuemformação no Ensino Médio. Quanto àexperiência de prática pessoal, todos osprofissionais praticaram a modalidade desde ainfância, tendo uma experiência média de 27anos (min.20; máx. 40 anos). A experiência de

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